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China Usa Reservas para Tentar Derrubar o Petróleo; Opep Pode Reagir

Por Investing.com (Barani Krishnan/Investing.com)Commodities10.09.2021 09:26
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China Usa Reservas para Tentar Derrubar o Petróleo; Opep Pode Reagir
Por Investing.com (Barani Krishnan/Investing.com)   |  10.09.2021 09:26
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A China já provou que pode usar suas cartas na manga para influenciar o mercado.

Como maior importador de commodities, Pequim geralmente compra matérias-primas acima das suas necessidades e reserva boa parte delas para momentos de restrição de oferta ou preços caros demais. Assim, os chineses conseguem utilizar seus estoques para manter sua economia rodando.

Petróleo WTI diário
Petróleo WTI diário

A estratégia funcionou até agora para grãos e metais. E, na quinta-feira, a China também provou que pode fazer isso com o petróleo. Em uma intervenção sem precedentes no mercado mundial, o país asiático liberou petróleo das suas reservas estratégicas pela primeira vez, com o explícito objetivo de reduzir os preços. A manobra deu certo e fez a cotação do petróleo cair quase 2% no dia.

Mas a questão é: até quando os chineses conseguirão se dar bem com isso?

Existe uma enorme diferença em lidar com países como Brasil e Estados Unidos, no mercado de soja, ou Chile e Rússia, no cobre, e negociar com uma aliança como a Opep+, no petróleo.

Opep+ não ficará parada

Com os grãos e metais, quando as compras caem, os vendedores dos países produtores geralmente reduzem os preços até a demanda se normalizar. Mas, com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, o mais provável é que aconteça o contrário. Quando os preços começam a cair de forma constante, a aliança se articula para cortar a produção e fazer o mercado voltar a subir, geralmente para um nível mais alto do que o anterior à queda.

Vamos acompanhar até quando os chineses conseguem seguir com esse jogo e qual será o nível de condescendência do cartel, cuja aliança mais ampla compreende os 13 membros originais da Opep, liderados pela Arábia Saudita, mais 10 países produtores sob os auspícios da Rússia.

Vejamos o que temos até agora:

Em um anúncio no final da quinta-feira, a administração das Reservas Nacionais Estratégicas e Alimentos da China declarou que o país utilizou suas próprias reservas para “reduzir a pressão dos preços das matérias-primas”. A agência não forneceu maiores detalhes, mas pessoas familiares com a questão disseram à Bloomberg que o anúncio referia-se a milhões de barris oferecidos pelo governo em meados de julho.

Para quem não se lembra, as manchetes de cerca de dois meses atrás sugeriam que a China havia começado a diminuir suas compras de petróleo, da mesma forma como fizera com as importações de cobre anteriormente. Mas a reação do mercado, naquele momento, foi bastante comedida, de modo que a história acabou morrendo em questão de dias, permitindo que os preços retornassem à sua trajetória de alta após uma leve queda.

China indica que liberações de estoques podem durar por mais algum tempo

Desta vez, contudo, a agência que administra os estoques chineses demonstrou disposição em gerar um impacto prolongado e apresentou sua ação com uma linguagem cuidadosamente ponderada. Ela disse que uma rotação “normalizada” de petróleo nas reservas estatais é “uma importante maneira de as reservas exercerem seu papel de equilíbrio de mercado”, indicando que pode continuar liberando barris. Em outras palavras, a agência chinesa afirmou que, ao colocar o petróleo estocado no mercado através de leilões, estabilizaria “a oferta e a demanda internamente”.

Está claro por que Pequim está fazendo isso. A disparada dos custos de energia no país, não só do petróleo, mas também do carvão e do gás natural, bem como a falta de eletricidade em algumas províncias, estão obrigando algumas fábricas a cortar sua produção. A inflação está subindo rapidamente, gerando dor de cabeça para a classe política em Pequim.

A inflação na porta das fábricas chinesas acelerou em agosto e atingiu seu valor mais alto em 13 anos, somente um mês após a Casa Branca publicamente pedir que a Opep+ produzisse mais petróleo, diante do aumento dos preços nas bombas de combustíveis nos Estados Unidos. Juntas, as ações em Pequim e Washington sugerem que os dois maiores países consumidores de energia encaram com preocupação o barril de petróleo a US$70-75. Para aumentar o estresse dos dois países, o furacão Ida gerou graves transtornos para boa parte da produção de petróleo nos EUA no fim de agosto, afetando a oferta para a Unipec, da China.

A China geralmente mantém segredo quanto à quantidade exata de barris que mantém em estoque. Os últimos números da sua Reserva Petrolífera Estratégia (RPE) foram divulgados em 2017, quando se soube que a capacidade total da reserva era de 37,73 milhões de metros cúbicos, ou 237.66 milhões de barris, de petróleo bruto.

De acordo com a Energy Aspects Ltd., o maior país importador de petróleo do mundo acumulou uma reserva estimada de 220 milhões de barris na última década. O armazenamento difere de outras RPEs mantidas nos EUA e Europa, que só são usadas em caso de falta de oferta ou guerras. A China, no entanto, está sinalizando que pretende usar suas reservas para tentar influenciar o mercado.

Reservas chinesas podem durar 17 meses com uso diário

O consumo de petróleo da China era de cerca de 14.225 barris por dia em dezembro de 2020. Se aplicarmos esse valor às reservas estimadas pela Energy Aspects, o estoque pode durar 515 dias, ou cerca de 17 meses.

A China emergiu como a terceira força negativa contra o petróleo, gerando mais dúvidas sobre a perspectiva de demanda. O país não é apenas a grande responsável pelos superciclos de commodities, ele também pode atuar como “urso silencioso” quando os preços começam a prejudicar sua economia.

Mas alguns observadores de longa data do mercado de petróleo, como John Kilduff, do hedge fund de energia Again Capital, afirmam que a mão da China nessa situação pode estar superestimada.

“Com base em seu sucesso passado com os metais e outras commodities, eles acham que conseguem gerir a inflação da sua economia através de controles de preço do petróleo também”, afirmou Kilduff.

“Eles podem ter algumas cartas na manga, mas a estratégia nunca será duradoura, em vista da reação que podemos ver da Opep+. No longo prazo, a China provavelmente descobrirá do jeito mais difícil que é difícil manter isso.”

Desde que assumiu o controle do mercado de petróleo no auge da pandemia de coronavírus, que dizimou a demanda, os cortes de produção da Opep+ permitiram que os preços se recuperassem das suas mínimas de 2020. Somente agora a aliança começou a aumentar sua oferta, mas pode voltar atrás num piscar de olhos caso as liberações de estoques da China comecem a prejudicar seu mercado.

Impacto do uso das reservas nos preços pode se dissipar

Kilduff afirmou que o impacto da RPE, como ferramenta de equilíbrio de mercado em si, estava se dissipando ao redor do mundo.

“Uma prova disso é a liberação de estoques nos EUA sempre que as condições do mercado ficam muito restritas. Ninguém mais presta atenção a isso, e o preço do petróleo geralmente cai pouco toda vez que se usa a RPE nos Estados Unidos”.

Embora ambas as referências do mercado (Brent e WTI) estivessem presos abaixo de US$75, Kilduff acredita que haverá uma valorização durante a estação fria no hemisfério norte.

“O inverno aumentará a demanda por óleo de calefação e de todas as formas de destilados, inclusive combustível de aviação, caso as viagens internacionais sejam retomadas com a redução do impacto da Covid.”

Mas alguns acreditam que a China também pode tomar outras ações para arrefecer o mercado.

Osama Rizvi, analista de energia da Primary Vision Network, afirma que o petróleo pode não atingir a marca de US$100 por barril, apesar da demanda, muito por causa da China.

Segundo Rizvi:

“A China estocou um enorme volume de petróleo quando os preços atingiram a mínima de 20 anos e durante a recuperação dos preços. Por isso, deverá usar suas reservas em vez de importar petróleo caro. Embora isso não deva mudar os fundamentos do mercado petrolífero, a redução das importações chinesas certamente será um dos fatores que podem acabar mudando o sentimento dos investidores”.

Conclusão: Não se deve desprezar o imenso poder que a China tem de influenciar tanto a demanda quanto os preços do petróleo.

Da mesma forma, não se pode ignorar a determinação da Opep+ em evitar um crash no mercado e o aumento da demanda de inverno no hemisfério norte.

Aviso de isenção: Barani Krishnan utiliza diversas visões além da sua para oferecer aos leitores uma variedade de análises sobre os mercados. A bem da neutralidade, ele apresenta visões e variáveis de mercado contrárias. O analista não possui posições nos ativos e commodities sobre os quais escreve.

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Comentários (2)
alexandre andrade
alexandre andrade 10.09.2021 10:42
Salvo. Ver Itens salvos.
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o mundo esta sendo engolido
Erick Jens
Erick Jens 10.09.2021 10:24
Salvo. Ver Itens salvos.
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Pura manobra do mercado internacional; A preponderância nos fluxos internacionais de mercadorias garantem a China essa manobra amplamente divulgada em livros de economia internacional.  Como é bom ser na prática a teoria.
 
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