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O primeiro calote da história dos EUA

Publicado 26.05.2023, 20:20
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O teto da dívida norte-americana é um limite imposto pelo congresso americano para impedir o tesouro de emitir dívidas além da sua capacidade de pagamento. Os treasuries são considerados os ativos com menor risco do mundo, são sinônimos de segurança e credibilidade pelo fato de que os EUA nunca deixou de cumprir com suas obrigações.

Observação: Caso você não conheça os treasuries americanos eu escrevi um artigo falando sobre renda fixa nos EUA (veja aqui).

O limite da dívida hoje gira em torno de 31 trilhões de dólares. Todas as vezes na história que esse limite foi atingido o congresso tomou providências para aumentar esse limite. Para você ter uma ideia, desde 1960, esse limite já foi reajustado 78 vezes, porém dessa vez é diferente. Nós temos uma disputa política em jogo entre os republicanos e os democratas.

Os treasuries são usados para “pagar as contas do governo” e ultimamente o governo americano está gastando muito, na verdade gastando mais do que arrecada, com o intuito de estimular a demanda agregada e retirar a economia de uma possível recessão e reduzir o risco da deflação. O Federal Reserve ajudou essa condição baixando as taxas de juros e imprimindo dólares, tudo com o intuito de estimular a economia. O problema é que mesmo com a reabertura dos mercados, com a saída da pandemia, o governo continua gastando muito, e essa espiral está afetando o PIB dos EUA que ultimamente está sendo inflado pelos gastos do governo e gastos dos consumidores no setor de serviços.

A verdade é que os gastos do governo já bateram o limite no começo do ano, inclusive a secretaria do tesouro já mandado duas carta para o congresso pedindo o aumento do teto, informando que é muito provável que o tesouro não consiga mais cumprir com todas as obrigações do governo se o congresso não agir para aumentar o limite da dívida até o começo de junho de 2023. Eles já estão utilizando o “treasury general account”, onde o saldo anterior era de pouco mais de 800 bilhões de dólares e agora chegou próximo aos 60 bilhões. 

E porque esse problema ainda não foi resolvido?

Os republicanos alegam que de nada adianta aumentar o teto da dívida se o governo Biden continuar gastando tanto, por isso eles pedem que o governo reduza as despesas para colocar a situação fiscal do país em melhores condições. Em contrapartida, os democratas dizem que não podem reduzir os gastos, pois a população precisa da ajuda dos investimentos do governo e que isso poderia desacelerar a economia norte-americana ao ponto de entrar em uma recessão. 

Devemos lembrar que no próximo ano temos eleição nos EUA, e Joe Biden não quer perder a reeleição. Por isso, eu acredito que esse problema é mais político do que econômico, porém, se a situação perdurar ele vai virar um problema econômico.

E como isso pode afetar você investidor?

Em 2011 aconteceu um episódio parecido quando o congresso demorou para aumentar o teto das dívidas e as agências classificadoras de risco rebaixaram a nota de crédito dos EUA. Nessa época os treasuries caíram próximos a -100bps, o S&P500 caiu em torno de -20%, o VIX explodiu em +122% e o índice dólar DXY disparou +4,5%, mostrando uma fuga do mercado acionário e busca por ativos de proteção.

Hoje o Fitch coloca rating “AAA” dos EUA em observação negativa, para possível rebaixamento, pelo motivo de temeridade com falta de acordo sobre o teto da dívida, onde os EUA pode ficar sem caixa para honrar compromissos a partir de 1 de junho, conforme já alertado por Janet Yellen.

Em resumo, hoje, o FED sofre um dilema em resolver a instabilidade de preços, inflação elevada, juros altos por um período de tempo maior e agora um sistema financeiro instável. Um calote criaria uma grande crise nos mercados globais e mais uma confirmação de entrada de recessão.

Detalhe, escrevo esse artigo enquanto o S&P500 sobe +1,20% e alcança os 4.200 pontos. Em 1999 tivemos a bolha “.COM”, agora em 2023 vivemos uma bolha “IA”?

A história não se repete, mas está rimando!

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