Fique por dentro das principais notícias do mercado desta sexta-feira

EdiçãoJulio Alves
Publicado 29.08.2025, 08:16
© Reuters

Investing.com – Os índices futuros das bolsas norte-americanas operavam em baixa nesta sexta-feira, com investidores em compasso de espera pela divulgação do índice de preços de despesas com consumo pessoal (PCE), referência mais importante para a formulação da política monetária do Federal Reserve.

Dados de inflação europeia e incertezas geopolíticas também contribuem para o ambiente de cautela.

No Brasil, o governo brasileiro deve notificar hoje a Casa Branca de que abrirá um processo de aplicação da Lei de Reciprocidade, após a imposição de tarifas de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, elevando a tensão comercial entre os dois países.

1. PCE nos EUA pode definir rumos do Fed

O foco da sessão recai sobre a leitura do núcleo do PCE de julho, indicador preferido do Fed para monitorar a evolução da inflação. O mercado projeta uma variação mensal de 0,3%, o que manteria a taxa anual em 2,9%.

Apesar das expectativas ancoradas, há o risco de que o indicador reflita parte do impacto das tarifas generalizadas adotadas pelo governo Trump, principalmente após a recente surpresa altista no índice de preços ao produtor.

No ano passado, o Fed cortou os juros em 100 pontos-base, mas decidiu manter a taxa estável em 2025, diante da persistência inflacionária provocada, em parte, pela política tarifária da Casa Branca. A aposta dominante no mercado é de que essa postura mude em setembro, com um corte de 25 pontos-base. A trajetória a partir de então, contudo, permanece incerta.

Na quinta-feira, o diretor Christopher Waller afirmou que apoia o início de cortes já no próximo mês e “espera plenamente” que novas reduções sejam implementadas até que a taxa se aproxime de um nível considerado neutro.

Waller e Michelle Bowman, também diretora do Fed, discordaram da decisão de manter os juros em julho. Ambos foram indicados por Trump e aparecem como nomes cotados para suceder Jerome Powell na presidência da instituição, o que alimenta preocupações crescentes sobre a politização do banco central.

O próprio Trump anunciou nesta semana a demissão da diretora Lisa Cook sob acusação de fraude hipotecária. Cook ingressou com uma ação judicial para impedir a destituição, alegando ilegalidade da medida.

2. Futuros dos EUA recuam levemente após recordes

Os índices futuros das bolsas de Nova York operavam com leve correção, após registrarem novos recordes na sessão anterior. Às 7 h de Brasília, o S&P 500 futuro recuava 0,26% (16 pontos), o do Nasdaq 100 futuro caía 0,49% (115 pontos) e o do Dow Jones cedia 0,29% (133 pontos).

Na quinta-feira, o S&P 500 avançou 0,3% e renovou sua máxima histórica. O Nasdaq Composite subiu 0,5% e o Dow Jones Industrial Average encerrou o dia com alta de 0,2%, também atingindo novo recorde.

Com esse desempenho, os três índices caminham para encerrar agosto com ganhos expressivos: o Dow acumula alta de 3,4%, o S&P 500 sobe 2,6% no mês, e o Nasdaq, mais exposto a tecnologia, avança 2,8%.

Além do PCE, investidores acompanharão os balanços de companhias como Ulta Beauty (NASDAQ:ULTA), Ambarella (NASDAQ:AMBA) e Affirm Holdings (NASDAQ:AFRM).

3. BCE monitora inflação e incerteza comercial

Na Europa, dados preliminares de inflação da França, Espanha e Alemanha devem orientar as expectativas em torno das próximas decisões do Banco Central Europeu.

O BCE manteve a taxa básica em 2% na reunião de julho. Desde então, os indicadores sinalizam estabilidade da atividade econômica, com a inflação se mantendo próxima da meta.

Embora o consenso de mercado aponte para manutenção dos juros em setembro, a ata da última reunião revelou divergências internas entre os formuladores de política sobre a trajetória futura da inflação, com parte do colegiado avaliando riscos de alta, enquanto outros apontam para a possibilidade de desaceleração.

Um fator adicional de incerteza é o efeito das novas tarifas comerciais impostas pelos EUA sobre produtos europeus, com alíquota de 15%. Segundo o BCE, essa instabilidade deve seguir como elemento estrutural nas projeções para a zona do euro nos próximos trimestres.

4. Petróleo recua, mas contratos caminham para ganho semanal

Os contratos futuros de petróleo operavam com leve queda nesta sexta-feira, embora acumulem valorização na semana. O movimento reflete dúvidas sobre a oferta da Rússia e o impacto da temporada de viagens nos Estados Unidos, que se encerra com o feriado do Dia do Trabalho na próxima segunda-feira.

No momento da redação, o Brent caía 0,37%, a US$ 67,73 por barril, enquanto o WTI recuava 0,38%, para US$ 64,36.

Na semana, os dois benchmarks avançam pouco menos de 1%, impulsionados por ataques ucranianos a instalações russas de exportação de petróleo, o que reacendeu preocupações sobre interrupções na oferta.

A ausência de avanços diplomáticos entre Putin e Zelensky também reforça a percepção de prolongamento do conflito, com impactos sobre o equilíbrio global de oferta e demanda.

Apesar disso, o Brent e o WTI ainda acumulam perdas mensais superiores a 6%, pressionados pelo aumento contínuo da produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

5. Brasil pode retaliar tarifas de Trump

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, autorizou o início do processo para aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta às tarifas de 50% impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros, segundo reportagem do Poder360.

A análise das medidas foi encaminhada à Câmara de Comércio Exterior (Camex), que terá 30 dias para decidir sobre possíveis contramedidas, o que poderá resultar na primeira aplicação prática da nova legislação.

O governo brasileiro avalia que a medida mantém aberto o canal de diálogo, mas também prepara ações em outras frentes, como uma contestação judicial nos EUA.

Lula tem reforçado o discurso de soberania nacional, mobilizando sua base e adotando nova estratégia de comunicação, enquanto o vice-presidente, Geraldo Alckmin, espera que a resposta brasileira incentive a negociação, a exemplo da experiência chinesa.

No calendário econômico de hoje, os investidores terão mais números do setor público e do mercado de trabalho para avaliar.

Últimos comentários

Instale nossos aplicativos
Divulgação de riscos: Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos nesse site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas nesse site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos nesse site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos nesse site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.
A versão em inglês deste acordo é a versão principal, a qual prevalece sempre que houver alguma discrepância entre a versão em inglês e a versão em português.
© 2007-2025 - Fusion Media Limited. Todos os direitos reservados.