Após tarifas de Trump ao Brasil, small cap na B3 subiu mesmo com mercado negativo

Publicado 11.07.2025, 09:41
© Reuters

Investing.com – As tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, às exportações brasileiras à maior economia do mundo acionaram na quinta-feira (10) o sentimento de aversão a risco no mercado brasileiro. O Ibovespa recuou, o dólar subiu e a curva de juros ficou pressionada.

O pessimismo acabou não contaminando as ações de uma empresa industrial presente no índice Small Cap (SMLL). É, a princípio, um contrassenso com a avaliação geral de que a penalização das tarifas de Trump será maior sobre produtos industriais, que têm peso relevante nas exportações brasileiras aos EUA – e sem possibilidade, na maioria dos casos de busca rápida de diversificação de mercado no curto prazo.

A ação da Tupy (BVMF:TUPY3) fechou em alta o pregão de ontem, mesmo diante do caos. O desempenho destoante da fabricante de autopeças foi baseado em fundamentos mais resilientes no papel em relação a outras exportadoras penalizadas. Para ter um efeito de comparação, as ações das empresas mais penalizadas com a medida de Trump tiveram perdas: Embraer (BVMF:EMBR3) caiu 3,7%, Weg (BVMF:WEGE3) recuou 0,52% e Suzano (BVMF:SUZB3) teve baixa de 0,3%.

Perguntamos ao WarrenAI, consultor de investimentos de inteligência artificial (IA) do InvestingPro, quais foram os fundamentos que tornaram a ação da Tupy como uma das poucas estrelas na B3 na sessão de ontem.

O papel surfou expectativas positivas criadas por contratos recentes e sinais de que pode superar desafios setoriais, segundo nosso consultor de IA. A empresa industrial brasileira anunciou em 4 de junho um contrato robusto com uma grande montadora para fornecer blocos CGI para o segmento de veículos pesados nos EUA.

O potencial de receita é de R$ 200 milhões anuais de receita quando maturado, com fornecimento a partir de 2027. Segundo a Tupy, esse tipo de contrato costuma ter um ciclo longo de vida, superior a 10 anos.

Se as tarifas vão encarecer as exportações brasileiras aos EUA, como Tupy saiu como vencedora? A produção dos blocos acordados no contrato será realizada na planta da Tupy em Ramos Arizpe, no México, origem de metade das exportações da Tupy à maior economia do mundo. Segundo relatório do Bradesco BBI, apenas cerca de 13% da receita da empresa vem de exportações diretas do Brasil para os EUA.

Vale lembrar que o México está com uma tarifa vigente de 25% para exportações aos EUA, mas o acordo comercial (USMCA, antigo Nafta) com EUA está sob revisão, com possibilidade de que as vendas de autopeças produzidas no México tenha isenção caso, na demanda de Trump, haja déficit no fluxo comercial do setor entre os dois países.

Outro ponto favorável foi a alta do dólar, que encerrou o dia cotado a R$ 5,54. Com mais de 60% de sua receita atrelada a moedas fortes, a desvalorização do real impulsiona as margens e o faturamento em reais da Tupy.

Os analistas destacaram também que a ação vinha negociando com múltiplos descontados e que a empresa ainda possui um programa de recompra em andamento, o que tende a oferecer suporte adicional às cotações em momentos de volatilidade.

Apesar da pressão inicial no pregão, ordens de compra institucionais ganharam força ao longo do dia, especialmente após a circulação de relatórios que destacavam a baixa exposição da Tupy ao tarifaço. Investidores também aproveitaram o movimento para zerar posições vendidas, contribuindo para a valorização dos papéis.

Na avaliação do WarrenAI, a alta de ontem dos papéis da Tupy reflete uma combinação de desconto já embutido, narrativa de turnaround via contratos estratégicos e uma dose de aposta dos investidores na resiliência operacional — mesmo diante de tarifas pesadas. O risco segue elevado, mas a assimetria de preço e as perspectivas de novos motores de receita deram fôlego ao papel.

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