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O anúncio de Donald Trump de que demitiu Lisa Cook do Board of Governors do Federal Reserve é um ato sem precedentes recentes. O movimento acendeu um farol sobre a independência do FED e abriu uma frente de incerteza jurídica a poucas semanas da reunião de 16–17 de setembro. A imprensa americana relata que a decisão se baseia em alegações de irregularidades hipotecárias, já sob investigação, e foi publicizada em carta nas redes do presidente. Analistas reagiram apontando risco de dano institucional e efeitos duradouros na percepção de credibilidade da política monetária dos EUA.
Existem duas cámadas que devem ser muito bem analisadas para entender os impactos desse movimento no mercado, sendo essas:
- A legal: existem proteções históricas para a remoção de diretores do FED “apenas por justa causa”. Em maio, houve decisões/julgados e análises que reforçaram barreiras à interferência direta do Executivo sobre o banco central, e parte do debate aponta que o presidente pode não ter autoridade unilateral para tal demissão — tema que pode parar na Suprema Corte. Resumo: o caso tende a virar batalha jurídica, com impacto de manchete no curto prazo.
- A econômica: mesmo antes desse episódio, o mercado já vinha lendo Jackson Hole como abertura para corte de juros em setembro (sem compromisso de ritmo). A demissão amplia a sensação de politização do debate monetário, e isso costuma cobrar um “prêmio de incerteza” nos ativos americanos. No câmbio, a reação inicial foi de dólar mais fraco e quedas nas yields curtas.
Sobre a próxima reunião do FOMC:
Composição do FOMC: se a cadeira ficar vaga, o comitê vota com um membro a menos — o que, na prática, não muda o calendário nem o modus operandi do FED. Se o governo tentar nomear substituto rápido, ainda há o Senado e um rito de confirmação; é pouco provável que um novo nome esteja sentado à mesa já em 16–17/9. Ou seja: os dados (emprego e inflação) ainda serão o fiel da balança dessa decisão.
Independência: o episódio empurra o FED a reforçar em sua fala a âncora da independência e a leitura dependente de dados. Em setembro, a direção do comunicado ganha peso adicional para acalmar ruídos políticos que podem surgir.
O pano de fundo de 2025 continua: dólar enfraquecido no agregado, com mercado precificando início de flexibilização e “prêmio político” maior nos EUA. O caso Cook acelera esse viés, mas adiciona um tempero: volatilidade de duas vias. EUR/USD e GBP/USD: continuam com vento de cauda. Choques de manchete podem gerar pullbacks, mas a direção estrutural segue desfavorável ao USD enquanto os dados permitirem o primeiro corte. USD/JPY: é o par que mais “escuta” diferencial de juros. Se as yields curtas caem com a percepção de um FED pressionado a cortar (e a credibilidade sofre), o iene tende a respirar. Cuidado: se a incerteza política virar risco sistêmico, parte do fluxo “risk-off” também pode buscar USD, levando a momentos de grande volatilidade. USD/CHF: o franco-suíço tende a ganhar em episódios de risco político. O caso Cook, somado à narrativa de cortes, mantém teto baixo para o USD/CHF.
A saída forçada de Lisa Cook cria um problema de confiança em torno da independência do Federal Reserve. Para o mercado de câmbio, isso se traduz em duas consequências principais: mais volatilidade no curto prazo e um dólar estruturalmente fragilizado no médio prazo. Até a reunião de setembro, os dados de emprego e inflação continuam sendo o fator central para a decisão de corte de juros, mas a interferência política adiciona uma camada extra de incerteza.