Investing.com - Se o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) amenizou a queda do Ibovespa ontem após a prisão do ex-presidente Michel Temer - ao afirmar que a prisão não influenciaria na pauta do Congresso -, hoje ele é um dos fatores para a baixa de 2,09% a 94707,11 pontos às 11:58 na bolsa paulista, com um volume negociado em R$ 6,15 bilhões. Maia ameaça deixar a articulação da reforma da Previdência no Congresso após se irritar com post com críticas a ele de Carlos Bolsonaro. A reação também se reflete no par dólar/real, com a moeda americana se valorizando 2,54% a R$ 3,8884.
Maia não gostou do compartilhamento de Carlos à resposta do ministro da Justiça, Sergio Moro, à sua decisão de não dar prioridade agora ao projeto de combate ao crime organizado e à corrupção na Câmara. O deputado carioca manifestou seu descontentamento ao ministro da Economia Paulo Guedes em uma ligação presenciada por líderes dos partidos do Centrão, afirmando que “se é para ser atacado por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de ajuda”.
A irritação de Maia se soma ao exterior preocupado com a desaceleração do crescimento da economia global, corroborada nesta sexta-feira com a divulgação de indicadores fracos para a atividade industrial e de serviços na Zona do Euro e o dado de atividade industrial nos EUA.
Além disso, a fraca economia líquida fiscal com a reestruturação das carreiras e a reforma da Previdência dos militares também influenciam na desvalorização dos ativos brasileiros no Ibovespa. Assim como a perspectiva negativa em relação à tramitação da reforma da Previdência após a prisão de Temer, que pode colocar uma pausa nas negociações sobre a reforma e encarecer o apoio do MDB à pauta.
DESTAQUE
- CCR (SA:CCRO3) perdia 4,3 por cento, figurando entre as principais quedas do Ibovespa, após divulgação do balanço do quarto trimestre, com prejuízo líquido de 307,1 milhões de reais em razão de despesas não recorrentes atreladas ao acordo de leniência.
- CYRELA recuava 4,01 por cento, sucumbindo ao movimento generalizado de embolso de lucros na bolsa paulista, apesar de números positivos no balanço trimestral divulgado pela companhia. A construtora teve lucro líquido de 116 milhões de reais no quarto trimestre, superando em 138,1 por cento o desempenho apurado um ano antes.
- PETROBRAS PN (SA:PETR4) tinha queda de 2,66 por cento, e PETROBRAS ON (SA:PETR3) recuava 2,45 por cento, tendo no radar notícia de que a estatal executou estratégia de hedge para proteger parte de sua produção de petróleo prevista para 2019, comprando opções de venda ("put") do Brent com preço de exercício ao nível de 60 dólares o barril.
- ITAÚ UNIBANCO PN (SA:ITUB4) caía 2,02 por cento, enquanto BRADESCO PN (SA:BBDC4) declinava 2,57 por cento, contribuindo para o viés negativo do Ibovespa, dado o peso dos papeis em sua composição.
- LOJAS AMERICANAS cedia 5,04 por cento e a controlada de comércio eletrônico B2W (SA:BTOW3) caía 5,37 por cento, entre os destaques negativos do Ibovespa, ainda ecoando os resultados trimestrais mais fracos.
*Com Reuters