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Cenário incerto no caminho da taxa Selic

Publicado 29.04.2024, 13:30
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Quando a taxa Selic começou a baixar em meados do ano passado, o mercado financeiro respirou aliviado. Como a taxa básica ficou muitos meses em 13,75%, a economia brasileira começou a sentir os efeitos colaterais do remédio aplicado pelo Banco Central para conter a inflação, que já havia arrefecido. Sendo assim, a lenta redução foi vista com bons olhos e a expectativa era de que ela continuasse a cair até o fim deste ano.

Aliás, o que todos esperávamos é que a inflação baixasse no mundo inteiro, principalmente nos Estados Unidos. Mas não é o que está acontecendo e isso é péssimo para todos nós. Não por acaso, em evento realizado em Washington, nos Estados Unidos, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o cenário de incertezas começa a impactar fortemente no cenário de risco traçado pelo Banco Central e isso pode fazer com que a instituição reveja a rota traçada para a política monetária e a velocidade de redução da Selic.

O BC tinha praticamente certo um corte um pouco mais agressivo de 0,5 ponto porcentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), agendada para 7 de maio. Mas infelizmente esse corte deverá ser menor. O mercado prevê que fique em apenas 0,25 ponto porcentual. De fato, o cenário vem se deteriorando. Não só o doméstico, na forma de ruídos vindos de Brasília, como também o internacional causa um pouco de preocupação. E do que estamos falando?

Vou começar a explicar pela questão da inflação americana. Ela preocupa por ser persistente, o que também pressiona a política monetária estadunidense. O Federal Reserve se vê obrigado a manter a taxa de juros alta por lá, podendo, aliás, aumentá-la. E isso é ruim para o Brasil porque é mais um fator a impedir que a taxa por aqui caia mais agressivamente. Isso porque se a taxa estiver alta lá e baixa aqui os investidores vão preferir deixar o capital nas bolsas de valores dos Estados Unidos e não na B3 (BVMF:B3SA3). Afinal, a rentabilidade não só será muito boa como será em dólar. Pense bem, você deixaria seu dinheiro aqui se lá os ganhos fossem muito próximos e com o atrativo da moeda forte?

Outra preocupação está relacionada aos acontecimentos mundo afora. Refiro-me às guerras. O conflito na Ucrânia, que já é longo, parece que se manterá por muito tempo e isso é péssimo porque envolve dois grandes produtores de grãos, elevando os preços de culturas como o trigo, por exemplo. E como se não bastasse, o conflito entre Israel e o Hamas pode se estender a outros países da região. Ao que tudo indica isso não acontecerá de imediato, mas o fósforo parece estar cada vez mais próximo do pavio. Se a bomba explodir, o preço do petróleo vai disparar e aí não tem jeito, a inflação volta a subir no mundo todo.

Para completar, há também o cenário interno. Todo o problema que envolve os três poderes, o legislativo votando pautas bombas que, se aprovadas, têm potencial de prejudicar ainda mais as contas públicas e o executivo ávido para trocar o presidente do BC e colocar alguém mais alinhado à política governamental. Na verdade, ele vai trocar, pois no final do ano termina o mandato de Roberto Campos Neto.

Este fato é lamentável, pois Roberto Campos Neto foi eleito o melhor presidente de Banco Central no mundo. Ele vem fazendo um trabalho realmente muito bom. Começou a aumentar os juros quando ninguém estava olhando para isso e, por conta dessa agilidade, o Brasil começou também a cortar os juros na frente dos outros países. Um trabalho muito bem-feito. Infelizmente, ele não está politicamente alinhado à política governamental e, por regra, terá mesmo de deixar o posto.

A expectativa é de que seu substituto, mesmo indicado pelo presidente da República, tenha um comprometimento de fato com a economia e não apenas com interesses ou com visões político/partidárias. A questão é que este assunto gera ruídos no mercado que se somam aos internacionais, já citados, trazendo incertezas, o que não é muito bom para a economia em si nem para a nossa bolsa de valores especificamente. Então, se sua expectativa, como investidor, é de um cenário mais estável, o que facilitaria muito fazer um planejamento de mais longo prazo, coloque suas barbas de molho. Este ano promete.

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