Aneel deve parcelar dívida de geradoras de energia, beneficiando Petrobras

Publicado 24.03.2016, 16:56
Atualizado 24.03.2016, 17:00
© Reuters.  Aneel deve parcelar dívida de geradoras de energia, beneficiando Petrobras

Por Luciano Costa e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - Cerca de 3 bilhões de reais em dívidas de geradores no mercado de energia, que têm a Petrobras (SA:PETR4) como maior credora, deverão ser parcelados em até seis vezes e com juros de mercado, segundo proposta de acordo que deverá ser aprovada na reunião de diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na próxima terça-feira.

Segundo duas fontes com conhecimento direto do assunto, o acordo foi selado em uma reunião na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) entre os maiores devedores e os maiores credores --a Petrobras estimou recentemente ter cerca de 1,5 bilhão de reais a receber.

O acerto vem após a petroleira ter enviado carta ao Ministério de Minas e Energia em que ameaçou desligar suas termelétricas caso a dívida não fosse quitada, conforme antecipou a Reuters.

Os atrasos nos pagamentos começaram na metade do ano passado, quando hidrelétricas que sofriam perdas financeiras por estarem gerando abaixo do previsto devido à seca foram à Justiça e conseguiram liminares para não cumprir com as obrigações no mercado de curto prazo de energia, administrado pela CCEE.

No final de 2015, o governo federal negociou um acordo para que as geradoras retirassem as liminares em troca de uma compensação parcial para essas perdas.

Ao aceitar a proposta, a maior parte das geradoras retirou as liminares, mas há empresas com dificuldades para quitar agora a dívida acumulada durante o período de proteção judicial.

Uma das fontes afirmou que o parcelamento envolverá 3 bilhões de reais, mas uma dívida de cerca de 900 milhões de reais permanecerá no mercado, devido às geradoras que não aceitaram a compensação do governo e ainda possuem liminares para não quitar os débitos na CCEE.

"O governo agora terá que correr atrás de derrubar essas liminares", disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

Por outro lado, afirmou a fonte, há até expectativa de que algumas geradoras optem por quitar suas dívidas à vista, uma vez que a adesão ao parcelamento será opcional.

"Quem está com maior dificuldade para levantar os recursos são as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, cujas dívidas são elevadas", disse.

Essas usinas, no rio Madeira, em Rondônia, já têm diversas turbinas em operação, mas ainda estão em obras, e as empresas alegam que têm dificuldades para quitar os débitos porque ainda estão investindo nos empreendimentos.

Jirau tem como principais sócios a Tractebel (SA:TBLE3), controlada pela francesa Engie, a japonesa Mistui (8031.T) e a Eletrobras (SA:ELET3), enquanto Santo Antônio tem como maiores acionistas Cemig (SA:CMIG4) e Eletrobras.

As empresas citadas não comentaram imediatamente o assunto.

A segunda fonte, do governo, disse que caberá à Aneel referendar as condições do parcelamento, como a suspensão de multas pelo atraso nos pagamentos.

"Para quem tem a receber, é melhor parcelar do que ficar sem receber, e a proposta prevê juros de mercado", disse.

O início dos pagamentos acontecerá na próxima liquidação financeira do mercado de curto prazo, referente às operações de janeiro, que será realizada em 18 e 19 de abril.

Últimos comentários

Instale nossos aplicativos
Divulgação de riscos: Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos nesse site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas nesse site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos nesse site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos nesse site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.
A versão em inglês deste acordo é a versão principal, a qual prevalece sempre que houver alguma discrepância entre a versão em inglês e a versão em português.
© 2007-2025 - Fusion Media Limited. Todos os direitos reservados.