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Não é novidade dizer que o hábito de investir em imóveis faz parte da cultura do brasileiro, não é mesmo?
Todos nós temos alguém muito próximo que possui ou vislumbra ter imóveis para investimento. Eu mesmo tenho diversos exemplos na família ou entre conhecidos.
O que vejo em comum entre eles é o foco na compra de casas ou apartamentos com um objetivo muito específico: o de alugá-los para complemento de renda.
A valorização do imóvel, por outro lado, é encarada muito mais como um bônus.
“É bom que valoriza enquanto não precisar vender”, é o que a tia Catarina sempre diz...
Cá entre nós? Isso nem sempre é verdade, pois tudo depende do momento da economia, do desenvolvimento da região onde o imóvel está localizado, além do seu estado de conservação.
Mas não é sobre isso que tratarei no texto de hoje.
A questão é que, por focar quase exclusivamente na renda mensal, o pequeno investidor de imóveis muitas vezes acaba deixando de lado uma outra fonte de retorno tão ou mais importante no mercado imobiliário: o ganho de capital.
E a preterição por esse tipo de ganho é, em muitos casos, compreensível. Afinal, nem sempre o investidor possui conhecimento e tempo para acompanhar a atual dinâmica do mercado imobiliário, de forma a identificar boas oportunidades de negócios.
Sem falar na burocracia sem fim e nos custos de transação como taxas, impostos e comissões, que também acabam desestimulando a prática da gestão ativa por parte desses investidores.
Não há nada de errado em manter um imóvel por décadas a fio. Apenas é importante saber que é possível obter ganhos mais elevados ao comprar imóveis baratos para então vendê-los em momentos de euforia de mercado.
É aqui que entra um diferencial cada vez mais observado entre alguns FIIs de tijolo: o foco na geração de renda mensal, mas sem deixar de lado possíveis ganhos de capital a partir de uma gestão ativa da sua carteira de imóveis.
Dizemos que um FII de tijolo possui gestão passiva quando é vedada à gestão do fundo a compra, venda e reformas de imóveis sem a aprovação dos cotistas.
Os FIIs de gestão ativa, por outro lado, dão ao gestor a liberdade de realizar esses movimentos sem a necessidade de consultar os cotistas.
Por exigir mais da gestão do fundo, os FIIs de tijolo de gestão ativa geralmente possuem custos mais elevados, o que pode ser visto como uma desvantagem.
Por outro lado, oferecem aos cotistas uma gestão mais dinâmica ao permitirem que a alocação dos recursos do Fundo seja feita a partir da leitura e experiência do gestor com os ciclos imobiliários.
Isso faz com que esses fundos sejam, em tese, capazes de gerar ganhos acima da média do mercado a partir de lucros obtidos com a compra e venda de imóveis (reciclagem do seu portfólio).
É claro que isso está longe de ser uma regra, mas um caso recente deixa claro o potencial desse tipo de gestão.
O BTG Pactual Logística (SA:BTLG11) é um FII cujo objetivo é gerar renda e ganhos de capital a partir de investimentos em imóveis do segmento logístico. O Fundo possui um patrimônio superior a 1,3 bilhão e conta com a gestão do BTG Pactual (SA:BPAC11).
Na última semana, o Fundo informou ao mercado que assinou um Compromisso de Venda de quatro imóveis do seu portfólio:
- Itambé São Paulo, localizado na capital paulista;
- Supermarket Rio de janeiro, localizado na cidade do Rio de Janeiro;
- Cerrati Vinhedo e Magna Vinhedo, ambos situados na cidade de Vinhedo/SP.
O preço total da venda dos imóveis corresponde a 168,9 milhões de reais, que serão pagos da seguinte forma:
Como o Fundo havia adquirido os imóveis há muitos anos por um custo próximo a 106 milhões de reais, a operação representa um ganho de capital de 60 por cento (63 milhões de reais).
Com isso, a gestão espera que o Fundo apure um lucro de 4,88 reais por cota, a serem distribuídos a seus cotistas ao longo dos três semestres. Já o valor restante (106 milhões de reais) será reinvestido em outros ativos-alvo do Fundo.

De acordo com a gestão, além do lucro proporcionado aos cotistas, a transação também elevou o padrão construtivo do portfólio do Fundo, visto que os imóveis vendidos eram antigos e contavam com especificações técnicas defasadas.

Também foi possível aumentar a exposição a imóveis localizados a um raio de 60 km da cidade de São Paulo para 76 por cento da ABL do Fundo – principal polo logístico do país –, como também promover um aumento do prazo médio dos contratos de locação.

É claro que será preciso acompanhar como a gestão do Fundo alocará os recursos da venda que serão retidos para reinvestimentos.
Ainda assim, o caso acima não deixa de ser um bom exemplo de que é possível, sim, gerar ganhos de capital aos cotistas a partir de uma gestão ativa que busca reciclar o portfólio de imóveis de um FII.
Isso não significa, porém, que todo fundo de tijolo com gestão ativa é bom. É possível observar diversos casos de vendas e/ou compras de imóveis a condições desfavoráveis para os cotistas.
O segredo está, portanto, em conhecer muito bem a capacidade do time de gestão, bem como avaliar minuciosamente cada um dos seus movimentos. Somente assim é possível concluir se determinado negócio irá, de fato, gerar valor para os investidores.
Abraços e até a próxima!
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