Lucrou com o recorde do Ibovespa? Desempenho dessas estratégias foi melhor
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - A geração de vagas de trabalho bem abaixo do esperado nos Estados Unidos nos últimos meses foi o gatilho para a queda firme das taxas dos DIs nesta sexta-feira, acompanhando o forte recuo dos rendimentos dos Treasuries e do dólar ao redor do mundo.
Os números do mercado de trabalho norte-americano, divulgados no relatório payroll, acabaram ofuscando as notícias de imposição pelos EUA de mais tarifas contra vários parceiros comerciais.
No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 14,2%, em baixa de 15 pontos-base ante o ajuste de 14,35% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2028 marcava 13,515%, ante o ajuste de 13,671%.
Entre os contratos longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 13,67%, ante 13,759% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 13,78%, em queda de 9 pontos-base ante 13,865%.
Na noite de quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs a dezenas de parceiros comerciais tarifas elevadas, incluindo uma taxa de 35% sobre muitos produtos do Canadá, 25% para a Índia, 20% para Taiwan e 39% para a Suíça, além dos 50% para os produtos brasileiros -- ainda que com várias exceções.
O tarifaço de Trump antes do prazo limite de 1º de agosto tinha tudo para movimentar os mercados nesta sessão, mas foi ofuscado pelo payroll.
A economia dos EUA abriu 73.000 vagas de emprego fora do setor agrícola no mês passado, bem abaixo da projeção mediana de 110.000 de economistas consultados pela Reuters. Além disso, o dado de junho foi revisado para baixo, mostrando geração de apenas 14.000 vagas, ante as 147.000 vagas informadas anteriormente.
Na prática, o payroll sugeriu que o Fed pode ter “voado às cegas” ao avaliar o mercado de trabalho nos últimos meses, podendo ter que cortar juros em setembro já com atraso -- já que na reunião desta semana ele manteve a taxa de juros na faixa de 4,25% a 4,50%, ainda sinalizando cautela quanto a possíveis cortes.
Em reação, os investidores elevaram fortemente as apostas de que o Fed cortará juros em setembro, o que fez os rendimentos dos Treasuries desabarem e o dólar mergulhar ao redor do mundo.
No Brasil, a taxa do DI para janeiro de 2027 -- que às 9h25, antes do payroll, registrou a máxima de 14,390% (+4 pontos-base) -- despencou para 14,310% (-4 pontos-base) às 9h31, um minuto após o payroll. Depois, atingiu a mínima de 14,165% (-19 pontos-base) às 13h10.
“Os movimentos vieram de certa forma dos Estados Unidos, com a divulgação de um payroll mais fraco que o esperado, o que aumentou as apostas de que o Fed pode cortar os juros já em setembro”, resumiu Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, em comentário escrito.
“Esse movimento impacta diretamente o mercado de juros no Brasil. As taxas futuras recuam em toda a curva, com os contratos precificando uma Selic mais baixa já em 2025 e possibilidade de cortes ainda no fim deste ano”, acrescentou.
No exterior, às 16h41 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- despencava 14 pontos-base, a 4,216%.