XANGAI (Reuters) - Os governos dos mercados emergentes deveriam ter maior influência na regulamentação das moedas digitais que podem facilitar os fluxos ilegais de capital e atrapalhar o gerenciamento de divisas, disse nesta segunda-feira um importante funcionário do órgão regulador de câmbio da China.
A China sinalizou que está adotando ativamente a tecnologia financeira, como a blockchain, enquanto se prepara para lançar sua própria moeda digital para afastar ameaças de moedas digitais estrangeiras, como a libra, do Facebook.
"A tecnologia financeira pode promover a abertura, a inovação e o desenvolvimento do mercado financeiro de um país", disse Sun Tianqi, da Administração Estatal de Câmbio da China, em um fórum financeiro em Xangai.
"Mas também pode trazer muitas atividades financeiras ilegais internacionais. Isso deve ser motivo de grande preocupação para todos os países, especialmente para os mercados emergentes."
Os comentários de Sun ressaltam o antagonismo de Pequim em relação à libra, à medida que os reguladores globais discutem sobre como lidar com os planos da plataforma de lançar sua própria criptomoeda.
Os governos dos mercados emergentes, particularmente aqueles que impõem controles de capital, como a China, precisam estar cientes das implicações da libra sobre tais restrições, acrescentou.
Para a China, uma moeda digital como a libra deve cumprir rigorosamente os regulamentos cambiais e não deve substituir o iuan em transações domésticas, ou "deve ser banida", afirmou Sun.
Na semana passada, o presidente chinês Xi Jinping também disse que a China deve acelerar o desenvolvimento da tecnologia blockchain.
A China está intensificando a repressão aos fluxos ilegais de capital facilitados pela tecnologia financeira, tendo fechado mais de 2 mil plataformas de câmbio, além de inúmeros sistemas internacionais de futuros, valores mobiliários e commodities, disse Sun.