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“‘Acabou todo o estoque’ foi a mensagem principal da Nvidia (BVMF:NVDC34) que, geopolítica à parte, continua a detectar uma demanda insaciável por tudo o que consegue produzir, sendo a principal beneficiária dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) nos próximos cinco anos, estimados em US$ 3-4 trilhões.
As disputas geopolíticas entre EUA e China criam certa volatilidade no curto prazo. Mas, como atualmente não se preveem vendas do H20 para a China na orientação da Nvidia, esse risco está neutralizado e foi qualificado pelo CFO como uma possível fonte de US$ 2-5 bilhões adicionais caso ‘as tensões geopolíticas diminuam’.
Com os problemas iniciais do rack Blackwell já superados e a empresa negando quaisquer atrasos no Rubin, os investidores podem esperar uma curva de inovação poderosa, que está ajudando a resolver os desafios energéticos dos datacenters de IA, além de gerar retorno sobre o investimento ao permitir que clientes entreguem IA agêntica com requisitos computacionais exponencialmente maiores, mas com muito mais eficiência energética por token.”
Principais Pontos
- Epicentro da Geopolítica: a variável mais importante no curto prazo são as vendas do H20 para a China, dado o cenário geopolítico em constante mudança.Tendo perdido US$ 8 bilhões em vendas do trimestre começando em julho e retirar US$ 4,5 bilhões do inventário devido à exigência do governo dos EUA de licenças de exportação para a China para o H20, provavelmente negadas, a Nvidia não enviou nenhum H20 à China desde então, apesar de algumas licenças terem sido concedidas a clientes chineses em agosto. Além disso, a empresa não incluiu vendas do H20 à China no seu prognóstico. Eles avaliaram em US$ 2-5 bilhões as potenciais vendas do H20 para a China neste trimestre, caso ‘as tensões geopolíticas diminuam’, e têm a esperança de que o governo dos EUA permita, no futuro, a exportação de alguma versão do produto Blackwell para a China. Como o acesso às GPUs da Nvidia virou a moeda de troca dos EUA em negociações comerciais, a empresa continuará no epicentro da volatilidade geopolítica e, consequentemente, a China continuará a incentivar as suas companhias domésticas a desenvolver computação em IA local. Ainda assim, este mercado continua sendo uma fonte de crescimento de longo prazo para a Nvidia em comparação ao percentual ainda baixo, de dígito único, de suas vendas de datacenter.
- Acelerando a IA Soberana: apesar dos ventos contrários na China, a Nvidia afirmou estar no caminho de mais que dobrar suas vendas de IA soberana este ano, para mais de US$ 20 bilhões. Isso representa uma nova base de clientes para o setor de tecnologia em relação à era da internet, dado o desejo de cada país de ser menos dependente dos EUA e possuir sua própria infraestrutura e capacidade em IA, diante da importância dessa nova onda tecnológica.
- Inovação Full Stack Resolvendo os Desafios Energéticos: com a prioridade dada aos chips, ignora-se a enorme quantidade de inovações de software que impulsionam maior eficiência energética nos datacenters de IA. A capacidade de treinar modelos de IA com matemática de menor precisão, combinada com o hardware Blackwell mais recente, está gerando eficiência energética por token 50 vezes maior hoje em relação à geração anterior Hopper. O negócio de redes da Nvidia também dobrou ano a ano, à medida que a empresa continua a resolver a questão de agrupar GPUs em clusters cada vez maiores e mais eficientes — seja em um rack NVL72 ou em datacenters de IA que escalam para centenas de milhares de GPUs — para entregar tanto modelos de fronteira quanto cargas de inferência, conforme modelos de raciocínio e IA agêntica impulsionam um aumento no processamento de tokens.
- Rubin Sem Atraso: a Nvidia continua a seguir um cronograma acelerado e negou os relatos recentes de atraso na sua próxima geração de arquitetura Rubin, afirmando que os chips já estão nas fábricas da TSMC, juntamente com outros 5 novos chips, incluindo a nova geração Vera de CPUs baseadas em ARM, além de múltiplos chips de rede que viabilizam um produto de rack de terceira geração Rubin — criando uma barreira elevada para a concorrência, em especial a AMD, que planeja lançar sua primeira oferta de rack apenas no final do próximo ano, bem como fornecedores de ASIC.
- Novo Programa de Recompra de US$ 60 bilhões: em uma das grandes subestimações do ano, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse esta semana, quando questionado sobre a possibilidade de o governo norte-americano adquirir participação na Nvidia, que ‘não acho que a Nvidia precise de apoio financeiro’. Com quase US$ 50 bilhões em caixa líquido no balanço, a Nvidia ganhará mais em receita de juros do que a maioria das empresas obtém em lucro total, e essa forte lucratividade e geração de fluxo de caixa livre sustentaram o anúncio de um novo programa de recompra de US$ 60 bilhões.