Países do Brics resistem a rótulo de "antiamericanos" após ameaça de tarifas de Trump

Publicado 07.07.2025, 11:45
© Reuters. Líderes do Brics posa para foto durante reunião de cúpula do grupo no Rio de Janeiron07/07/2025 REUTERS/Ricardo Moraes

Por Manuela Andreoni e Lisandra Paraguassu

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As nações em desenvolvimento que participam da cúpula do Brics nesta segunda-feira rechaçaram uma acusação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o bloco é "antiamericano", ao passo que o líder norte-americano ameaçou os países do grupo com tarifas comerciais adicionais de 10%.

A ameaça de Trump na noite de domingo ocorreu no momento em que o governo dos EUA se prepara para finalizar dezenas de acordos comerciais com uma série de países antes do prazo de 9 de julho para a imposição de "tarifas retaliatórias" significativas.

"As tarifas não devem ser usadas como uma ferramenta de coerção e pressão", disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em Pequim. O Brics defende a "cooperação ganha-ganha", acrescentou ela, e "não tem como alvo nenhum país".

Na mesma linha, o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, negou a intenção de fazer algo contra os Estados Unidos e disse considerar os EUA "um grande parceiro".

"Se você for jogar sempre na base de ameaças, a tarifa, você vai acabar desgastando a si próprio, porque os outros países vão procurar alternativas, vão negociar entre si", avaliou Amorim em entrevista à CNN Brasil durante a cúpula.

"O Brasil é um dos poucos países que têm déficit (comercial) com os EUA. Então eu acho, sinceramente, que se eles começarem a aplicar tarifa no Brasil, é um tiro no pé."

A África do Sul, que foi alvo de tarifas comerciais de 30% pelos EUA, posteriormente suspensas enquanto se aguardam negociações comerciais, reafirmou que "não é antiamericana", disse o porta-voz do Ministério do Comércio, Kaamil Alli, acrescentando que as negociações com o governo dos EUA "continuam construtivas e frutíferas".

Um porta-voz do Kremlin disse que a cooperação da Rússia com o Brics se baseia em uma "visão de mundo comum" e "nunca será direcionada contra terceiros países".

A Índia não forneceu imediatamente uma resposta oficial a Trump.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos repórteres que só faria comentários após o encerramento da cúpula. Seu discurso de abertura para os líderes do Brics reunidos no Rio de Janeiro nesta segunda-feira concentrou-se nas questões ambientais e de saúde pública na agenda oficial da cúpula.

Um diplomata brasileiro que não estava autorizado a comentar oficialmente disse que a ameaça de Trump ressaltou a importância do Brics para dar às nações em desenvolvimento uma maneira de defender regras básicas globais justas e eficazes em tópicos como o comércio.

Muitos membros do Brics e muitas das nações parceiras do grupo são altamente dependentes do comércio com os Estados Unidos.

O ministro sênior de economia da Indonésia, Airlangga Hartarto, que está no Brasil para a cúpula do Brics, deve ir aos EUA na segunda-feira para supervisionar as negociações sobre tarifas comerciais, disse uma autoridade à Reuters.

A Malásia, que estava participando como país parceiro e foi alvo de tarifas de 24% impostas pelos EUA, posteriormente suspensas, afirmou que mantém políticas econômicas independentes e não está focada em alinhamento ideológico.

DIPLOMACIA MULTILATERAL

Com fóruns como o G7 e o G20, grupos das principais economias, prejudicados por divisões e pela abordagem perturbadora "America First" de Trump, o Brics tem se apresentado como um refúgio para a diplomacia multilateral em meio a conflitos violentos e guerras comerciais.

Em uma declaração conjunta divulgada na tarde de domingo, os líderes da cúpula condenaram o recente bombardeio contra o país membro Irã e alertaram que o aumento das tarifas comerciais ameaça o comércio global, continuando sua crítica velada às políticas tarifárias de Trump.

Horas mais tarde, Trump advertiu que puniria os países que tentassem se juntar ao grupo.

O Brics original reuniu líderes do Brasil, Rússia, Índia e China em sua primeira cúpula em 2009. Posteriormente, o bloco acrescentou a África do Sul e, no ano passado, incluiu Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos como membros.

A Arábia Saudita não aceitou formalmente um convite para ser membro pleno, mas está participando como país parceiro. Mais de 30 nações manifestaram interesse em participar do Brics, seja como membros plenos ou parceiros.

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