Publicados originalmente em inglês em 19/07/2021
- Resultados do 2T21 serão divulgados na terça-feira, 20 de julho, após o fechamento do mercado;
- Expectativa de receita: US$7,32 bilhões;
- Expectativa de lucro por ação: US$3,1.
Há um consenso entre os analistas de Wall Street que a gigante do streaming Netflix (NASDAQ:NFLX) (SA:NFLX34) não terá muito a impressionar os mercados quando divulgar seus resultados do segundo trimestre amanhã.
O grande impulso gerado pelo distanciamento social, causado pela pandemia no ano passado, fez seu número de assinantes ultrapassar 200 milhões em mais de 190 países, mas esse impulso já não existe mais. De fato, durante o primeiro trimestre, a empresa sediada em Los Gatos, Califórnia, adicionou apenas 3,98 milhões de assinantes, em comparação com a estimativa média dos analistas de 6,29 milhões e sua própria previsão de 6 milhões.
Esse foi o início de ano mais fraco desde 2013, quando a Netflix adicionou cerca de 3 milhões de clientes, de acordo com dados da Bloomberg.
Se a previsão da companhia de adicionar apenas um milhão de assinantes se confirmar para o período encerrado em 30 de junho, esse será o pior trimestre da Netflix desde o início do serviço de streaming.
No curto prazo, essa reversão repentina no crescimento está tendo efeito negativo sobre o preço da ação da companhia. Após se valorizar mais de 60% em 2020, seus papéis mal se mexeram neste ano. Eles registram queda de 2% no ano, fechando a US$530,31 na sexta-feira.
Mesmo assim, para alguns investidores que seguem de perto as projeções da gerência desde o início da pandemia, esse resultado não é uma surpresa. A Netflix vem alertando há meses que esse crescimento desaceleraria após a flexibilização das restrições da Covid-19 e a retomada da vida normal.
Concorrência sem precedentes
Mesmo assim, se a batalha no mundo pós-pandemia fizer com que as pessoas sigam cancelando suas assinaturas, está claro que a Netflix continuará bem posicionada para vencer essa corrida. De acordo com a carta trimestral da Netflix aos acionistas, a taxa de cancelamento de assinaturas caiu em relação ao ano passado, mesmo com o serviço elevando sua tarifa.
A Netflix está enfrentando uma concorrência sem precedentes no mercado de streaming de vídeo, com a entrada de rivais como Disney+ (NYSE:DIS) (SA:DISB34), HBO Max (NYSE:T) (SA:ATTB34) e Peacock (NASDAQ:CMCSA) (SA:CMCS34), além de outros fornecedores de peso, como Amazon (NASDAQ:AMZN) (SA:AMZO34).
Com o gradual arrefecimento da pandemia, a Netflix planeja produzir mais programas após um ano de pouca atividade. A companhia pretende gastar US$17 bilhões com a programação neste ano, uma alta em relação a US$12,5 bilhões no ano passado e US$14,8 bilhões em 2019. A NFLX está priorizando investimentos em programas fora dos EUA, onde reside a maioria dos seus clientes.
Outro fator positivo para investidores de longo prazo deve ser levado em consideração: a Netflix não precisa mais se endividar para impulsionar seu crescimento. Após anos de alavancagem para financiar sua produção, a Netflix disse que não precisa mais de financiamento externo para dar suporte às suas operações diárias. A companhia planeja reduzir sua dívida e recomprará até US$5 bilhões de ações.
Conclusão
Após seu impulso durante o período de distanciamento social, o número de assinantes da Netflix continuará desacelerando em comparação com o ano passado. Mas a empresa de streaming saiu muito mais forte desse ambiente extraordinário do último ano, solidificando sua posição de caixa e mercado. Qualquer fraqueza na ação representa uma oportunidade de compra para investidores de longo prazo.