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CHARGE: Europa aprende a começar a se preocupar enquanto Putin aumenta a pressão

Gerais19.01.2022 11:45
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© Investing.com

Por Geoffrey Smith

Investing.com -- A Rússia está à beira de invadir um vizinho europeu pela terceira vez em 14 anos. Mas ao contrário das duas últimas vezes, esta pode ter um impacto econômico real. Em agosto de 2008, a invasão da Geórgia pela Rússia não teve praticamente nenhum impacto para a economia global. Os preços do petróleo estavam colapsando com rapidez, mas o mundo estava muito mais preocupado com o colapso do sistema financeiro dos EUA.

Em fevereiro de 2014, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, anexando a península da Crimeia e estabelecendo dois estados fantoches no leste do país, o Ocidente se preocupou o suficiente para impor algumas sanções, mas nem de longe o bastante para aumentar a pressão.

Naquela ocasião, como agora, os riscos de se aplicar uma punição adequada à agressão mais clara na Europa desde a 2ª Guerra Mundial eram graves o suficiente para inibir uma resposta convincente. As ameaças de cortar os bancos russos do sistema internacional de pagamentos SWIFT foram rapidamente descartadas quando os EUA perceberam que isso poderia acelerar o fim do predomínio do dólar nos mercados financeiros globais. Além disso, não passava na cabeça de uma União Europeia ainda enfrentando as consequências de uma crise da dívida soberana punir a classe governante russa vendendo-lhe menos bebidas alcoólicas, carros e artigos de luxo.

A vulnerabilidade econômica da Europa está novamente no centro do problema hoje. Só que, desta vez, é mais grave: a menos que o continente consiga recorrer rapidamente a fornecimentos extras de gás natural russo, a imposição de racionamento até o fim do inverno é quase certa. Como o abastecimento das famílias será priorizado em tais circunstâncias, os usuários industriais de energia que serão forçados a suspender as atividades - como foram, com efeito, pelo aumento de quatro vezes dos preços do mercado à vista no ano passado, quando a crise atual começou a se desdobrar.

Tudo isto só é possível porque as instalações de armazenamento de gás da Europa estão no seu menor nível histórico para esta época do inverno do hemisfério norte, com apenas 46,8% de capacidade, segundo dados da Gas Infrastructure Europe, uma entidade de classe. Normalmente, o consumo sazonal normal demora até meados ou final de fevereiro para atingir esse nível.

CONFIRA: Preços das commodities

A Rússia está retendo o máximo de gás possível dos seus clientes europeus até que a Alemanha dê a sua aprovação final ao gasoduto Nord Stream 2. Essa nova ligação que poderia liberar, rápida e facilmente, o aperto nos mercados europeus de gás, que catapultou os futuros de curto prazo mais de quatro vezes mais no ano passado.

No entanto, o novo governo da Alemanha - e especialmente a sua Ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock - está menos presa à indústria alemã do que qualquer outro ministro anterior do governo Angela Merkel. E embora a própria Baerbock tenha dito numa coletiva de imprensa que o gás russo será necessário durante anos enquanto a Alemanha realiza a transição para uma matriz energética mais limpa, muitos dos seus colegas do Partido Verde não querem que o gasoduto seja comissionado. Para eles, os preços de energia mais altos são uma ferramenta valiosa para forçar os compradores de combustíveis fósseis a carregarem os custos das mudanças climáticas que, até agora, foram custeados pelas seguradoras e pelos contribuintes.

Após o impacto sobre a produção industrial, haverá uma rodada de efeitos secundários, tanto nas despesas dos consumidores como nos balanços corporativos. Governos de toda a Europa já estão se assustando com o enorme aumento das contas de luz das famílias, que estão na linha da frente. Durante o fim de semana, o presidente francês ordenou à Électricité de France que vendesse uma maior parcela da sua energia com um desconto considerável. As ações da EDF (PA:EDF) caíram mais de 23%, a sua maior queda em um único dia da história. No Reino Unido, a suspensão de um teto de preços para a energia em abril ameaça acabar com o apoio popular existente para o governo de Boris Johnson entre os eleitores de renda mais baixa que o colocaram no poder.

Na Itália, que importa quase toda a sua energia fóssil, o governo de Mario Draghi já gastou cerca de € 8 bilhões em subsídios aos custos de energia das famílias desde julho, e planeja agora impôr impostos mais elevados às empresas de energia. O déficit orçamentário do país ainda pode aumentar mais € 30 bilhões com as tentativas do país de suavizar os impactos, segundo Matteo Salvini, líder do Lega, partido de direita.

O governo socialista da Espanha também está planejando reposições dos setores de energia e serviços públicos, mas o risco em toda a zona do euro é que uma desaceleração do crescimento e um aumento acentuado dos subsídios de energia abram um novo rombo nas finanças públicas. Um ano atrás, ninguém teria se preocupado com isso, porque o Banco Central Europeu estava disposto a comprar toda a dívida líquida emitida pelos estados da zona do euro. Mas hoje, com a inflação a uma máxima histórica de mais de 5%, essa possibilidade parece mais incerta.

O BCE afirmou que provavelmente começará a reduzir as suas compras de títulos a partir de abril e que aumentos das taxas de juro não devem ser necessários este ano. Mas os mercados de títulos já estão apostando que - assim como o Federal Reserve - o BCE será forçado a apertar a política monetária com maior rapidez do que espera, a fim de controlar a inflação.

Isso prepara o cenário para um debate barulhento em Frankfurt durante os próximos meses, que originará ondas de choque através dos mercados de títulos, crédito e ações. Todos aqueles que, assim como o Dr. Fantástico, aprenderam a parar de se preocupar nos últimos dois anos – tal como o próprio grande cientista – podem vir a descobrir que estavam enganados em fazê-lo.

VEJA TAMBÉM: Charges do Investing.com

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Comentários (11)
EWERTON MARCUZZO
EWERTON MARCUZZO 19.01.2022 21:03
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O "amigo americano" esculhambou os negócios da Alemanha e por tabela levou a Europa de arrasto. E querem culpar a Rússia!!
Geraldo R Silva
LeoMoreira 19.01.2022 21:03
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Geraldo R Silva
LeoMoreira 19.01.2022 19:12
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Na guerra do Iraque o numero de mortes pode chegar a 600mil. Eh isto que o americano esta querendo provocar... so que quem esta na linha de frente eh o trouxa do europeu.
Geraldo R Silva
LeoMoreira 19.01.2022 19:09
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O americano que foi responsavel pelas maiores guerras apos a 2a grande guerra, matando milhares de seres humanos no Vietnam, na Coreia e recentemente baseado numa mentira em que alguem deveria sim ser julgado por crime de guerra esta la na Europa incitando os europeis a criarem um clima tenso entre eles e a Russia. Com certeza fruto do fornecimento de gas da Russia para a Europa e o tal gasoduto Norstream 2 e de uma avidez dos EUA de serem os subsitutos deste fornecimento via navios tanques... que vai sair muito mais caro.
Mateus Correa
Mateus Correa 19.01.2022 15:34
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nego fica metendo o bico onde não é chamado. Deixa que eles se entendem
Gabriel Papi
Gabriel Papi 19.01.2022 14:21
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Quem é que não sabe que são os americanos e ingleses que adoram provocar guerras nessas regiões e depois pagar de louco?
Renan Felix
Renan Felix 19.01.2022 14:21
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é a russ1a que vai atacar b4rr0
Dom Luiz
Dom Luiz 19.01.2022 13:49
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Ninguém é louco de criar uma guerra contra rússia no meio para o final de uma pandemia. Seria suicidio.
César Ferreira
César Ferreira 19.01.2022 13:49
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Mas se a Rússia invadir a Ucrânia é enevitavel um conflito. A Rússia que não é louca de arrumar um problema desse
João Paulo
João Paulo 19.01.2022 12:34
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70 anos atrás os EUA não permitiram que a URSS colocasse mísseis em Cuba. É a mesma questão!
Felipe Johansen
Felipe Johansen 19.01.2022 12:34
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mas agora é no quintal da casa deles, ali ninguém encara. obs. quem tomou a Alemanha na segunda guerra foi a união soviética e não os EUA como mostram os filmes de Hollywood
César Ferreira
César Ferreira 19.01.2022 12:34
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a Alemanha só foi invadida pelos russos pq os americanos enfraqueceram as posições alemãs, vc n entende nada..se n fosse os EUA os alemães tinham tomado conta da Rússia e Europa.
Mors omnia
Mors omnia 19.01.2022 12:34
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César Ferreira  Praticamente todo conteúdo produzido acerca desse fato diz o contrário. Sua posição nesse sentido e quase nula ou minoritária. Eu pelo menos nunca li isso que vc disse.
João Paulo
João Paulo 19.01.2022 12:30
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O Nord Stream 2 vai garantir amplo suporte de gás às indústrias alemãs, favorecendo uma relação de cooperação econômica que beneficia Europa e Rússia. Quem está melando tudo? EUA!
João Paulo
João Paulo 19.01.2022 12:28
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Ou seja, a OTAN quer instalar mísseis na Ucrânia, como forma tensionar ainda mais as relações entre Europa e Rússia, e assim obedecer os interesses dos EUA que temem a progressiva integração das infraestruturas na Eurásia. Daí a imprensa colonizada daqui fala que o malvadão é o Putin. O problema disso tudo são os EUA, só não vê quem nao quer.
José Artur Medina
José Artur Medina 19.01.2022 12:28
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Lavagem cerebral meu caro. Basicamente você acha normal que a Rússia determine as alianças militares de um país vizinho independente. Por sua lógica poderíamos invadir ou ameaçar a Venezuela pelo fato dela aproximar-se politica/econômica/militarmente de um país rival. Ou seja a Venezuela, por exemplo seria um estado tampão, como os "professores de história" vítimas do gramscismo querem acreditar ser aceitável. No caso de Cuba, a URSS colocou mísseis balísticos na ilha,, na época os EUA eram governados por um fraco (Kennedy) perdeu a oportunidade de invadir a ilha e libertar sua população como também o fez no desembarque de Guantánamo, onde deixou os cubanos sem apoio aéreo e naval, permitindo o massacre dos libertadores. Não a toa seus miolos foram estourados por um atentado bem arquitetado.
Geraldo R Silva
LeoMoreira 19.01.2022 12:28
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João Paulo... vejam so... tem gente que defende que os EUA invadam Cuba, para liberta-la pqp.... e acham que a Russia nao pode invadir um pais soberano como a Ucrania...so rindo kkkkkkkk Putin esta certo, se os americanos, obrigarem a OTAN a estabelecer base e misseis balisticos la na Ucrania, nao vejo porque em contrapartida a Russia nao pode estebelecer bases na Venezuela e em Cuba e estes paises assim o quiserem...
Paulo Russomanno
Russom 19.01.2022 12:16
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Para reduzir a inflação mundial, não adianta somente os paises emergentes aumentarem os juros, mas tambem os EUA que finalmente vao faze-lo e a europa, tipicos cabecas duras vão procrastinar até o ultimo minuto. O que preocupa é que a China está na contra mão…???
 
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