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© Reuters. Presidente em exercício, Geraldo Alckmin
27/04/2023
REUTERS/Carla Carniel
Por Victor Borges
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, criticou nesta quinta-feira o Banco Central e disse que uma taxa Selic desnecessariamente elevada além de prejudicar a atividade econômica tem forte impacto também do ponto de vista fiscal, mas destacou que não há oposição do governo federal à autoridade monetária.
"Eu queria dizer que essa manutenção da Selic não prejudica apenas a atividade econômica na medida em que inibe investimento, dificulta o comércio, prejudica a indústria e o setor do agro, mas ela também tem o outro impacto que é o ponto de vista fiscal", disse Alckmin, em rápida entrevista coletiva.
"Não há nada pior para a responsabilidade fiscal do que ter uma Selic fora do patamar", acrescentou.
Segundo Alckmin, quase metade da dívida federal é "Selicada" e cada 1% da taxa básica de juros representa cerca de 38 bilhões de reais para a dívida.
"Você fica fazendo economia de 1 bilhão ou meio bilhão (de reais) e acaba gastando quase 200 bilhões (de reais) a mais, em razão de ter uma taxa Selic a essa altura", argumentou.
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano e em seu comunicado não deixou claro um possível corte na próxima reunião, em agosto, contrariando a expectativa do mercado.
Alckmin reconheceu a necessidade de elevar o custos de empréstimos em alguns cenários, mas disse também que um exagero nos ajustes da Selic sufocam a economia, citando dados econômicos, como inflação e juros futuros em queda, que suportam, em sua visão, um corte na taxa básica.
Contudo, o presidente em exercício disse que não é objetivo do governo convocar o presidente do BC, Roberto Campos Neto, para dar depoimento perante o Senado e frisou que não há uma rivalidade contra a instituição.
"Não há oposição do governo ao Banco Central ou ao Copom. Agora a crítica é importante. Qualquer instituição pública pode ser criticada".
Questionado sobre se acredita que a condução de Campos Neto à frente da instituição tem um fundo político, devido a ele ter sido indicado pelo ex-presidente da República Jair Bolsonaro, Alckmin disse não poder "penetrar na consciência das pessoas" e que não o faria, mas traçou uma comparação entre a atuação do BC em 2020 e no cenário atual.
"Quero mostrar um fato, o mesmo Banco Central em 2020 com inflação de 4%, tinha 2% de taxa Selic e hoje nós estamos com 13,75%. O problema não é ter ido a 13,75%, mas é mantê-la por tanto tempo", afirmou.
O BC tem sido alvo de pesadas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros membros do governo por manter a Selic inalterada no patamar atual desde agosto de 2022, mesmo com uma queda da inflação.
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