"Zona Eleitoral" é uma coluna de notas sobre as eleições gerais deste ano, produzida pelos jornalistas da Reuters no Brasil
6 Set (Reuters) - Em meio a temores de que os atos de 7 de Setembro saiam do campo institucional e ganhem ar eleitoral, ou até assumam tom golpista, autoridades no comando de importantes instituições da República decidiram não participar do desfile oficial em Brasília, para o qual o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) convocou aliados em uma tentativa de demonstração de força.
O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), decidiu que não estará presentes nos atos do Bicentenário. O parlamentar não explicou os motivos, mas usou como contraponto sessão solene a ser realizada no Congresso Nacional em 8 de setembro para marcar o bicentenário, que, segundo ele, será uma "solenidade verdadeiramente cívica".
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também não participará dos atos de Bolsonaro, seu aliado, e cumprirá agenda de campanha em Alagoas, sua base eleitoral. O deputado retorna a Brasília na noite da quarta-feira e participa, na quinta, da solenidade no Congresso.
MORAES TAMBÉM
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, um dos alvos preferenciais de ataques de Bolsonaro e de seus apoiadores, também não estará presente na comemoração do 7 de Setembro em Brasília, segundo uma fonte.
No ano passado, justamente no feriado da Independência, Bolsonaro chamou Moraes de "canalha" em um discurso recheado de ataques ao magistrado, que é relator de uma série de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente e seus aliados.
VALIDADO
Por unanimidade, os ministros do TSE decidiram nesta terça validar o registro de Bolsonaro e do seu candidato a vice, o general Walter Braga Netto (PL), pela coligação "Pelo Bem do Brasil" (PP-PL-Republicanos). Os magistrados seguiram o voto do presidente do TSE e relator do registro de Bolsonaro, Alexandre de Moraes, que considerou que a coligação apresentou toda documentação para habilitá-lo a disputar do pleito.
O TSE rejeitou um pedido apresentado por um cidadão para impugnar a candidatura de Bolsonaro por suposta inércia da Procuradoria-Geral da República (PGR) em investigar crimes do chefe do Executivo. Moraes disse que o pedido carecia de elementos mínimos para prosperar.
BANDEIRA DE TODOS
O programa eleitoral na tevê do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça, véspera do Bicentenário da Independência, teve o mote de recuperar a bandeira nacional e o "verde e amarelo", que têm sido símbolos dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) nos últimos anos.
"A nossa bandeira é nossa pátria. Pátria amada. Não é de quem propaga ódio e quer armar o povo, nem de racistas preconceituosos. O verde e amarelo pertence a todas as cores desse país", afirma texto narrado pela atriz Marieta Severo na propaganda petista.
"Ela é minha, é sua. Ela é esperança e vai voltar a tremular no alto, no mundo, enchendo de orgulho seu único dono: o povo brasileiro."
USO PARA MENTIRA
No programa, que foi ao ar na véspera do feriado de 7 de Setembro, Lula também aparece afirmando que a data deve ser celebrada "com alegria e união por todos os brasileiros. Infelizmente não é o que acontece hoje".
"Eles usam nossa bandeira para mentir, pregar o ódio e incentivar a venda de armas", afirma o ex-presidente na propaganda petista.
Bolsonaro, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto atrás de Lula, tem convocado apoiadores às ruas no feriado em uma tentativa de mostrar força diante de seus constantes embates com o Poder Judiciário e das frequentes alegações falsas sobre o sistema eleitoral.
BARRADO
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro barrou nesta terça-feira o registro de candidatura do deputado federal Daniel Silveira (PTB) ao Senado. O tribunal já tinha formado maioria na semana passada, e a decisão agora foi confirmada pelo placar de 6 a 1.
O parlamentar foi condenado no ano passado a 8 anos e 9 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por praticar e estimular atos antidemocráticos, mas o presidente Jair Bolsonaro concedeu-lhe um perdão. A Justiça Eleitoral entendeu que, apesar da graça, o deputado está inelegível. "O indulto extingue os efeitos primários da condenação, ou seja, a execução da pena, mas não atinge os efeitos secundários extrapenais“, informou o TRE.
A defesa de Silveira, que aparece apenas em sexto lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
PARABÉNS PARA VOCÊ
Sem eventos externos de campanha nesta terça, Lula participou de reunião de coordenação de campanha em um hotel na zona sul de São Paulo e, num trecho aberto à imprensa, fez um discurso.
Mas, no início da reunião, as atenções voltaram-se para a presidente do PT, Gleisi Hoffman, aniversariante do dia, com os presentes cantando o tradicional "Parabéns para você" para a deputada que, mesmo completando 57 anos, disse que seria ela a dar o presente.
"Hoje o pão de queijo e o café são por minha conta", brincou, em vídeo divulgado na conta de Lula no Twitter.
(Por Lisandra Paraguassu, Ricardo Brito, Eduardo Simões, Rodrigo Viga Gaier e Maria Carolina Marcello)