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Dezenas de milhares protestam contra governo Dilma em cidades de todo país

Publicado 15.03.2015, 14:29
© Reuters.  Dezenas de milhares protestam contra governo Dilma em cidades de todo país

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas protestavam nas ruas de diversas cidades do país, neste domingo, em manifestações convocadas contra o governo da presidente Dilma Rousseff.

Vestidos com as cores da bandeira brasileira, os manifestantes que foram às ruas reclamam principalmente da corrupção, em meio ao escândalo na Petrobras investigado pela operação Lava Jato, e dos problemas econômicos enfrentados pelo país.

Os protestos têm mantido um caráter pacífico, ao contrário das manifestações ocorridas em junho de 2013, ocasião em que foram registrados atos de vandalismo e confrontos entre policiais e manifestantes.

As manifestações foram convocadas pelas redes sociais. A maioria dos grupos organizadores defende o impeachment da presidente, usando como argumentos uma suposta corrupção no governo do PT, o escândalo da Petrobras e os altos custos com impostos e tarifas, entre outras reclamações.

Em Brasília, cerca de 45 mil pessoas se concentraram na Esplanada dos Ministérios e em frente ao Congresso Nacional, que chegou a ter seu espelho d´água invadido por alguns manifestantes, segundo informações da Polícia Militar, que mobilizou um efetivo de 1,6 mil homens neste domingo.

Na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, mais de 15 mil pessoas se aglomeraram para protestar, segundo a PM, enquanto organizadores estimaram o número de manifestantes em 30 mil.

"O brasileiro tem que se manifestar realmente e não pode se calar diante desses escândalos e roubalheira que vemos no Brasil", disse a comerciaria Márcia Santos, que vestia uma camisa verde-amarela. Muitos manifestantes carregavam faixas contra o governo e o PT.

De acordo com a polícia, cerca de 5 mil pessoas compareceram à manifestação em Salvador; 3,5 mil pessoas protestaram no Recife, 10 mil em Fortaleza e 5 mil em Manaus.

Em São Paulo, onde o protesto foi marcado para a parte da tarde, aproximadamente 9 mil pessoas já se concentravam na área central da capital. Cidades do interior do Estado, como Campinas, também reuniram milhares de manifestantes, de acordo com a polícia.

"O povo está se sentindo traído", disse o publicitário Diogo Ortiz, de 32 anos, referindo-se à Petrobras como "vergonha nacional e internacional". "Eu quero impeachment mesmo", acrescentou, mesmo admitindo que as chances são pequenas e que este domingo pode se tornar um evento isolado sem resultados efetivos.

"MATURIDADE DEMOCRÁTICA"

Sempre que questionada sobre as manifestações populares, como o panelaço em várias capitais durante seu pronunciamento na TV no domingo passado, Dilma tem repetido que fazem parte da democracia.

Em mensagem publicada no Facebook na tarde do sábado, Dilma disse valorizar o fato de que as pessoas podem se manifestar livremente. "Sou a favor da democracia. Espero que amanhã (domingo), o Brasil prove a sua maturidade democrática", disse a presidente.

A presidente pediu a alguns de seus ministros que ficassem em Brasília neste domingo para acompanhar os protestos, e deve realizar uma reunião no fim do dia para avaliar as manifestações.

O protesto contra o governo acontece dois dias após sindicatos de petroleiros e movimentos sociais realizarem manifestações a favor da Petrobras e da presidente Dilma, mas em escala menor do que o movimento deste domingo.

Os organizadores dos protestos deste domingo afirmam que os movimentos não estão ligados a partidos políticos, mas legendas de oposição declararam adesão às manifestações.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), derrotado por Dilma na eleição presidencial do ano passado, convocou a militância tucana para ir às ruas protestar, ressalvando, porém, que o impeachment não faz parte da agenda do partido.

CENÁRIO COMPLICADO

O governo de Dilma enfrenta um quadro de inflação cada vez mais alta, atividade econômica fraca, piora no mercado de trabalho e turbulência política com a base governista.

A esse cenário, soma-se o maior escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, ao qual estão ligados funcionários, políticos e partidos e as maiores empreiteiras do país.

Com as manifestações deste domingo, Dilma se junta a outros dois presidentes que enfrentaram protestos populares no período da redemocratização: Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso.

Collor acabou sofrendo o impeachment, enquanto Fernando Henrique reverteu em parte a baixa popularidade do início de seu segundo mandato, superando inclusive uma campanha com ampla participação de petistas que tinha o slogan "Fora FHC".

(Reportagem de Maria Carolina Marcello e Leonardo Goy, em Brasília; Pedro Fonseca, Rodrigo Viga Gaier e Caio Saad, no Rio de Janeiro; Caroline Stauffer, em São Paulo)

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