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Charge: O momento 'De Volta para o Futuro' da Rússia

Economia 25.05.2022 15:34
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Por Geoffrey Smith

Investing.com -- As sanções do mundo ocidental contra a Rússia, elaboradas como punição por sua invasão da Ucrânia, estão mesmo funcionando?

À primeira vista, parece que não. O rublo atingiu a maior alta em quatro anos na terça-feira, de acordo com a negociação oficial na bolsa de Moscou. Mesmo levando em conta o fato de que o câmbio do rublo não é mais flutuante, e sim controlado com firmeza pelo banco central, ainda é uma recuperação impressionante em relação a fevereiro, quando o pânico de venda corporativo de das famílias conduziu o rublo a uma nova mínima de 120 por dólar.

O país parece agora ter eliminado a ameaça de colapso financeiro a curto prazo. O banco central já reverteu grande parte do programa de emergência acionado em fevereiro, reduzindo a sua taxa básica de juros de 20% para 14% e, desde segunda-feira, permitindo às empresas manterem uma parcela maior das divisas estrangeiras que ganham por meio das exportações (a maior parte continuará sendo convertida em rublos de qualquer forma, a fim de cobrir salários e impostos).

Mesmo a ocorrência de uma inadimplência soberana será consequência direta do controle do governo dos EUA sobre o sistema financeiro internacional, em vez de expressão da capacidade ou vontade da Rússia em efetuar pagamentos. O Ministério das Finanças faz questão de dizer isso ao mundo, toda vez que envia pagamentos de juros aos bancos dos EUA que os distribuem aos titulares russos de Eurobonds.

A Rússia tampouco aparenta correr qualquer perigo de ficar sem dinheiro para lutar a sua guerra. É certo que os dados mensais de orçamento destacados pelo The Moscow Times sugerem que as despesas com a defesa mais que dobraram para cerca de US$ 300 milhões por dia em abril, mas, ao mesmo tempo, as receitas que o Kremlin recebe das suas exportações de petróleo e gás também subiram de forma incisiva desde que a geopolítica colocou o seu peso na balança que equilibra a oferta e a procura.

Porém, estabilidade financeira é uma coisa, e desempenho econômico é outra. Pode não ser acentuado o bastante para desencadear o tipo de agitação social que o Ocidente gostaria de ver, mas inúmeros indicadores ainda sugerem que o país está caminhando rumo a um prolongado declínio no padrão de vida.

A realidade é que as empresas ocidentais têm sido a principal fonte de capital, tecnologia e experiência de gestão que carregou a economia russa para a modernidade após 70 anos de ruína autoimposta sob o comunismo. Essas empresas estão agora retirando seu capital, seus produtos e seu know-how. Algumas dessas saídas serão relativamente indolores: enquanto empresas como Nestlé (SIX:NESNEE), McDonald's (SA:MCDC34) (NYSE:MCD) (NYSE:MCD) e Heineken (SA:HEIA34)(OTC:HEINY) saem, seus novos proprietários certamente continuarão a produzir hambúrgueres e cerveja comparáveis por alguns anos usando o equipamento que herdaram. A perda de artigos de luxo pode ser mais prejudicial, embora apenas para pequeno segmento da população que poderia comprá-los.

No entanto, a retirada dos produtos industriais é um assunto mais grave. Sem componentes provenientes do exterior, as fábricas construídas por empresas como a Volkswagen (ETR:VOWG) (ETR:VOWG_p), a Ford (SA:FDMO34)(NYSE:F) e a Renault (EPA:RENA)(EPA:RENA) nos últimos 20 anos em breve não terão nada a produzir. Sem peças sobressalentes da Boeing (SA:BOEI34)(NYSE:BA) (NYSE:BA), Airbus (EPA:AIR), Rolls-Royce (LON:RR) (OTC:RYCEY) e Safran (EPA:SAF) (EPA:SAF), os aviões que formam hoje a espinha dorsal da frota da Aeroflot terão de ser mantidos em solo, ou canibalizados por peças de reposição. Em qualquer um dos casos, eles perderão suas certificações internacionais de aeronavegabilidade com a expiração das licenças de software e dos prazos para as verificações de segurança dos fabricantes. Serviços empresariais essenciais, como seguros, contabilidade e telecomunicações, também ficarão mais difíceis de encontrar em todos os setores da economia, assim como - de forma crítica - dispositivos médicos e medicamentos como insulina.

A Governadora do Banco Central, Elvira Nabiullina, advertiu a Duma no mês passado que a economia enfrenta o que ela chamou, diplomaticamente, de "transformação estrutural", quando os estoques pré-guerra se esgotarem. Andrey Klias, assessor sênior do partido de Putin, o Rússia Unida, expressou a questão em termos bem mais duros na semana passada:

"O programa de substituição de importações falhou completamente. Não há nada além de relatórios de bravado de vários departamentos. Nosso povo vê isso, tanto em bens de consumo quanto em muitas outras áreas", escreveu Klitas em seu canal no Telegram.

Os fabricantes de automóveis, em particular, representam um problema para as autoridades, com as suas enormes forças de trabalho que constituem o coração da vida econômica de cidades inteiras, como Togliatti e Kaluga. Não é de admirar que a cidade de Moscou, depois de tomar de volta as chaves da fábrica da Renault na semana passada, imediatamente disse que vai ressuscitar o Moskvich - o arquetípico tijolo soviético - em vez de dar o doloroso passo de demissões em massa.

Portanto, há uma catastrófica fuga de cérebros a se considerar. Estima-se que 300 mil russos, principalmente os trabalhadores bem educados e produtivos segundo os relatos das histórias, já abandonaram o país desde fevereiro. Mais de 100 mil estão só na Turquia, de acordo com a Reuters. Muitos mais gestores expatriados de cargos chave de gerência também fugiram: Na Rosneft, o diretor financeiro de fato, Didier Casimiro, o chefe do varejo, Avril Conroy, o diretor de serviços, Eric Liron, assom como o chefe de offshore, Zeljko Runje, deixaram a empresa este mês. Espere uma aceleração na fuga de capital humano se - apesar das garantias de Putin em oposição - o alistamento do exército for expandido à medida que a guerra se arrasta.

Mais importante ainda, pelo menos para o modelo econômico de Putin, o país lutará para sustentar a produção de petróleo à medida que perder acesso a empresas norte-americanas como Schlumberger (SA:SLBG34) (NYSE:SLB), Halliburton (SA:HALI34)(NYSE:HAL) e Baker Hughes (SA:B1KR34)(NASDAQ:BKR).

A grave escassez da década de 1980 pode estar ainda muito longe, mas as forças de isolamento internacional e de perversidade econômica que as criaram já estão há muito em ação, e o resultado final será, em última análise, praticamente o mesmo.

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Comentários (6)
Rodrigo Alves
Rodrigo Alves 26.05.2022 9:04
Salvo. Ver Itens salvos.
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Enquanto o ocidente fica no mimimi, como será que estão as tratativas com a China?
Victor Andre
Victor Andre 25.05.2022 23:51
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uniao sovieti..quer dizer russia
Adriano Santos
Adriano Santos 25.05.2022 22:08
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Russia vai se isolar do mindo e ficar a mercê da china mesmo? Cuidado putin… a populacao pode acabar precisando se alimentar a base de sopa de morcego!
Claudio M Br
Claudio M Br 25.05.2022 22:03
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Se o câmbio é artificialmente controlado pelo BC, não faz o menor sentido dizer que a cotação tem alguma credibilidade. Ditaduras sempre matam, mentem e manipulam. Só alienado pra acreditar em ditaduras.
Paulo Coitim
Paulo Coitim 25.05.2022 22:03
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sim de fato, mesmo sendo manipulado, mas e quem nos garante também que as moedas "que se dizem as fortes do mundo" também não sao manipuladas para cima em detrimento às de oitros países de fora do clubinho privado G7
EWERTON MARCUZZO
EWERTON MARCUZZO 25.05.2022 17:46
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Paridade do poder de compra da Rússia equivale ao da Alemanha. Qual o problema? Vai se reinventar e produzir tudo com matérias primas e tecnologias locais ou chinesa.A corrida tecnológica começou com a Rússia lançando o primeiro satélite artificial e levou o primeiro homem ao espaço. Desenvolvimento tecnológica iniciado com ninguém menos que Stalin! Um país comunista?! Inacreditável!
Ricardo Luiz Bertol
Ricardo Luiz Bertol 25.05.2022 17:46
Salvo. Ver Itens salvos.
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e como foi que acabou mesmo....O isolamento que estão se expondo ou sendo expostos, vai inviabilizar esse crescimento.
Ricardo Luiz Bertol
Ricardo Luiz Bertol 25.05.2022 17:46
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e como foi que acabou mesmo....O isolamento que estão se expondo ou sendo expostos, vai inviabilizar esse crescimento.
Ricardo Luiz Bertol
Ricardo Luiz Bertol 25.05.2022 17:46
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e como foi que acabou mesmo....O isolamento que estão se expondo ou sendo expostos, vai inviabilizar esse crescimento.
Ricardo Luiz Bertol
Ricardo Luiz Bertol 25.05.2022 17:46
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e como foi que acabou mesmo....O isolamento que estão se expondo ou sendo expostos, vai inviabilizar esse crescimento.
EWERTON MARCUZZO
EWERTON MARCUZZO 25.05.2022 17:46
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Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Rússia sabe onde está o crescimento econômico e, agora, pouco interesse tem na Europa. O futuro está na Ásia com seu desenvolvimento e aumento no poder aquisitivo. Lamentável que a Europa se tornou um quintal dos americanos...
Elias Dionizio
Elias Dionizio 25.05.2022 15:49
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Este comentário já foi salvo nos seus Itens salvos
Uma realidade que as russetes insistem em não ver, a Rússia deu um tiro no pé, vai ficar isolada, atrasada e totalmente no colo da China, que vai explorar como bem e pagar o preço que quiser essa, oportunidade de adquirir comodites baratas.
 
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