BEIRUTE (Reuters) - O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse neste domingo que seu governo não negociará a constituição do país com a oposição apoiada pela Turquia, criticando um processo de paz da ONU que pretende reescrever os termos constitucionais.
Um congresso convocado no ano passado pela Rússia, principal aliada de Assad, encarregou o enviado da ONU para a Síria de formar uma comissão para redigir uma nova constituição, depois que muitas rodadas de negociações para acabar com a guerra fracassaram.
O processo, estagnado, poderia eventualmente levar a novas eleições.
"A constituição é o destino do país e, como resultado, não está sujeita a nenhuma barganha, que poderia ter um preço maior do que a própria guerra", disse Assad em discurso na televisão.
Assad acrescentou que o papel da ONU é bem-vindo desde que respeite a soberania do Estado. Ele descreveu funcionários da oposição escolhidos para o comitê constitucional como "agentes" da Turquia, que apóia facções rebeldes anti-Assad no noroeste da Síria.
As conversas nas Nações Unidas para acabar com o conflito de oito anos na Síria nunca levaram a reuniões diretas entre os dois lados em conflito. Com a ajuda da Rússia e do Irã, as forças governamentais retomaram a maior parte do país dos rebeldes e dos militantes do Estado Islâmico.
(Por Ellen Francis; reportagem adicional de Omar Fahmy no Cairo)