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Campos Neto cita planos para moeda conversível de referência; Guedes fala de euro para América Latina

Publicado 13.03.2019, 18:54
Campos Neto cita planos para moeda conversível de referência; Guedes fala de euro para América Latina

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou nesta quarta-feira planos para uma eventual moeda conversível que sirva de referência para a região, ao falar da missão de tornar o mercado mais aberto para estrangeiros.

Presente na transmissão de cargo de Campos Neto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também afirmou no mesmo evento que o projeto do presidente do BC seria para transformar a moeda brasileira numa espécie de euro da América Latina.

Em avaliação sobre o quadro cambial, Guedes apontou que, na teoria, o fato de o país ter câmbio flutuante e ainda precisar de 400 bilhões de dólares em reservas internacionais "é quase um contrassenso", mas que isso se deu dentro de um processo de aprendizado.

Atualmente, o estoque de reservas do Brasil é de 381,9 bilhões de dólares.

"A China precisava de 3 trilhões (de dólares), é muito pouco confiável, ela realmente manipula moedas. No Brasil só 400 (bilhões de dólares) já dá para tranquilizar. Mas se a história fosse diferente talvez precisasse de zero", disse Guedes.

"Talvez tivesse uma moeda que fosse uma espécie de euro da América Latina, talvez todos estivessem aderindo à nossa moeda, é um pouco do que eu posso dizer do projeto do Roberto de transformar em moeda conversível lá na frente, e realmente todo mundo vai aderir", completou o ministro.

Ao falar sobre as reservas, Campos Neto ecoou discurso feito no mês passado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, quando avaliou que elas funcionam como um seguro, servindo para suavizar os impactos de eventual deterioração da liquidez internacional sobre a economia brasileira.

"As reservas internacionais funcionam como uma garantia, um seguro. Um seguro que, é importante destacar, teve custo zero nos últimos dez anos, já que os custos de carregamento foram compensados pelos resultados da variação cambial", disse.

"Além disso, seu custo de carregamento está no mínimo histórico, devido ao baixo nível da Selic e à elevação da taxa americana. Qualquer decisão econômica deve sempre considerar custos e benefícios, e isto também se aplica à gestão de reservas", acrescentou o presidente do BC.

OBJETIVOS

Além da questão da moeda conversível, Campos Neto também citou outros objetivos após sublinhar que há um diagnóstico "bem definido" acerca de aonde o BC quer chegar e qual caminho deverá seguir.

Nesse rol, incluiu o controle da inflação e a manutenção de um sistema financeiro sólido, mas também a autonomia da autoridade monetária registrada em lei -- projeto que tramita no Congresso Nacional.

Para Campos Neto, isso irá ajudar a reduzir o risco-Brasil e aumentar o crescimento de longo prazo.

Em outra frente, ele também disse que o BC trabalhará para reduzir o custo de intermediação financeira, aumentando a eficiência desse serviço e melhorando as condições de concorrência, e para diminuir o papel do governo no sistema financeiro.

"O desenvolvimento do país e de um sistema financeiro moderno e inclusivo exige trazer ao centro do palco o indivíduo – as famílias, as empresas – e reduzir o papel do Estado como um grande ator de mercado", afirmou.

"É preciso abrir espaço para que haja mais empreendedores e menos atravessadores. Pois como foi corretamente colocado por Ronald Reagan: 'quando o governo aumenta a liberdade individual diminui'”, completou.

Sobre os próximos passos para os juros básicos, Campos Neto voltou a dizer que é importante manter ganhos recentes alcançados na condução da política monetária, que tem se baseado na cautela, na serenidade e na perseverança.

A expressão vinha sendo utilizada pela gestão anterior do BC para sinalizar que só a lenta atividade econômica e a inflação bem comportada não eram suficientes para abrir espaço para eventual queda da taxa básica de juros, estacionada há quase um ano em sua mínima histórica, de 6,5 por cento ao ano.

Como pano de fundo para essa leitura, o BC vinha citando maior peso em seu balanço de riscos nos fatores que podem pressionar a inflação para cima: eventual frustração sobre a continuidade das reformas econômicas no Brasil e deterioração do cenário externo para economias emergentes.

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