⌛ Perdeu a alta de 13% da ProPicks em maio? Assine agora e receba mais cedo as ações de Junho.Desbloquear ações

Mercado põe em dúvida corte de 0,5 ponto da Selic em maio e já vê redução de 0,25 em junho

Publicado 19.04.2024, 04:35
© Reuters.  Mercado põe em dúvida corte de 0,5 ponto da Selic em maio e já vê redução de 0,25 em junho
USD/BRL
-
BMGB4
-

O discurso do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, ontem, tornou majoritária no mercado a percepção de que aumentou o risco de o Copom não cumprir o forward guidance (orientação) na reunião de maio, embora os cenários oficiais ainda sejam em grande parte de um corte de 0,50 ponto porcentual na ocasião.

O mercado também dissolveu a divisão sobre qual será o comportamento do colegiado no encontro seguinte, em junho, e a expectativa por um corte de 0,25 ponto na reunião tornou-se quase unânime.

Ainda ontem, a ASA Investments revisou a projeção para maio, de um corte de 0,50 ponto para um de 0,25 ponto. A casa atribui a mudança a um cenário externo mais desafiador e à constatação pelo mercado da piora fiscal doméstica.

A economista-chefe da GAP Asset, Anna Reis, também alterou a estimativa para maio. "Houve uma piora do cenário que justificaria atropelar o guidance indicado na última ata", afirma Reis, que cita, entre os fatores da deterioração, o fortalecimento do dólar, a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem menos espaço para cortes e os eventos recentes na conjuntura fiscal doméstica.

"Campos Neto até mencionou que, se o cenário evoluísse melhor até o próximo Copom, em maio, o corte de 0,50 ponto poderia ser mantido, mas temos só três semanas até lá", pondera a economista. "Acho improvável uma melhora grande no que temos hoje."

Desde a última reunião do Copom, em 20 de março - quando o colegiado já havia alterado o forward guidance, devido ao aumento da incerteza -, o dólar se valorizou mais de 5% em relação ao real, saindo da faixa de R$ 4,97 para cerca de R$ 5,24. No mesmo período, o mercado adiou a expectativa de início do ciclo de cortes pelo Fed, de junho para setembro. Agora, o debate é sobre se o BC americano realmente poderá relaxar a política monetária este ano.

No front interno, o governo anunciou esta semana uma mudança das metas fiscais definidas pelo arcabouço. O alvo para 2025, de superávit primário de 0,5% do PIB, foi revisto para déficit zero, a mesma meta deste ano.

Para o economista sênior e sócio da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto, se a reunião fosse ainda nesta semana, dificilmente o Copom reduziria a Selic em 0,50 ponto, considerando, principalmente, a pressão sobre o câmbio. Até a data do encontro, no entanto, a expectativa ainda é de alguma acomodação no cenário, permitindo a manutenção do ritmo.

"Caso persista o mesmo ambiente até a reunião de maio, uma redução do ritmo de queda torna-se o mais provável", afirma. O cenário oficial da casa é de cortes de 0,25 ponto somente a partir de junho.

O tesoureiro do Paraná Banco Investimentos, Pedro Oliveira, concorda que aumentou a chance de redução do ritmo de cortes, mas avalia que o maior efeito não deve ocorrer na próxima reunião, e sim na taxa terminal da Selic. "Não deve ficar abaixo de 10%", afirma.

O cenário oficial do banco é de um corte de 0,50 ponto em maio, seguido por um de 0,25 ponto em junho. "Campos Neto somente refletiu a situação atual do País", diz Oliveira. "Mudar a meta fiscal tem consequências, e a primeira delas é termos juros mais altos por mais tempo."

O economista-chefe do Banco BMG (BVMF:BMGB4), Flávio Serrano, também avalia que o risco de um corte de 0,25 ponto em maio aumentou, mas, em contrapartida, não atrela esse movimento ao discurso do presidente do BC. Ele mantém a expectativa de um corte de 0,50 ponto em maio, mas recentemente diminuiu a projeção de junho para um corte de 0,25 ponto. O espaço para uma desaceleração no ritmo, afirma, foi aberto com a mudança do forward guidance em março, e reforçado pelos dados recentes de atividades e da inflação de serviços.

Já para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, o discurso de Campos Neto não chegou nem perto de sugerir uma mudança, por ora, no ritmo de cortes. "Há uma certa histeria do mercado", diz o analista, que também espera baixa de 0,50 ponto em maio e revisou recentemente a projeção para junho, para 0,25 ponto, diante do aumento das tensões - com o conflito no Oriente Médio - e do clima de incerteza. Ele frisa, porém, que o risco de uma antecipação da redução de ritmo não se acentuou.

"A taxa real de juros no Brasil ainda é muito elevada e a expectativa com relação à inflação continua bastante comportada", afirma. "O BC já estava olhando com muita ressalva em relação à decisão do Fed e na última reunião não tinha ocorrido o ataque do Irã, mas já havia um grau de incerteza em relação ao Oriente Médio."

Últimos comentários

Carregando o próximo artigo...
Instale nossos aplicativos
Divulgação de riscos: Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos nesse site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas nesse site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos nesse site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos nesse site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.
A versão em inglês deste acordo é a versão principal, a qual prevalece sempre que houver alguma discrepância entre a versão em inglês e a versão em português.
© 2007-2024 - Fusion Media Limited. Todos os direitos reservados.