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Dólar cai após dados de serviços nos EUA e fala de Powell reduzirem pressão nos Treasuries

Publicado 03.04.2024, 17:08
Atualizado 03.04.2024, 17:20
© Reuters. Notas de dólar
20/03/2019
REUTERS/Mohamed Abd El Ghany.

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista fechou a quarta-feira em queda ante o real, após dados do setor de serviços norte-americano e declarações do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, reduzirem a pressão sobre o mercado de Treasuries, tirando força da moeda norte-americana também no exterior.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 5,0418 reais na venda, em baixa de 0,34%.

Às 17h10, na B3 (BVMF:B3SA3) o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,57%, a 5,0535 reais na venda.

Pela manhã, o dólar demonstrava força ante o real e em relação a boa parte das demais divisas no exterior, em movimento que acompanhava a alta dos rendimentos dos Treasuries.

Por trás disso estava a percepção, reforçada por alguns dados desta quarta-feira, de que o Fed poderá adiar para julho ou para depois disso o início do processo de cortes de juros.

No início da sessão, números do relatório da ADP mostraram que foram abertas 184.000 vagas de emprego no setor privado dos EUA no mês passado, após 155.000 vagas em fevereiro, em dado revisado. Economistas consultados pela Reuters previam criação de 148.000 vagas no mês passado.

Em sintonia com a alta dos yields e do dólar no exterior, a moeda norte-americana à vista atingiu a cotação máxima de 5,0929 reais (+0,67%) às 10h56.

O cenário começou a mudar às 11h, quando saíram os números do setor de serviços norte-americano do Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM, na sigla em inglês). O Índice de Gerentes de Compras (PMI) não manufatureiro do ISM caiu de 52,6 em fevereiro para 51,4 em março, no segundo declínio mensal consecutivo do indicador.

Economistas consultados pela Reuters previam que o índice subiria para 52,7 em março. Uma leitura acima de 50 indica expansão do setor de serviços, que responde por mais de dois terços da economia dos EUA, mas os resultados indicam que houve desaceleração do crescimento de fevereiro para março.

Imediatamente após os números do ISM os yields perderam força nos EUA, o que também pesou sobre as cotações do dólar ante as demais moedas, incluindo o real.

Durante a tarde, a pressão baixista sobre o dólar continuou em meio a declarações de Powell. Em um evento universitário, ele demonstrou cautela em relação ao futuro da política monetária dos EUA. Além disso, pontuou que há riscos de se cortar os juros muito cedo, mas também de se esperar demais. Powell afirmou ainda que a política monetária está apertada e funcionando e que o mercado de trabalho está se reequilibrando.

“Na prática, Powell ainda sinaliza com a perspectiva de corte de juros em junho. Ele não descartou três cortes este ano, o que fez o dólar acelerar a queda depois do almoço”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Na mínima da sessão, às 14h09, o dólar à vista foi cotado a 5,0358 reais (-0,46%).

Pela manhã, o mercado monitorou ainda as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante evento em São Paulo. Além de tratar da política monetária, ele afirmou que a intervenção cambial feita pela autoridade monetária nesta semana “não teve nada a ver” com o movimento do câmbio, que é flutuante.

© Reuters. Notas de dólar
20/03/2019
REUTERS/Mohamed Abd El Ghany.

"A nossa intervenção não teve nada a ver com o movimento do câmbio, a gente sempre diz que o câmbio é flutuante, é importante ser flutuante porque funciona como um elemento que absorve choques e redistribui os recursos de forma mais eficiente, mas a gente tinha uma NTN-A que ia vencer que achávamos que era grande e poderia ter alguma disfunção no dia", afirmou.

Na terça-feira, o BC realizou um leilão extra de 20.000 contratos de swap cambial tradicional, no valor de 1 bilhão de dólares. A oferta extra de swaps, cujo efeito é equivalente à venda de dólares no mercado futuro, tinha como objetivo atender a demanda gerada pelo resgate do título NTN-A3, atrelado ao câmbio, previsto para 15 de abril.

Às 17h10, o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,48%, a 104,270.

Últimos comentários

culpa dupt
EUA não irão baixar suas taxas pois precisam com urgência de financiamentos (através da compra de títulos) para pagarem as dívidas velhas com as dívidas novas ( crescentes, através da oferta de novos títulos). Este país está, DE FATO, quebrado. A única pergunta que remanescente agora é saber o tempo em que isso será tornado público ( provavelmente quando sua dívida beirar os 45 trilhões, daqui alguns anos). Se baixarem os juros, eles deixarão de ser positivos para se tornarem nulos ou negativos e ninguém em sã consciência compra dívida cuja rentabilidade seja nula ou, pior, negativa ( isto é, a inflação do período será maior que a rentabilidade oferecida. Isso quer dizer que vc receberá seu dinheiro com perda inflacionária). FED sabe disso, mas a propaganda do Mercado não quer dizer à população, porque precisa do movimento especulativo de compra de títulos PODRES, assim como o dólar é hoje uma moeda PODRE. Sua fidúcia no mundo está caminhando a passos largos à decadência e ostracismo.
países bancos e fundos de pensão já perceberam que está alto o risco de emprestar aos americanos, e vem diminuindo o financiamento, mas no varejo EUA ainda está conseguindo financiar sua dívida, mas NÃO Vão QUEBRAR. No máximo emitem mais moedas, o dólar perde um pouco de valor e vida que segue. Fora isso as taxas deles estão em 5,25% com rentabilidade real, de aproximadamente 3%, portanto não são, nem teriam como ser nulas. Curiosamente seu conceito está correto, as contas nem de longe batem.
Estuda, Ulisses
Powell quis dizer: antes de Julho nada feito. O PMI caiu de 52,5 para 51,5 mas ainda acelerando (a acelerar) - acima de 50. Mas quais os reais reflexos no BR?
a
b
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