Salário termina antes do fim do mês para 54% dos brasileiros, aponta pesquisa

Publicado 20.08.2025, 17:56
Atualizado 20.08.2025, 21:10
Salário termina antes do fim do mês para 54% dos brasileiros, aponta pesquisa

A velha constatação de que o salário termina antes de o mês acabar continua válida para a maioria dos brasileiros. Neste ano, 54% dos trabalhadores com registro em carteira ou que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) não têm conseguido chegar até o final do mês com o salário na conta bancária, aponta uma pesquisa sobre a saúde financeira e bem-estar do trabalhador brasileiro, realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian (LON:EXPN).

O resultado deste ano é o menor registrado desde o início da série da pesquisa, em 2018. Em 2024, o salário acabava antes de o mês terminar para 62% dos trabalhadores, uma diferença de oito pontos porcentuais ante 2025. Apesar do recuo, diz o CEO da SalaryFits, Délber Lage, a fatia de brasileiros que não consegue fazer frente às despesas com o salário ainda é elevada.

A pesquisa ouviu 1.029 funcionários de empresas públicas e privadas nos regimes CLT e/ou PJ e revelou dados preocupantes. Um deles mostra que 75% dos entrevistados não têm condição de arcar com uma despesa excepcional de R$10 mil. Além disso, 66% tiveram algum problema financeiro nos últimos cinco anos e 33% foram negativados no último ano. Desses, 17% ainda enfrentam problemas financeiros.

"A maioria está no limite do seu orçamento e apenas 25% têm uma folga para bancar despesas extras", afirma Lage. Na análise do executivo, diante das elevadas taxas de juros, há carência de fontes sustentáveis de crédito no curto prazo.

Fiado e pré-datado

Nos anos 1990, lembra ele, o brasileiro contava com dois instrumentos de crédito que hoje não existem mais: "a caderneta da mercearia da esquina, que virou Carrefour (BVMF:CRFB3) Bairro - e não permite ’pendurar’ a conta -, e o bom e velho cheque pré-datado".

Hoje, quem obtém esse crédito de curto prazo é o brasileiro de renda mais alta, que tem um limite de cartão razoável e consegue casar a data de fatura do cartão com a data do salário.

A camada de renda mais baixa não tem essa alternativa de crédito de curto prazo. "Isso explica muito os 54% que têm dificuldade de fechar a conta no final do mês."

Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian, destaca que o peso das dívidas básicas no orçamento das famílias aumentou de 25,8% da renda em maio de 2024 para 27,3% em abril de 2025, segundo o Banco Central. Além disso, a inflação ainda elevada em itens essenciais, como a energia elétrica, e em serviços continua pressionando as finanças domésticas, mesmo diante da melhora no mercado de trabalho e do crescimento real da renda dos trabalhadores.

Destino do salário

Gastos com itens essenciais, como alimentação, e pagamento de contas básicas, como água e luz, são os principais destinos do salário dos brasileiros que estão com orçamento apertado, com 77% e 71%, respectivamente, aponta a pesquisa.

Na sequência aparecem despesas menos essenciais, como o financiamento de imóveis e veículos (52%), empréstimos (36%), consumo de roupas e utilidades (33%) e gastos com estudo (20%).

Jeanderson dos Santos, de 32 anos, trabalha com carteira assinada na área de telemarketing. Ele ganha R$ 1,8 mil por mês e logo que o dinheiro entra, a sua conta bancária fica zerada. "Recebo no quinto dia útil e no sexto dia tudo já foi embora", diz ele.

Entre as contas básicas que consomem instantaneamente a sua renda estão despesas com luz, água, celular, internet, cartão de crédito e empréstimo bancário, por exemplo.

Para ter algum dinheiro no bolso, depois que o salário acaba, Santos passou a fazer bicos como DJ aos finais de semana. Dependendo do mês, consegue tirar entre R$ 1 mil e R$ 1,4 mil por mês. "Isso ajuda a segurar as contas."

Bicos e educação financeira

A pesquisa mostra que da parcela de 54% dos brasileiros que não conseguem chegar com o salário até o fim do mês, 49%, como Santos, utilizam fontes de renda extra para fechar as contas e não ficar no vermelho. Boa parte recorre ao uso de linhas de crédito, como cartão (23%), cheque especial (12%) e empréstimo ou utiliza renda familiar.

Também existem aqueles que trabalham dobrado, como freelancer (8%), ou ainda buscam adiantamento salarial (3%). Mas há um grupo de 5% de trabalhadores em situação ainda mais crítica. Esse grupo não chega ao fim do mês com dinheiro nem tem alternativa de renda extra.

Segundo o CEO da SalaryFits, o risco de inadimplência para quem não chega até o fim do mês com dinheiro é maior. Entre as saídas para aliviar esse problema ele aponta implementar educação financeira e oferecer melhores produtos de crédito. "É preciso buscar soluções de crédito de curto prazo para aliviar a dor momentânea, além de melhorar o poder de compra do brasileiro."

Santos, por exemplo, ficou inadimplente no passado, e agora paga um financiamento que contraiu para renegociar a dívida de cerca de R$ 2 mil por conta da compra de itens de vestuário.

Apesar do aperto, ele diz que o hoje a situação está melhor em relação à de anos atrás. No momento, Santos pretende mudar de emprego para ganhar mais e busca mais educação financeira para disciplinar os gastos, a fim de escapar do risco de inadimplência que ameaça, sobretudo, os mais vulneráveis.

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