Últimas Notícias
0
Versão sem anúncios. Atualize sua experiência no Investing.com. Economize até 40% Mais detalhes

BC eleva Selic a 7,75%, e indica nova alta de 1,5 p.p. em dezembro

Moedas27.10.2021 20:25
Salvo. Ver Itens salvos.
Este artigo já foi salvo nos seus Itens salvos
 
© Reuters. Sede do Banco Central em Brasília 27/11/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central aumentou o ritmo de aperto monetário diante da deterioração do cenário fiscal e promoveu uma alta de 1,5 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira, ao patamar de 7,75% ao ano, numa tentativa de debelar as crescentes pressões inflacionárias.

Em seu comunicado, o BC também indicou que deve repetir a dose, adotando outra elevação de igual magnitude na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 7 e 8 de dezembro.

Diante do quadro mais desafiador e da força da inflação, será necessário ir mais fundo no processo de levar a taxa básica para patamar em que atua no sentido de desaquecer a economia, indicou a autoridade monetária.

"O Copom considera que, diante da deterioração no balanço de riscos e do aumento de suas projeções, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante", afirmou o BC em comunicado.

"Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance ainda mais no território contracionista", completou.

Apesar de ter feito menção clara à questão fiscal, o BC não tratou os eventos relacionados à mudança do teto de gastos como uma materialização de riscos, ao assinalar que, "apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação".

O BC frisou que esses questionamentos aumentam a assimetria altista no balanço de riscos e disse que "isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico".

Para o economista da XP Rodolfo Margato, o tratamento dado ao tema deve ser um ponto de atenção do mercado, com possibilidade de alguns agentes interpretarem a postura do BC como neutra ou um "pouco dovish" (inclinado a manter o afrouxamento monetário).

A expectativa da XP, disse ele, é que depois do novo aperto de 1,5 ponto em dezembro o BC suba os juros em 1 ponto em fevereiro e mais 0,75 ponto em março, com a Selic encerrando o ciclo em 11%.

O BC atualizou no documento sua leitura sobre a atividade econômica, pontuando que indicadores divulgados desde setembro mostram uma evolução "ligeiramente abaixo da esperada". E piorou suas projeções para a inflação neste ano e no ano que vem.

"A inflação ao consumidor continua elevada. A alta dos preços veio acima do esperado, liderada pelos componentes mais voláteis, mas observam-se também pressões adicionais nos itens associados à inflação subjacente", disse o BC.

DRIBLE NO TETO

Esta foi a maior elevação na taxa básica de juros desde dezembro de 2002, quando houve aumento de 3 pontos da Selic, a 25% ao ano, em uma resposta ao derretimento do mercado e à disparada do dólar por temores associados à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.

Desta vez, a subida ocorre após o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciarem que o Auxílio Brasil, como foi rebatizado o Bolsa Família, contará com um bônus extra e temporário no ano eleitoral de 2022, possibilitado por um drible na regra do teto de gastos, que é considerada a única âncora fiscal do país.

Com isso, o valor total do benefício, visto como crucial para impulsionar a popularidade do presidente, subirá a no mínimo 400 reais por família frente a uma média de 190 reais hoje.

Diante da manobra, encarada pelos agentes como um sinal inequívoco de afrouxamento fiscal, investidores que operam no mercado de opções digitais da B3 (SA:B3SA3) tinham aposta majoritária de alta de 1,50 ponto percentual da Selic no início desta quarta-feira, ao passo que economistas ouvidos pelo BC na mais recente pesquisa Focus previam elevação de 1,25 ponto.

Antes da decisão desta tarde, o BC havia elevado os juros em 1 ponto percentual em suas últimas duas reuniões do Copom, com a avaliação de que este ritmo seria suficiente para levar a inflação para a meta em 2022, horizonte que vinha destacando estar no foco de suas ações.

Mas para além dos novos riscos no cenário fiscal --com impacto direto no câmbio e no encarecimento de bens importados--, o avanço de preços na economia não deu trégua: o IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 1,2% em outubro, maior taxa para o mês em 26 anos, acumulando alta de 10,34% em 12 meses.

O desempenho superou estimativas do mercado, apontou persistentes pressões sobre os núcleos --que desconsideram preços mais voláteis--, e levou grandes bancos e casas de investimento a esperarem um reação mais contundente do BC nesta quarta-feira.

Dando lastro à postura mais agressiva que adotou, o BC passou a enxergar uma inflação mais alta em 2022. Agora, a autoridade monetária vê IPCA de 4,1% no ano que vem, ante 3,7% anteriormente, mais distante da meta central de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Para este ano, o BC enxerga inflação de 9,5% (8,5% antes) e para 2023 a expectativa é de alta de 3,1% (3,2% antes), contra metas de 3,75% e 3,25%, respectivamente, também com margem de 1,5 ponto.

No Focus, as estimativas dos economistas são de IPCA de 8,96% em 2021, 4,40% em 2022 e 3,27% em 2023.

Na visão da estrategista-chefe da MAG Investimentos, Patrícia Pereira, a forma como o BC vai tratar o ano de 2022 daqui para frente estará no centro das atenções do mercado, após autoridades do BC terem buscado ressaltar em eventos públicos mais recentes seu compromisso em cumprir o centro da meta no próximo ano.

"Base ficou ainda mais alta para entregar esses 3,5%. Eu imagino que o centro da meta saiu do radar e faz todo o sentido. Mas como eles vão se comunicar em relação a isso acho que é relevante, certamente mercado vai ficar de olho", afirmou ela, que também vê Selic terminal próxima a 11% em 2022.

Desde março, quando tirou a Selic da mínima histórica de 2% ao ano alcançada em meio à pandemia, o BC já elevou a taxa em 5,75 pontos.

Já o diretor da Asa Investments, Carlos Kawall, avaliou que a sequência de surpresas negativas relacionadas ao fiscal e à inflação demandaria uma ação mais dura do BC.

"Nos parecia que era melhor ele ir para o ritmo de 200 (pontos-base de alta), repetir em dezembro, e depois alcançar 12% até março. Ao fazer em ritmo de 150 torna mais desafiador chegar perto da meta em 22. O Copom está dando uma sinalização de maior aperto monetário, minha dúvida é se isso é suficiente", disse.

BC eleva Selic a 7,75%, e indica nova alta de 1,5 p.p. em dezembro
 

Artigos Relacionados

Dólar à vista fecha em alta de 0,34%, a R$5,6785
Dólar à vista fecha em alta de 0,34%, a R$5,6785 Por Reuters - 03.12.2021 1

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta nesta sexta-feira, perto de 5,68 reais e na máxima desde abril, alavancado por um movimento global de busca por segurança que dominou...

Adicionar comentário

Diretrizes para Comentários

Nós o incentivamos a usar os comentários para se engajar com os usuários, compartilhar a sua perspectiva e fazer perguntas a autores e entre si. No entanto, a fim de manter o alto nível do discurso que todos nós valorizamos e esperamos, por favor, mantenha os seguintes critérios em mente:

  • Enriqueça a conversa
  • Mantenha-se focado e na linha. Só poste material relevante ao tema a ser discutido.
  • Seja respeitoso. Mesmo opiniões negativas podem ser enquadradas de forma positiva e diplomática.
  • Use estilo de escrita padrão. Incluir pontuação e letras maiúsculas e minúsculas.
  • NOTA: Spam e/ou mensagens promocionais ou links dentro de um comentário serão removidos.
  • Evite palavrões, calúnias, ataques pessoais ou discriminatórios dirigidos a um autor ou outro usuário.
  • Somente serão permitidos comentários em Português.

Os autores de spam ou abuso serão excluídos do site e proibidos de comentar no futuro, a critério do Investing.com

Escreva o que você pensa aqui
 
Tem certeza que deseja excluir este gráfico?
 
Postar
Postar também no :
 
Substituir o gráfico anexado por um novo gráfico?
1000
A sua permissão para inserir comentários está atualmente suspensa devido a denúncias feitas por usuários. O seu status será analisado por nossos moderadores.
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.
Obrigado pelo seu comentário. Por favor, note que todos os comentários estão automaticamente pendentes, em nosso sistema, até que aprovados por nossos moderadores. Por este motivo, pode demorar algum tempo antes que o mesmo apareça em nosso site.
Comentários (1)
Milton Heyde de Macedo
Milton Heyde de Macedo 28.10.2021 1:29
Salvo. Ver Itens salvos.
Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Até agora os fatos estão mostrando que o BC não está conseguindo fazer a inflação ceder. Com insumos básicos como energia elétrica subindo 10% e diesel 17% em um único mês não tem taxa selic que resolva! Inútil elevação com governo demonstrando que vai queimar recursos com o bozolao dos deputados e senadores!!
 
Tem certeza que deseja excluir este gráfico?
 
Postar
 
Substituir o gráfico anexado por um novo gráfico?
1000
A sua permissão para inserir comentários está atualmente suspensa devido a denúncias feitas por usuários. O seu status será analisado por nossos moderadores.
Aguarde um minuto antes de tentar comentar novamente.
Anexar um gráfico a um comentário
Confirmar bloqueio

Tem certeza de que deseja bloquear %USER_NAME%?

Ao confirmar o bloqueio, você e %USER_NAME% não poderão ver o que cada um de vocês posta no Investing.com.

%USER_NAME% foi adicionado com êxito à sua Lista de bloqueios

Já que acabou de desbloquear esta pessoa, você deve aguardar 48 horas antes de bloqueá-la novamente.

Denunciar este comentário

Diga-nos o que achou deste comentário

Comentário denunciado

Obrigado!

Seu comentário foi enviado aos moderadores para revisão
Declaração de Riscos: Fusion Media would like to remind you that the data contained in this website is not necessarily real-time nor accurate. All CFDs (stocks, indexes, futures) and Forex prices are not provided by exchanges but rather by market makers, and so prices may not be accurate and may differ from the actual market price, meaning prices are indicative and not appropriate for trading purposes. Therefore Fusion Media doesn`t bear any responsibility for any trading losses you might incur as a result of using this data.

Fusion Media or anyone involved with Fusion Media will not accept any liability for loss or damage as a result of reliance on the information including data, quotes, charts and buy/sell signals contained within this website. Please be fully informed regarding the risks and costs associated with trading the financial markets, it is one of the riskiest investment forms possible.
Cadastre-se com Google
ou
Cadastre-se com o e-mail