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Na última semana, tivemos mais um encontro dos acionistas da Berkshire Hathaway (NYSE:BRKa). Todo início de maio de cada ano, Omaha - no estado americano do Nebraska - se torna a meca do capitalismo mundial. Durante dois dias, os investidores da companhia dos megainvestidores Warren Buffett e Charles Munger vão escutar os ensinamentos desses dois gênios.
A tarde do sábado é o momento mais esperado, já que os dois se sentam por horas a fio e respondem a várias perguntas. Com muito humor, paciência e carisma, de ano em ano, temos uma aula de vida, investimentos e empreendedorismo. Warren Buffett sempre chama a atenção do público, sendo um dos homens mais ricos de toda história, mas, ao seu lado, e não menos importante, o seu sócio, Charles Munger, dá a sua contribuição. Munger, para muitos é o mais culto e mais inteligente investidor de nosso tempo.
Charles Munger influenciou uma grande mudança no estilo de gestão de Warren Buffett, levando o CIO da Berkshire Hathaway a mudar o foco, deixando um pouco de lado as empresas super baratas, para investir em empresas de altíssima qualidade por um preço justo. No início dos anos 80, o foco eram as famosas guimbas de charutos do Ben Graham e, hoje, são as grandes empresas de qualidade que compõem a carteira da holding, como Apple (NASDAQ:AAPL), Coca-Cola (NYSE:KO) e tantas outras.
Munger ficou famoso por seu repertório: um leitor assíduo de biografias e temas diversos - não existem assuntos que o vice-presidente da Berkshire não saiba um pouco. Em uma de suas entrevistas ele afirmou “em toda a minha vida, eu nunca conheci uma pessoa sábia (em um número abrangente de assuntos) que não lia o tempo inteiro, nenhuma, zero”. Mas, apesar de todo esse conhecimento, tem um tema que o mercado financeiro gosta muito e que o megainvestidor é muito crítico: previsão de futuro.
O sócio de Warren Buffett argumenta que nem mesmo os maiores investidores são capazes de prever o futuro. Existem uma gama de variáveis envolvidas que torna impossível ser assertivo nesse tipo de previsões. Muitos tentaram e quebraram a cara com isso. Em 1981, outro grande investidor, Ray Dalio, praticamente faliu tentando prever o colapso da economia americana que, na época, nunca veio.
Esse exercício de futurologia sempre gerou fascínio e pouco resultado. O motivo é óbvio: as coisas mudam - e rápido. Quem poderia prever a COVID-19 no fim de 2019? Quem poderia prever uma guerra entre Rússia e Ucrânia em 2021? São tantos eventos históricos imprevisíveis, que eu poderia escrever mil páginas os listando. Para além disso, mesmo sem um grande evento, é muito difícil prever a dinâmica econômica futura.
Uma outra visão que o vice-presidente da Berkshire Hathaway tem, que eu gosto muito, é a ideia de se “prever o presente”. Segundo Munger, seria possível estimar se os mercados estão baratos no momento, se existe a tal da margem de segurança ou não. O investidor defende que prever o futuro está fora de questão e o pequeno investidor deveria saber estimar se, nos níveis de preços atuais, os ativos estão baratos ou caros e, isso sim, no longo prazo, fará diferença. O investidor deveria ser agressivo nos momentos de pessimismo e cauteloso nos momentos de euforia. Tão fácil de falar e quase impossível de executar.
De uma forma prática, podemos usar o mercado americano e o brasileiro para esse exercício. Hoje, a bolsa americana negocia a múltiplos lucros de 18x. Isso quer dizer que você demoraria 18 anos para retornar o seu investimento, considerando os lucros dos últimos 12 meses da bolsa americana no nível de preço atual. Se um investidor demoraria 18 anos para retornar um investimento, ele tem um retorno esperado de 5,55% ao ano (18 x 5,55% = 100%), se um título público americano paga 5% ao ano, ao meu ver, a bolsa americana, aparentemente, está cara e sem margem de segurança. Isso não inviabiliza que casos específicos possam se valorizar muito, mas, no geral, não existe margem de segurança. Foi exatamente isso que os dois grandes investidores comentaram no começo de maio - que o mercado estava caro no geral e que não enxergam oportunidades.
Já por aqui, parece que temos exatamente o contrário, hoje o índice Bovespa negocia a um múltiplo de apenas 7x, ou seja, se o lucro for o mesmo, um investidor demoraria 7 anos para retornar o seu investimento ou 14,28% ao ano (7 x 14,28% = 100%), ainda mais se pensarmos que a nossa Selic, que deve iniciar em breve uma trajetória de queda, aparentemente a bolsa brasileira está barata. Para quem tem visão de longo prazo, parece que temos uma oportunidade no Brasil.
Ser (BVMF:SEER3) conservador quando se tem um mercado em forte alta não é fácil e o contrário também é bem complicado, já que ser agressivo quando temos sangue nas ruas é mais difícil ainda. É por isso que esses dois velhinhos são multibilionários e tão poucas pessoas conseguem se sobressair no mercado com resultado.
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