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A Tempestade Chinesa

Publicado 19.04.2023, 12:19
Atualizado 09.07.2023, 07:32

A presença de marketplaces estrangeiros no Brasil não é novidade pra ninguém. O Mercado Livre (NASDAQ:MELI), por exemplo, nasceu em 1999 na Argentina e no mesmo ano já abriu as portas no Brasil.

Acontece que a presença desses marketplaces nunca foi uma grande ameaça para empresas como Renner, Guararapes (BVMF:GUAR3), C&A e Marisa, afinal, as roupas que você encontra nesses sites estrangeiros não tem nada de muito especial. Elas ficam numa faixa de preço parecida e muitas vezes tem qualidade duvidosa, podendo ser até falsificadas.

Dessa forma, o mais seguro era seguir atualizando o guarda-roupa nas varejistas de moda tradicionais.

Agora novos marketplaces vindos do outro lado do mundo, mais especificamente da Ásia, começaram aparecer por aqui. Eles oferecem diversos produtos a preços bem competitivos, inclusive roupas.

A princípio, eles não eram muito bem vistos. Os sites não são lá muito agradáveis. São bagunçados e chovem pop-ups na cara de quem os visita (alguns chamam até de “camelôs digitais”). Além disso, os pedidos poderiam demorar mais de um mês para chegar. Acontece que, mesmo assim, eles começaram a atrair cada vez mais clientes por conta dos seus baixíssimos preços, qualidade relativamente ok e que caíram no gosto das blogueirinhas brasileiras.

Mas agora, se compararmos com as varejistas de moda, esses marketplaces, quando se trata de acessos, já superaram e muito as varejistas daqui. Tudo bem, elas vendem diversos produtos além de roupas, mas, se olharmos para a Shein, que é especializada em vestuário, vemos que ela já ultrapassou a Lojas Renner (BVMF:LREN3) em 3x na quantidade de acessos sendo que ela é a líder do setor.

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Esses sites internacionais, que são conhecidos como cross-border (ou seja, vendem em um país e entregam no outro), faturaram R$ 36,2 bilhões em 2021, o que representou 17% do comércio online brasileiro. E olha que tem Ministros que disseram não conhecer…

Os varejistas asiáticos estão se aproveitando de uma brecha que autoriza a pessoa física a enviar bens estrangeiros a outra pessoa física no Brasil sem pagar impostos, desde que a mercadoria custe menos do que o equivalente a US$ 50.

Acontece que os vendedores falsificam o valor dessas vendas na hora de mandar pra cá. Basicamente, se você comprar algo de US$ 60 dólares na Aliexpress, o vendedor vai falsificar o valor quando enviar para cá e o produto não vai ser taxado quando chegar aqui. Obviamente, não é bom generalizar, mas é uma prática extremamente comum.

A festa não para por aí. Esses vendedores também não pagam ICMS, PIS e Cofins. Ainda tem o fator das condições de trabalho que são impostas aos funcionários que produzem essas mercadorias, que não são lá muito amigáveis. Assim, o custo de mão de obra diminui bastante. Eis o resultado:

Claro que muita coisa é falsa. Não há chances desse Air Jordan ser original ou licenciado. De qualquer forma, dá uma olhada nos comentários:

É bem provável que em sites assim, você encontre um tênis da linha do LeBron James que nem o LeBron tem. Se a “Tempestade Chinesa” chegou nos mares das varejistas brasileiras, agora a previsão do tempo é o fenômeno natural mais comum das terras tupiniquins: O Tsunami Tributário

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Já desde o ano passado, estava em trânsito uma MP que sugeria a alteração da forma com a qual essas plataformas pagam impostos. Nela, a taxação aconteceria no momento em que as compras são feitas e não no momento em que chegam no país, como acontece hoje. Isso acabaria com a questão dos espertinhos que falsificam o preço dos produtos pra não arcar com a taxação sobre valores superiores a US$ 50.

Além disso, agora temos o Arcabouço Tributário do Governo Atual que queria enquadrar as varejistas asiáticas. Chegou até a rolar um papo de acabar com a isenção, mas como é uma medida extremamente impopular, a última atualização do tempo é que o Governo recuou na ideia de acabar com a isenção dos US$ 50.

Mas, mesmo que a MP seja aprovada ou que acabe a isenção de pequenas compras, já tem gente que está dando um jeito de continuar competindo com força por aqui. A Shein, por exemplo, vem se preparando para por os pés definitivamente no Brasil.

Primeiro, ela contratou Felipe Feistler, ex-diretor da Shopee, para ser gerente geral da operação aqui no país. Depois disso, ela continuou com as contratações e começou a ir atrás de fornecedores nacionais. A ideia é começar a produzir no Brasil. Enquanto isso, ela já vem testando algumas lojas temporárias em pontos estratégicos.

Caso a Shein consiga se estabelecer, ela pode trazer belas dores de cabeça para varejistas como a Lojas Renner. Se ela mantiver esses preços baixos produzindo aqui no país, pode ser que ela conquiste uma bela fatia do market-share. Em 2022, a Shein já faturou R$ 2,1 bilhões (sem vender livros).

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Seja como for, a previsão do tempo no varejo é que a Tempestade Chinesa continue. Será que as varejistas de moda vão conseguir se proteger desse mau tempo? Bem, temos a resposta para os casos da Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3 (BVMF:CEAB3)), Riachuelo (GUAR3) entre outras lá no VBOX! Acho bom se preparar!

Últimos comentários

Deveriam NÃO taxar as empresas nacionais, já que não estão taxando os importados, mas como o presidente não é mais o Bolsonaro, a chance é zero. PT significa aumento de impostos para todos, inclusive sos mais pobres.
A taxação deveria ocorrer sim para todos os marktplaces, sempre pensando na indústria e serviços nacionais e no desemprego gerado por estas empresas estrangeiras que operam em nosso mercado. Um porém é o nível da taxação com alíquotas absurdas. Deveriam prever diminuição das taxas para aquelas que comprassem/desenvolvessem produtos fabricados no Brasil e providenciassem um mínimo de exportação.
A isonomia ta sendo completamente desrespeitada. Ou taxa todo mundo ou não taxa ninguém. Como o Brasil segue em déficit e o BACEN quer frear o consumo, o certo seria taxar a SHEIN. O produto deve ter a mesma quantidade de imposto que o nacional
Ao invés de melhorar a produtividade e o custo exorbitante de impostos no Brasil, aumenta-se o imposto para roubarem mais!! bem vindo a cuba, aliás, o novo Brasil. O cara que escreveu estas besteiras deve ter recebido um bom dinheiro para defender taxação ou mais está estorcao por parte da facção corrupta.
Baixar impostos ao consumidor e às varejistas nacionais para incentivar a venda e concorrência, o desgoverno não quer né...
Texto muito bom. Parabéns! Já posso comprar meu nintendo switch na Aliexpress.
Kkkkkk
muito bom o texto!
Lá na China a 50 anos investem pesado em educação e tecnologia tá explicado o PIB deles ser mais que o dobro do nosso.
Essa parceria do governo com os chineses pode não dar bom. A indústria nacional que vem sendo duramente penalizada desde os anos 1990 e vem sendo engolida pelos chineses, pelo visto, vai continuar. Enquanto o PIB do Brasil era quase o dobro do da China nos anos 1970, hoje gira em torno de 15% do PIB chinês.
O país parou no tempo, não investiu em educação infraestrutura e na indústria, deu no que deu, deixamos de ser o país do futuro e somos agora um país que poderia ter sido... é uma pena 😔🤡
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