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As mentiras que contamos a nós mesmos: O legado de Daniel Kahneman

Publicado 09.04.2024, 10:00

Quando você estiver estressado e quiser comprar um sapato novo - ao invés de fazer um aporte no seu fundo de previdência, o qual você racionalmente preparou para sua aposentadoria - e sua opção for aquela que te dá um alívio imediato, saiba que você estará desafiando teorias econômicas centenárias e uma legião de economistas renomados. 

Você estará se comportando na direção oposta à teoria que se aceitava há bem pouco tempo, do Homo Economicus, ou aquele que buscava com suas decisões o resultado de maior utilidade, ou de benefício próprio. Ou seja, aquela decisão pela qual você teria o melhor resultado econômico, mais benéfico para suas finanças.

Mas, independentemente das teorias que eram (e ainda são) ensinadas nas faculdades de economia mundo afora, você sabe que as decisões não são sempre “racionais”, com aspas mesmo, porque a racionalidade ficou em cheque no último século.

A pessoa que tornou conhecida do grande público essa percepção do impacto da emoção (e de outros aspectos de sua vida) no processo de tomada de decisão foi um psicólogo, israelense de nascimento, chamado Daniel Kahneman. O professor Kahneman morreu na semana passada, aos 90 anos. 

Temos que prestar justas homenagens a este que foi, talvez, um dos mais influentes psicólogos da história. Sua influência na ciência das decisões ainda vai ser sentida pelos próximos anos. Ninguém conhecia muito o que eram heurísticas e vieses antes de Daniel Kahneman escrever sua obra-prima “Rápido e Devagar – duas formas de pensar”, lançado em 2011 e já um clássico. 

Se você ainda não leu. Pare o que estiver fazendo agora e corra para a livraria mais perto. É imperdível. Este livro desvenda os segredos do nosso comportamento em muitas áreas – economia, direito, política, sociedade, relacionamentos e por aí vai. O livro foi escrito em homenagem a outro grande psicólogo, Amos Tversky, que foi par de Kahneman nas principais pesquisas sobre esse fascinante campo da ciência.

Muitos anos de pesquisa, estudos e aulas trouxeram à tona explicações sobre a intuição humana, e como observar melhor o nosso processo de decisão para se ter uma vida melhor. Nascido em 5 de março de 1934, em Tel Aviv, Daniel Kahneman teve uma jornada fascinante, que o levou a se tornar uma das figuras mais influentes na intersecção entre psicologia e economia.

Quebrando paradigmas: As descobertas revolucionárias de Kahneman

Ao longo de sua carreira, Kahneman não apenas desafiou os paradigmas existentes, mas os espatifou em pedacinhos. Ele mostrou que somos seres muito mais suscetíveis a influências emocionais e cognitivas do que imaginamos. Suas descobertas sobre vieses cognitivos e heurísticas nos mostraram que, muitas vezes, somos guiados por intuições falhas e julgamentos enviesados, mesmo quando acreditamos estar tomando decisões lógicas.

Falando em julgamentos enviesados que fazemos, coloco a seguir três exemplos que podem muito bem fazer parte do nosso dia a dia e que Kahneman comprovou se tratar de padrões irracionais de decisão característicos de nossa espécie.

1. Viés de Disponibilidade

Imagine que você está considerando comprar um carro novo. Você lembra-se facilmente de histórias de amigos que tiveram seus carros roubados ou danificados e tiveram que arcar com os custos elevados de reparo ou substituição. Essas histórias vívidas tornam o evento de ter um carro roubado ou danificado mais disponível em sua mente. 

Como resultado, você superestima a probabilidade de algo semelhante acontecer com você e decide investir em um sistema de segurança caro, mesmo que as estatísticas reais de roubo de carros na sua região sejam relativamente baixas.

2. Efeito de Ancoragem

Você vai a um restaurante com um grupo de amigos e está analisando o cardápio. O garçom destaca um prato especial com um preço inicial muito alto. Mesmo que você estivesse pensando em gastar menos, o preço inicial elevado do prato especial atua como uma âncora, influenciando sua percepção dos preços dos outros pratos no cardápio. 

Como consequência, você pode acabar escolhendo um prato mais caro do que pretendia inicialmente, mas que parece ser uma “pechincha” em comparação com o prato especial.

3. Viés de Confirmação

Digamos que você esteja considerando investir em ações de uma determinada empresa e um analista renomado emite uma call otimista sobre o potencial de valorização dessas ações. Você prontamente aceita essa análise como verdadeira, sem questionar sua veracidade.

No entanto, quando confrontado com sinais negativos da empresa, como relatórios financeiros desfavoráveis ou notícias de escândalos corporativos, você tende a desconsiderar ou minimizar essas informações, procurando por justificativas para manter sua confiança nas ações. 

Isso ilustra o viés de confirmação, onde tendemos a buscar informações que confirmem nossas crenças existentes e ignorar aquelas que as desafiam, mesmo quando poderiam ser sinais importantes de alerta.

Daniel Kahneman é um dos pais da psicologia econômica ou economia comportamental e merecido ganhador do prêmio Nobel de Economia no ano de 2002. Veja que irônico, um psicólogo ganhando o Nobel de Economia. A economia nunca mais será a mesma depois dele. Obrigado, Professor Kahneman!

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