Londres, 7 out (EFE).- Os fundos de alto risco, cuja falta de
regulação contribuiu à crise econômica, receberam a bênção dos
hierarcas da Igreja Anglicana.
Em carta ao comitê seleto para a União Europeia da Câmara dos
Comuns, os comissários dessa igreja, preocupados pela sua riqueza,
expressaram sua preocupação pelo plano de Bruxelas de regular essa
indústria, informa hoje o diário "Financial Times".
"Nos preocupa que, como está redigida, a direção (europeia)
restrinja significativamente nossa capacidade de gerar fundos para
realizar nossas missões de caridade e de quebra nosso impacto de
fazer o bem público", assinala a carta.
O último ano foi desastroso para os investimentos da Igreja
Anglicana, que caíram de 5,7 bilhões de libras em 2007 a apenas 4,4
bilhões em 2008.
"Maximizar a rentabilidade de nossas bolsas de investimentos é
essencial para cumprir a missão encomendada a nossas fundações em
benefício da sociedade", acrescenta a carta, segundo a qual "a
minuta de direção, apesar suas boas intenções, ameaça esse
objetivo".
As fundações se dizem preocupadas concretamente por três aspectos
da direção: a proibição que os investidores europeus invistam em
fundos extracomunitários, a obrigação que os fundos utilizem bancos
registrados na UE e os limites que se trata de impor ao recurso da
"alavancagem financeira" (a realização de operações com um elevado
nível de endividamento).
Em lugar de "impor restrições" que "reduziriam nossa liberdade",
a UE deveria centrar seus esforços em exigir transparência para que
os investidores possam "formar sua própria opinião".
Em plena crise financeira, o setembro passado, o próprio primaz
anglicano que hoje pede liberdade para os fundos, criticou as
aplicações mais especulativas, enquanto o arcebispo de York chamou
"ladrões de bancos" a que se lucram especulando com a depreciação
dos ativos.
Ao escutar essas críticas, os gerentes de fundos "hedge" ou de
alto risco lhes lembraram aos eclesiásticos que boa parte da riqueza
da Igreja Anglicana estava investida precisamente nesses
instrumentos de alto risco. EFE