Por Luciano Costa
SÃO PAULO (Reuters) - Um grupo de seis investidores brasileiros e estrangeiros se juntou para pedir o adiamento da data de entrada em operação de seus empreendimentos de energia solar que venderam antecipadamente a produção em um leilão realizado em 2014, apontam documentos aos quais a Reuters teve acesso.
As companhias, que incluem nomes como Canadian Solar, Grupo Cobra, Fotowatio e Renova Energia (SA:RNEW11), representam 690 megawatts em capacidade instalada, ou 77,5 por cento do total viabilizado no certame, que foi o primeiro dedicado a contratar usinas fotovoltaicas em escala comercial no Brasil.
O pleito, apresentado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é de um adiamento por dois anos na data de entrada em operação e consequente elevação em dois anos no prazo de concessão dos empreendimentos.
O pedido confirma reportagem da Reuters do final de março, quando especialistas adiantaram que havia intenção de investidores em postergar os empreendimentos ou mexer nos contratos.
As empresas alegam que houve uma explosão no custo do dólar ante o real, ao mesmo tempo em que não se desenvolveu uma cadeia produtiva local de placas solares, o que dificulta a aquisição de equipamentos para os projetos a custos viáveis.
O leilão solar, em outubro de 2014, teve forte competição e fechou contratos com 31 usinas com quase 900 megawatts em capacidade instalada. Os projetos, com investimentos estimados em 7 bilhões de reais, têm entrega de energia agendada para 2017.
"A manutenção dos programas de investimento em consonância com os cronogramas de implantação e início do suprimento... torna-os praticamente inviáveis, diante dos altíssimos custos a que teriam de se sujeitar", afirmaram as empresas em uma primeira carta, de fevereiro. Em março, a Renova juntou-se ao grupo, com o envio de uma segunda correspondência ao regulador.
O grupo de investidores alega que houve "drástica mudança do cenário macroeconômico global e do cenário político brasileiro ao longo do ano de 2015, com reflexos diretos à viabilidade de impantação e sustentabilidade dos projetos".
A única empresa vencedora do certame que não consta do pleito é a italiana Enel (MI:ENEI) Green Power, que inclusive já iniciou a implementação de usinas na Bahia.
"O projeto solar... está atualmente em construção, em linha com o cronograma... o projeto será financiado através de fontes próprias do Grupo Enel Green Power", disse à companhia em nota à Reuters.
Procurados, Canadian Solar, Grupo Cobra e Fotowatio não responderam imediatamente. A Renova Energia disse que não iria se pronunciar sobre o assunto no momento.
Após o leilão de 2014, o governo realizou mais uma licitação voltada à energia solar no ano passado.
Outro certame para contratação de usinas solares está agendado para julho, com o objetivo de contratar usinas para iniciar a geração em 2018.
Ao final de março, representante do BNDES afirmou à Reuters que o Brasil deve atrair até o final deste ano três empresas interessadas em montar localmente painéis para a geração de energia solar fotovoltaica, com dois investidores chineses e uma grande empresa brasileira, como forma de expandir a cadeia nacional de fornecedores.
Além dessas empresas, existem cinco fabricantes de painéis solares credenciados para vender equipamentos financiados pelo BNDES, mas são todas empresas nacionais, voltadas principalmente a fornecer sistemas de pequeno porte, como placas solares para instalação em telhados de residências ou comércio.