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Do crowdfunding ao private equity: como está o financiamento em meio a juros altos

Publicado 23.03.2023, 15:01
Atualizado 23.03.2023, 15:06
© Reuters.

Por Jessica Bahia Melo

Investing.com – Diante de taxas de juros elevadas, comprometendo a liquidez, e perspectivas de que continuem desta forma, empresas buscam alternativas para financiamento e investidores são atraídos pela possibilidade de ganhos acima da média do mercado. Entre as possibilidades, estão investimentos como seed capital, venture capital, fundos de private equity e equity crowdfunding. As modalidades seguem em processo de amadurecimento e possuem perspectivas mais benéficas do que a abertura de capital de empresas, por exemplo, segundo especialistas consultados pelo Investing.com Brasil.

O private equity é mais direcionado a companhias maduras, que precisam de recursos para otimizar o crescimento, reestruturar ou expandir as operações. No caso do venture capital, esse tipo de investimento está relacionado a empresas em fase inicial, que possuem grande potencial para crescimento, mas ainda carecem de receitas mais definidas. Entre os exemplos, está o fundo Headline XP (BVMF:XPBR31) Venture Capital, que anunciou nesta quarta-feira, 23, um aporte de R$ 7,8 milhões na Fin-X, startup que busca potencializar transações comerciais na área de saúde. Já o seed money seria o mais arriscado dos três, com aportes em empreendimentos que precisam de dinheiro para as primeiras operações. Fora dos fundos, uma opção com regulamentação mais recente é o equity crowfunding, uma espécie de “vaquinha”, geralmente viabilizada por startups.

Investimentos por fundos

O levantamento Brazilian Private Equity Outlook, elaborado Insper em parceria com a gestora Spectra, mostra uma retração no número de fundos de private equity no país, com recuo de 54 para 29 entre 2012 e 2022. Já os valores disponíveis chegaram ao menor nível da pesquisa, saindo de um patamar máximo de R$ 27 bilhões em 2016 para R$ 17 bilhões em 2022.

“A gente entende que houve uma pequena redução, mas não foi por uma falta de oportunidades, mas devido a um período anterior em que estava muito mais barato para as empresas se financiarem”, destaca Clara Sodré, analista de alocação e fundos da XP.

Fundos de private equity são fundos de ações que investem majoritariamente na participação acionária de empresas que estão fora da bolsa de valores, com robusto potencial de crescimento, para ter rentabilidade acima da média. O investimento nessa modalidade tem ganhado mais destaque, principalmente de investidores de alta renda com o objetivo de diversificação do portfólio, proteção do patrimônio e maiores rendimentos.

Assim como outros fundos, o private equity reúne cotistas que compram participações, sendo que o prazo de duração tende a ser mais longo do que em fundos acionários tradicionais. Esses fundos passam por algumas fases, como captação, período de investimento e de desinvestimento, quando algumas das empresas começam a dar retornos.

“É importante entender que que são investimentos que são separados por rodadas dos gestores, tem um período de fazer a rodada, fazer toda estruturação, fazer novos investimentos. A gente entende que mesmo em um cenário com uma taxa de juros mais alta, é nesse momento que temos oportunidades, justamente porque se o custo de capital para as empresas investirem aumenta, logo fica mais difícil para que essas empresas possam se financiar”, aponta Sodré, que avalia ser um período interessante em termos de bons retornos pra esse tipo de fundo.

Como é uma modalidade com algumas restrições, reservada a investidores qualificados, ainda caminha um processo de democratização, segundo Sodré. São ativos ilíquidos, mas o valor de aporte aceito por alguns fundos vem diminuindo, assim como há mudanças de adaptação em relação ao horizonte de investimentos.

Na visão de Denis Morante, fundador da Fortezza Partners, as operações de IPO “disputam” com as de private equity – e elas estão em um momento mais interessante para serem exploradas. “O Pátria, por exemplo, está captando bastante dinheiro, devem aproveitar a situação”.  Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, Morante acredita que muitos fundos já haviam captado recursos nos últimos anos e agora seguem aplicando. “Talvez seja difícil para captar recursos novos, mas talvez o foco seja nos que já estavam ali”.

Equity crowdfunding em alta

Boletim Econômico da Comissão de Valores Mobilitários (CVM) mostra que, no ano passado, foram arrecadados mais de R$ 210 milhões na modalidade de equity crowdfunding, 61% mais do que em 2021. Esse mecanismo possibilita que investidores participem de um financiamento coletivo de uma empresa, principalmente startups.

A quantidade de ofertas aumentou 36% no ano passado, sendo que a plataforma de investimentos Captable lidera no setor de startups. No ano passado, a companhia realizou 15 rodadas de investimentos, o que equivale a 33% do montante das 10 principais plataformas observadas.

A Captable, que faz a ponte entre potenciais investidores em inovação com startups com potenciais de serem os próximos unicórnios, já promoveu 59 rodadas de investimento desde sua criação em 2019, com mais de R$90 milhões captados. A conexão ocorre por meio de uma plataforma online, processo que é recorrente neste tipo de modalidade, conectando as startups com investidores de varejo, empresas, aceleradoras, grupos de anjo e fundos de investimento. O ano passado foi movimentado, mas ainda ficou aquém do previsto devido à Copa do Mundo e eleições, segundo Paulo Deitos, CEO da Captable.

Na visão dele, ainda que a tendência é de que as taxas de juros não caiam muito neste ano, um fator de propulsão é a mudança na regulamentação do setor, com resolução de julho do ano passado. Com a alteração, o chamado mercado subsequente passa a ser regulado de forma similar ao mercado secundário. Segundo a Captable, essa mudança auxilia na resolução do problema de falta de liquidez nesse tipo de captação.

“Leva um tempinho para o mercado absorver. Mas o aumento de limite de R$5 para R$15 milhões e alta para R$40 milhões de faturamento está recém começando a mostrar resultado. O efeito dessa mudança só está sendo vivenciado agora”.

Processos mais maduros e rodadas maiores devem ocorrer nos próximos meses, na visão de Deitos, que estima crescimento próximo de 50% no volume  transacionado mínimo neste ano para a empresa. Para o setor, espera que novos players voltem a entrar nas operações, com alta de pelo menos 60%, mesmo sem grandes mudanças no cenário macroeconômico.

“A gente tem enxergado um movimento, confirmado nesses negócios, que pelo aumento dos volumes de captação empresas mais robustas, grandes players de investimento estão abertos a realizar operações via plataformas”, completa.

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