Megaoperação policial dá ao governo argumento para retomar aperto a fintechs que gerou crise do Pix
Por Paula Arend Laier
(Reuters) - O presidente-executivo do Bradesco (BVMF:BBDC4), Marcelo Noronha, afirmou nesta quinta-feira que a carteira de crédito do banco está "absolutamente" segura, destacando a opção de crescer em portfólios com garantias.
"Nós estamos operando mais efetivamente em modalidades bem mais seguras, o que garante uma tranquilidade no nosso portfólio", afirmou o executivo em entrevista a jornalistas, após a publicação do balanço de segundo trimestre na véspera.
Noronha acrescentou que a expectativa do banco é de que o custo de crédito não mostre nenhum desvio até o final do ano, citando em coletiva de imprensa que as safras de crédito estão controladas, incluindo no segmento rural.
No segundo trimestre, o custo de crédito do Bradesco subiu para 3,2%, de 3,0% no primeiro trimestre, enquanto a carteira de crédito aumentou 1,3% na base trimestral, para R$1,018 trilhão.
Na bolsa paulista, as ações preferenciais do banco avançavam 0,7%, a R$15,77, na contramão do Ibovespa, que caía 0,78%, em meio a repercussão do resultado, que ainda mostrou lucro líquido recorrente de R$6,1 bilhões no período, um pouco acima do esperado, com melhora em rentabilidade.
O executivo reiterou o guidance do banco -- incluindo a revisão em duas linhas -- para o ano, que sinaliza desaceleração no crescimento do crédito, afirmando que, em relação à economia o Bradesco está com o "pé no chão".
Ele citou que a atividade está desacelerando, que há uma redução de demanda com a taxa de juros no nível atual. "Uma hora desacelera a economia", pontuou. Na véspera, o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano e ressaltou que antecipa uma manutenção da taxa por período bastante prolongado.
RURAL, CONSIGNADO
Noronha reiterou a intenção do banco de aumentar a presença em operações com o agronegócio, afirmando que há muita oportunidade de crescer e destacando que o Bradesco é o principal player privado.
Ele pontuou, contudo, que o banco tem sido seletivo em relação aos clientes, culturas e regiões, e opera bastante "colateralizado" o que, entre outros fatores, explica um índice de inadimplência "absolutamente controlado". "Nós estamos muito tranquilos", reforçou.
Questionado sobre o aumento de pedidos de recuperação judicial no setor, ele afirmou que é algo que "sabe que existe", mas não tem nenhum desvio nesse sentido no Bradesco, "nada de relevante".
No crédito consignado privado, ele afirmou que o banco não "enfiou o pé no acelerador" no segundo trimestre, preferindo esperar ele ficar mais "azeitado", mas que agora que o produto está começando a rodar melhor planeja acelerar a sua atuação. "Nós vamos acelerar e ganhar mercado."
Noronha também afirmou que o banco deixou de fazer cerca de R$7 bilhões em operações de risco sacado com a cobrança do IOF determinada em decreto em maio, mas que agora, com a suspensão dessa medida, essas operações estão voltando.
"Mas volta (de forma) mais lenta, porque algumas empresas tomaram decisões de ir por caminhos diferentes, porque depois ficaram dúvidas se isso retorna", afirmou.
MAGNITSKY, TARIFAS
Questionando sobre a Lei Magnitsky, dos Estados Unidos, usada pelo governo norte-americano contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Noronha afirmou que o banco aguarda pareceres de escritórios dos EUA para chegar a uma conclusão definitiva sobre sua abrangência.
"Tem uma lei, a lei é feita para cumprir, como temos negócio lá (nos EUA)", reforçou.
A Lei Magnitsky permite que os EUA imponham penalidades econômicas contra estrangeiros que considerem ter um histórico de corrupção ou abusos de direitos humanos.
Ao anunciar a decisão, os EUA acusaram Moraes de autorizar prisões arbitrárias antes do julgamento e de suprimir a liberdade de expressão. Moraes é relator do processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu acusado de tramar um golpe de Estado após perder a eleição presidencial de 2022.
O presidente do Bradesco minimizou potenciais efeitos para o banco oriundos da tarifa de 50% para produtos brasileiros confirmada pelo governo do presidente Donald Trump na véspera, com várias exceções.
"Temos uma torcida aqui para as partes conseguirem resolver diplomaticamente", acrescentando que, após o desfecho de ontem, para o Brasil, o impacto é pequeno, embora algumas empresas, setores específicos possam sofrer mais. Para o banco, ele disse que não vê nenhum impacto com um mínimo de materialidade.
Trump impôs na quarta-feira uma tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros, mas suavizou o golpe ao excluir setores como aeronaves, energia e suco de laranja das taxas mais pesadas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira que o governo vai recorrer da medida.
(Por Paula Arend Laier, edição Alberto Alerigi Jr. e Michael Susin)