⛔ Pare de adivinhar ⛔ Use nosso filtro de ações gratuito e ache pechinchas do mercadoTeste Grátis

BC sinaliza possibilidade de corte "parcimonioso" de juros em agosto como avaliação predominante

Publicado 27.06.2023, 08:20
© Reuters. Prédio do Banco Central em Brasília
29/10/2019
REUTERS/Adriano Machado
BIDI4
-

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central sinalizou nesta terça-feira que a maioria dos membros do Comitê de Política Monetária vê a possibilidade de iniciar um afrouxamento monetário "parcimonioso" na próxima reunião, em agosto, desde que um cenário de inflação mais benigno se consolide, enquanto uma minoria adotou uma postura mais cautelosa.

Segundo a ata do último encontro, divulgada nesta terça, houve uma divergência de opiniões em relação à sinalização dos próximos passos.

"A avaliação predominante foi de que a continuação do processo desinflacionário em curso, com consequente impacto sobre as expectativas, pode permitir acumular a confiança necessária para iniciar um processo parcimonioso de inflexão na próxima reunião", apontou a ata.

De acordo com o BC, outro grupo mostrou-se mais cauteloso, enfatizando que a dinâmica desinflacionária ainda reflete o recuo de componentes mais voláteis e que a incerteza sobre o hiato do produto gera dúvida sobre o impacto do aperto monetário até então implementado.

"Para esse grupo, é necessário observar maior reancoragem das expectativas longas e acumular mais evidências de desinflação nos componentes mais sensíveis ao ciclo", completou a ata.

A ata reafirmou ainda que os membros do Comitê foram unânimes em concordar que os passos futuros dependerão da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica; das expectativas de inflação, em particular as de maior prazo; de suas projeções de inflação; do hiato do produto e do balanço de riscos.

Nesta manhã, operadores precificavam chances de quase 100% de o Banco Central cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em agosto, de acordo com probabilidades implícitas em contratos de juros futuros. No fim da tarde de segunda-feira, a precificação dessa chance estava em 92%.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a ata mostra que o governo está no "caminho certo", com a "harmonização" entre as políticas fiscal e monetária podendo acontecer em breve.

O BC decidiu deixar inalterada a Selic em 13,75% ao ano em reunião na semana passada, e manteve um tom duro ao avaliar o processo de desinflação no Brasil, frustrando o mercado ao não indicar intenção de cortar juros em agosto e provocando novas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter (BVMF:BIDI4), a "ata foi mais 'dovish' e indica que a visão 'predominante' do Copom é do início do corte na próxima reunião, considerando o cenário atual de queda da inflação e queda das expectativas".

Leonardo Costa, economista da ASA Investments, concorda que o documento indicou que há consenso para o início do ciclo de queda de juros na próxima reunião, apostando em um início bastante gradual, com corte de 0,25 ponto percentual.

Mas o BC alertou ainda que flexibilizações do grau de aperto monetário exigem confiança na trajetória do processo de desinflação, afirmando que flexibilizações prematuras podem provocar reacelerações do processo inflacionário e, consequentemente, levar a uma reversão do próprio processo de afrouxamento monetário.

"A materialização desse tipo de cenário pode impactar negativamente não apenas a credibilidade da política monetária, mas também as condições financeiras", disse.

A ata ainda repetiu que a conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação desancoradas, segue demandando cautela e parcimônia.

Nesta terça, o IBGE informou que o IPCA-15 ficou praticamente estável em junho graças à queda dos preços de combustíveis, e a taxa em 12 meses foi ao menor nível em quase três anos, o que deve intensificar os argumentos para o início do ciclo de corte de juros.

O BC também debateu a resiliência da atividade econômica no primeiro trimestre, mas segue com a visão de que o crescimento foi puxado pelo setor agropecuário e que os demais setores devem apresentar crescimento modesto ao longo do ano.

METAS

O BC voltará aos holofotes na quinta-feira, quando divulgará seu Relatório Trimestral de Inflação com novas projeções sobre a economia, mesmo dia em que o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne para estabelecer a meta de inflação para 2026.

O mercado especula ainda sobre a possibilidade de o CMN determinar que o BC siga objetivo de inflação sem um prazo determinado. Atualmente, a autarquia trabalha com a meta por ano-calendário.

Segundo o BC, o questionamento sobre uma possível alteração das metas de inflação futuras são parte do motivo pelo qual as expectativas de inflação apresentaram algum recuo, mas seguem desancoradas. "O Comitê avalia que decisões que reancorem as expectativas podem levar a uma desinflação mais célere", disse a ata.

Para o BC, a confiança nas metas de inflação é primordial, e "decisões que induzam à reancoragem das expectativas e que elevem a confiança nas metas de inflação contribuiriam para um processo desinflacionário mais célere e menos custoso, permitindo flexibilização monetária".

© Reuters. Prédio do Banco Central em Brasília
29/10/2019
REUTERS/Adriano Machado

O BC ressaltou ainda que o Copom discutiu também os impactos do cenário fiscal sobre a inflação e avalia que a apresentação e a tramitação do arcabouço fiscal reduziram substancialmente a incerteza em torno do risco fiscal.

Na semana passada, o plenário do Senado concluiu a votação do projeto do novo arcabouço fiscal, que terá de passar por uma nova análise da Câmara dos Deputados após ser alterada pelos senadores, atrasando em alguns dias a conclusão da tramitação da prioritária proposta do governo.

Mas o Copom voltou a enfatizar que não há relação mecânica entre a convergência de inflação e a aprovação do arcabouço fiscal, uma vez que a trajetória de inflação segue condicional à reação das expectativas de inflação e das condições financeiras.

Últimos comentários

Instale nossos aplicativos
Divulgação de riscos: Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos nesse site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas nesse site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos nesse site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos nesse site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.
A versão em inglês deste acordo é a versão principal, a qual prevalece sempre que houver alguma discrepância entre a versão em inglês e a versão em português.
© 2007-2024 - Fusion Media Limited. Todos os direitos reservados.