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Copom deve abrir possibilidade para desaceleração na alta de juros, diz economista-chefe do Bradesco

Dados Econômicos28.01.2022 08:40
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© Reuters.

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - Após mais de dez meses do início do ciclo de alta de juros no Brasil, chegou a hora de o Banco Central (BC) conceder a si mesmo flexibilidade para reduzir o ritmo do aperto monetário, disse o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne na semana que vem e já em dezembro anunciou intenção de elevar a taxa básica de juros do país, a Selic, em 1,5 ponto percentual --magnitude em curso desde outubro. O encontro seguinte está agendado para março.

"Imagino que o BC escreva um comunicado com flexibilidade suficiente para replicar a alta de 150 pontos-base em março ou fazer menos se as condições assim permitirem", disse Honorato em entrevista à Reuters na última terça-feira.

"Começou a chegar a hora de o BC se dar flexibilidade para poder fazer menos ou igual".

Segundo o economista, considerando um cenário em que a inflação siga em linha com a leitura do BC, duas discussões podem ser inseridas ou destacadas publicamente pela autoridade para justificar uma redução no ritmo de elevação do juro: a defasagem e a potência da política monetária.

"Uma hora, (o BC) vai ter que olhar para o quadro todo e esperar um pouco os efeitos. Eu sei que é angustiante para o BC ver as expectativas crescendo, a inflação corrente não dando trégua, mas é aquela coisa... A política monetária atua com defasagem."

O BC começou a cortar a Selic em julho de 2019 e acelerou a redução após o estouro da pandemia, já em 2020, levando o juro a uma mínima nominal histórica de 2% em agosto daquele ano.

Mas a partir de março de 2021 a taxa voltou a ser elevada, de forma ininterrupta e em ritmo crescente, conforme os dados correntes e as expectativas de inflação pioravam. Hoje, está a 9,25% ao ano, e a perspectiva é de que chegue a 10,75% na próxima quarta-feira, que seria o maior nível desde maio de 2017.

Já sobre a potência das altas dos juros, Honorato afirmou que é a primeira vez que o país vai sentir "o efeito de um aperto monetário sob um novo regime de redução de crédito direcionado", mencionando que as taxas de juros cobradas por bancos públicos no passado eram resultado de mais subsídio.

Em 2017, com o governo ainda sob comando de Michel Temer, foi anunciada a criação da TLP, Taxa de Longo Prazo, para gradualmente substituir a TJLP, Taxa de Juros de Longo Prazo, como referência nos contratos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

Um dos objetivos era deixar a política monetária mais efetiva, com uma taxa mais alinhada ao mercado, já que durante décadas a TJLP ficou abaixo da taxa de empréstimo de referência do país. O último ciclo de alta de juros antes de 2021 havia sido encerrado em 2015.

O Bradesco (SA:BBDC4) vê a Selic alcançando 11,75% em março, mas Honorato previu que a taxa pode chegar a 12,25% entre março e maio, a depender das condições econômicas, e deve voltar a cair após a eleição presidencial, marcada para outubro.

O banco privado deve divulgar nova revisão de cenário econômico para o Brasil nas próximas semanas.

PEC DOS COMBUSTÍVEIS

Para o economista, a discussão sobre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir os tributos federais PIS-Cofins que incidem sobre os combustíveis preocupa mais no âmbito fiscal do que a pressão de servidores por reajustes salariais.

"Acho (a PEC) muito mais grave do ponto de vista fiscal, porque vai estar burlando a instituição fiscal", disse.

O presidente Jair Bolsonaro confirmou que está negociando com o Congresso uma PEC nesse âmbito. Entre os poucos detalhes divulgados até o momento está a possibilidade de inclusão de impostos estaduais no projeto.

Segundo Honorato, renunciar a bilhões de reais em arrecadação para baixar o preço de combustíveis seria contornar a responsabilidade fiscal alegando manutenção do teto. "Abrir mão de receita sem compensar é enfraquecer o fiscal", disse ele, mencionando patamares elevados de endividamento do país.

Quanto à pressão de servidores por reajustes, ele disse que "qualquer solução fora do teto seria horrível, mas eu não estou considerando essa hipótese, por isso estou dando um certo 'downplay' (minimizando)".

Bolsonaro sancionou o Orçamento de 2022 com 1,7 bilhão de reais reservados para reajustes salariais prometidos por ele a policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários. A autorização da verba deflagrou uma onda de protestos em outras categorias do serviço público, e o governo recentemente tem argumentado que o martelo não foi batido sobre a execução do reajuste.

(Edição de José de Castro)

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Comentários (11)
Jaroo Clima
Jaroo Clima 29.01.2022 18:52
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Com relação ao preço dos combustíveis e inflação não existe nada a fazer que não seja a drástica redução do dólar... querer fugir dessa realidade é o mesmo que querer tampar buracos com água... ja ouvi dizer que até mesmo na calçada de Wall Street, existe comentário silenciosos e sarcásticos, de que o dólar alto no Brasil que de certa forma e momentaneamente atendeu anseios da pasta da economia, é o mesmo que elevou acentuadamente a inflação e que causou outros distúrbios que em futuro próximo, poderá comprometer a situação econômica do país... se verdadeiro ou não o comentário não posso afirmar que seja... mas quem falou é do mercado, é sério, não se envolve com política e não mente...
altair sfdsf
altair sfdsf 28.01.2022 14:17
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Vai desacelerar a alta dos juros, só que a inflação continua subindo, veja o igpm de janeiro 2021 e agora estão iguais, vai vir mais pressão inflacionaria com a alta das comodities. Essa selic tinha que estar em 15% , mas preferem juro negativo.
Celso Santos
Celso Santos 28.01.2022 12:50
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Quando economista, analista etc Banco opinar: favor DESCONSIDERAR. É o que o banco quer, não o que o Banco Central deve fazer, porque a atividade dessa autarquia federal é PÚBLICA, que visa atender o interesse da SOCIEDADE ( Público) e não de bancos privados ou demais instituições financeiras. Muito óbvio o comentário dele. Queria que fosse o contrário?😴
Alexandre Santos
Alexandre Santos 28.01.2022 12:25
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Alta no IGP-M sinaliza queda na Selic? O estagiário está precisando voltar para a escola...
OLMAR CARDOSO
OLMAR CARDOSO 28.01.2022 12:18
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Para o desespero dos esquerdistas a b3 comecou a buscar a correção, que vai deixar claro o sucesso da política econômica do Bolsonaro. Quem apostar contra o Brasil vai perder.
JulianaKatz Lang
JulianaKatz Lang 28.01.2022 12:18
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Avise o Jegues e a offshore. kkkkkk
JulianaKatz Lang
JulianaKatz Lang 28.01.2022 12:18
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aí aí esse Jegues esquerdista....kkkk
Joaquim Jr
Joaquim Jr 28.01.2022 10:50
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Quem esse autor pensa que é pra ficar achando......notícia tendenciosa demais
JulianaKatz Lang
JulianaKatz Lang 28.01.2022 10:50
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E quem é Joaquim além de ser irmão do Manoel? kkkkkkkk
Mant Neuman
BombeirAristides 28.01.2022 10:37
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O estagiário do jegues esta perdido. No dia que a inflação dispara manda esta noticia. Eternamente correndo atrás do r@bo, como tudo neste desgoverno. A obcessão pela roubalheira e pela reeleição esta deixando a economia para depois.
Mant Neuman
BombeirAristides 28.01.2022 10:34
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O Desgoverno está perdido. No dia que o IGPM dispara manda está notícia.
Hebert Guerra
Hebert Guerra 28.01.2022 10:34
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Na verdade o IGPM de janeiro subiu em relação ao mês anterior, o que é perfeitamente normal visto que é no mês de janeiro que boa parte dos preços de sérvios e produtos são reajustados. Mas se olharmos em relação ao mesmo período do ano passado, o IGPM teve uma redução significativa, inclusive o indicador veio abaixo das expectativas de mercado. Desde o segundo semestres de 2021 que o IGPM vem reduzindo. Se formos analisar o IGPM médio dos últimos 7 meses e formos projetá-lo para os próximos 12 meses, teremos uma inflação próxima de 7,5%.
Douglas Gonçalves
Douglas Gonçalves 28.01.2022 10:28
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o Itaú pegou a carteira do BB dos aposentados do estado então aumentou sua clientela sendo assim vai ter bons resultados
Douglas Gonçalves
Douglas Gonçalves 28.01.2022 10:27
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então vamos apostar ações nos bancos estrangeiros adoram juros altos
 
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