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3 Iniciativas de Trump Que Podem Afetar os Mercados, Além da Reforma Tributária

Publicado 07.12.2017, 11:19
Atualizado 02.09.2020, 03:05
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por Jason Martin

Mesmo que o Congresso dos EUA e a Casa Branca se apressem para a aprovação final da reforma tributária antes do final do ano, e mesmo com uma potencial eminente paralisação do governo em 22 de dezembro (os republicanos da Câmara apresentaram um projeto de lei provisório sobre gastos na segunda-feira, com o objetivo de custear o governo para repelir o que inicialmente tinha como prazo 8 de dezembro, a medida deveria ser aprovada no final da semana), outros problemas continuam no prato do presidente Donald Trump que, embora ainda em pano de fundo, poderiam afetar o futuro da economia americana e, consequentemente, as ações.

1. Nafta ainda não foi resolvido

O Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), adotado em 1994, destinava-se a criar um mercado norte-americano onde as mercadorias poderiam passar sem tarifas pelas fronteiras entre os EUA, Canadá e México. Como parte de sua campanha presidencial, Trump ameaçou retirar-se do acordo, a menos que fosse "mais justo" para os EUA, alegando que tinha prejudicado a produção americana e causado um déficit comercial de US$ 60 bilhões com o México.

Um dos principais pontos nas negociações foi a insistência dos EUA nas regras sobre a origem para a indústria automotiva. Os Estados Unidos querem elevar o limite mínimo para o fornecimento na produção de automóveis para 85% dos membros do Nafta e 50% do total dos próprios EUA, em comparação com o acordo atual de 62,5% para os países membros.

As montadoras dos EUA estão realmente pressionando contra o plano. Em uma reunião de 27 de novembro com o vice-presidente Mike Pence, executivos da Ford (NYSE:F), General Motors (NYSE:GM) e Fiat Chrysler (NYSE:FCAU) pediram que a ideia fosse descartada, argumentando que isso iria adicionar milhares de dólares nos custos dos carros nos EUA.

De qualquer forma, o encerramento do Nafta sem um acordo implicaria no retorno das regras da Organização Mundial do Comércio sobre o livre comércio e aumento de tarifas entre os três países. Há mais especulações de que a agenda "America First" de Trump levaria a um aumento das tarifas além das diretrizes da OMC, o que poderia ser refletido por tarifas de retaliação do Canadá e do México.

Um relatório do Banco de Montreal, de 27 de novembro, calculou que um fracasso na renegociação dos termos levaria a uma redução líquida de 0,2 p.p. no PIB real dos EUA nos próximos cinco anos, enquanto o Canadá teria uma queda de 1 p.p..

O relatório indicou ainda que as indústrias norte-americanas mais atingidas pela falta de um acordo seriam a automotiva, já que os acordos que prevalecem atualmente se estendem às três economias, seguida pelos têxteis com o Canadá e o México, representando 15% das vendas dos fabricantes dos EUA.

Após as negociações em novembro não terem resolvido nenhum problema, as negociações entre as sessões estão programadas para a semana de 11 de dezembro em Washington. Esses resultados serão reportados aos negociadores principais antes da reunião de 23 a 28 de janeiro em Montreal, Canadá.

2. Plano de US$ 1 trilhão em infraestrutura

As políticas de infraestrutura fizeram parte dos planos de Trump desde o primeiro dia de sua presidência e sua eleição causou um furor imediato nas empresas de construção e materiais, incluindo a United States Steel (NYSE:X), Vulcan Materials (NYSE:{ {7974|VMC}}), Fluor (NYSE:FLR), AECOM (NYSE:ACM), Chicago Bridge & Iron (NYSE:CBI) Jacobs Engineering (NYSE:JEC) e Martin Marietta Materials (NYSE:MLM) - por trás das maiores propostas e fundos para o setor.

Ações de Infraestrutura

Como se pode ver no gráfico acima, as empresas acima mencionadas receberam um impulso do período anterior às eleições até o final de 2016. A U.S. Steel teve o rali mais dramático, embora o entusiasmo tenha parecido diminuir à medida que o tempo corria e as promessas políticas ainda não se materializavam. A Fluor and Chicago Bridge & Iron também não conseguiu manter picos pós-eleições.

De uma perspectiva mais ampla, apenas os ganhos de 42%, 36% e 33% das US Steel, AECOM e Jacobs Engineering bateram os 23,35% de retorno no S&P 500 desde a eleição, enquanto todas as outras empresas apresentaram desempenho inferior em mais da metade.

Em abril deste ano o presidente Trump renovou sua promessa de um "plano de infraestrutura muito grande", nada medos de US$ 1 trilhão. À medida que as batalhas políticas provocaram outras questões, nenhuma dessas políticas de grande impacto se materializou de verdade. Trump observou em 20 de novembro que planejava revelar o grande plano após o Congresso impulsionar a reforma tributária. "Vamos enviar planos sobre infraestrutura ... logo após os impostos", afirmou Trump da Casa Branca.

Para crédito do presidente, ele avançou com o gasoduto Keystone e também simplificou os regulamentos para acelerar o processo de licenciamento para construtores.

Um dos principais pontos controversos para a passagem da política de infraestrutura está interligado com a reforma tributária e o orçamento. Muitos republicanos desconfiam do preço do pacote de US$ 1 trilhão de dólares. Originalmente, Trump esperava chegar a aproximadamente US$ 200 bilhões em dinheiro de capital inicial federal para incentivar o investimento privado nos projetos.

No entanto, atualmente não está claro, não apenas se os políticos darão luz verde para os gastos do governo, mas se o projeto de lei tributária já aprovado pela Câmara, que eliminou a dedução para as empresas que utilizam títulos de atividade privada isenta de impostos, fará parte de lei final. Estes são frequentemente utilizados em relacionamentos público-privado para ajudar a construir estradas, rodovias, hospitais, aeroportos, habitação e outros projetos cruciais. A eliminação da dedução fiscal, se incluída no compromisso final, pode desincentivar a participação das empresas privadas.

A própria política de infraestrutura da China, conhecida como Belt and Road Initiative (BRI), pode servir para fornecer pistas para o possível resultado dos investimentos planejados por Trump, embora a ideologia "America First" seja diametralmente oposta à tentativa do BRI de promover o desenvolvimento e "cooperação econômica" ao longo de cinco corredores fora da China: rotas terrestres da Ásia Central para a Europa; para o Oriente Médio e para o Sudeste Asiático; e rotas marítimas que ligam os portos chineses à Europa e ao Pacífico Sul.

A Iniciativa Belt and Road beneficiará a China, assim como a outros países em todo o mundo. Nos três primeiros trimestres deste ano, o comércio entre a China e as economias ao longo da rota totalizou US$ 786 bilhões, um aumento de 15% ao ano, de acordo com uma entrevista do China Daily com João Mendes De Faria, presidente da multinacional de mineração Vale China.

Mendes calculou que as empresas chinesas aumentaram seu investimento nas economias ao longo do BRI em 29,7%, para US$ 9,6 bilhões, enquanto as economias participantes aumentaram seu investimento na China em 34,4%, para US$ 4,24 bilhões. Observou ainda que as empresas chinesas ajudaram a construir 75 zonas de cooperação econômica e comercial em 24 mercados ao longo da Belt and Road, gerando mais de 209 mil postos de trabalho.

Apontando para o número do BRI e Parcerias Público-Privadas como os principais fatores que apoiam a economia chinesa, Mendes enfatizou que o projeto de infraestrutura "contribuiu muito para o crescimento econômico".

Os mercados ainda estão aguardando os detalhes do grande plano de Trump, sem mencionar como será financiado, mas parece claro que o US$ 1 trilhão em gastos com infraestrutura, se aprovado, daria um grande impulso não só à economia americana, mas também a ações que colheriam os benefícios.

3. Imigração além do muro

Enquanto a maioria dos pensamentos sobre a política de imigração de Trump se volta, naturalmente, para a promessa de construir um muro entre as fronteiras dos EUA e do México para conter a imigração ilegal (outro assunto interligado com a reforma tributária e as políticas de gastos, já que as estimativas variam da projeção de Trump de US$ 12 bilhões até US$ 70 bilhões, sem incluir manutenção), muitas das primeiras tentativas do presidente de medidas mais amplas, como a proibição de viajar, enfrentaram resistência judicial.

Apenas nesta última segunda-feira, a administração do Trump teve uma pequena vitória, já que o Supremo Tribunal permitiu que uma terceira versão de sua proibição de viagem entrasse em vigor enquanto os desafios legais continuassem. Apesar de duas dissidências dos juízes Ruth Bader Ginsburg e Sonia Sotomayor, que preferiram negar o pedido de proibição entrasse em vigor, o Supremo Tribunal aprovou o movimento, instando os tribunais de recurso a se mover o mais rapidamente para decidir sobre sua legalidade.

Esse subsídio para a terceira proibição significa que os Estados Unidos serão autorizados a impor as restrições de entrada no país a partir de oito nações: Irã, Líbia, Síria, Iêmen, Somália, Chade e Coréia do Norte. Em essência, será negada a entrada nos EUA para os cidadãos desses países, embora os detalhes variem nas restrições. Muitos não poderão emigrar permanentemente para os EUA, enquanto outros serão impedidos de trabalhar, estudar ou até mesmo viajar em férias nos Estados Unidos.

Para evitar batalhas legais sobre outros temas de imigração, a Administração Trump concentrou-se este ano no endurecimento da legislação atual. Na luta contra o que Trump considera ser uma competição desnecessária para os americanos com trabalhadores estrangeiros legais, um artigo do Wall Street Journal destacou recentemente que a administração está examinando mais de perto os pedidos para o programa de vistos para os trabalhadores altamente qualificado conhecidos como H-1B. De acordo com o documento financeiro, mais de um em cada quatro candidatos entre janeiro e agosto recebeu "pedidos de evidência adicional" em comparação com um ano antes, sob a administração Obama, quando esses pedidos eram menos de um em cada cinco.

O artigo sugere que a tática estava sendo utilizada para retardar o processo, reduzindo assim a imigração legal através de um aumento da burocracia, ao invés de criar novas medidas legislativas que poderiam enfrentar oposição política.

De acordo com o relatório, outros métodos para retardar o processo incluíram ignorar as aprovações anteriores para a mesma pessoa, e assim forçando as renovações a demorar mais, e exigindo mais entrevistas de candidatos, emperrando o sistema, juntamente com a suspensão do processamento premium, que dava a oportunidade de uma solicitação ser processada mais rapidamente pelo pagamento de uma taxa.

Outras mudanças nos regulamentos também podem incluir a eliminação do direito para os cônjuges dos titulares do H-1B trabalharem nos EUA ou permitir que graduados estrangeiros em ciência e tecnologia de universidades dos EUA trabalhem por mais dois anos.

Os vistos H-1B são utilizados em grande parte por empresas de tecnologia que dizem que esses trabalhadores são necessários para preencher empregos críticos, enquanto os adversários afirmam que simplesmente deslocam os trabalhadores americanos, geralmente com níveis de remuneração mais baratos.

As empresas de tecnologia inicialmente levaram um golpe após as eleições presidenciais, já que os participantes do mercado postularam que as políticas do Trump prejudicariam seus negócios. Obviamente, essas preocupações não eram apenas baseadas na imigração, mas também em operações no exterior e outras questões como ataques de Trump quando a Apple (NASDAQ:AAPL) se recusou a desbloquear o iPhone de um dos atiradores de San Bernadino.

Ainda assim, o que apareceu no período pós-eleição ser o início de uma disputa total entre o presidente e Silicon Valley parece ter desaparecido. Na verdade, desde as eleições, as ações de tecnologia lideraram o rali de Wall Street.

Ações de Tecnologia


Ao contrário dos materiais e das empresas de construção mencionadas anteriormente, cujos retornos mostraram uma leitura mista enquanto aguardam o acompanhamento das políticas, o gráfico acima mostra como as empresas de alta tecnologia dispararam. A Apple teve retorno de 53% desde as eleições, Netflix (NASDAQ:NFLX) 48%, Amazon (NASDAQ:AMZN) em torno de 44%, Facebook (NASDAQ: FB) 38%, Microsoft (NASDAQ: MSFT) 34% e Alphabet (NASDAQ:GOOGL) 26%, em comparação com os ganhos de 34,2% do NASDAQ Composite e "apenas" 23,35% para o S&P 500.

Ainda à frente está o resultado das políticas da Trump sobre as ações de tecnologia, quer contenha a capacidade das empresas de acessar os talentos de alta tecnologia fora das fronteiras dos EUA, e se fizer boas ameaças forçar a manufatura de volta para os Estados Unidos.

Com a reforma tributária quase no final, e o Congresso querendo resolver as despesas antes do final do ano, 2018 poderia ver a perspectiva para a ação com relação ao Nafta, infraestrutura e imigração com suas consequências para as ações, seja de alta ou de baixa.

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