A transformação digital no setor financeiro tem remodelado a forma como as transações são realizadas, trazendo mais agilidade, conveniência e acessibilidade para milhões de usuários. Nesse cenário, as fintechs desempenham um papel fundamental, democratizando o acesso a serviços bancários e de pagamento, tornando as operações financeiras mais eficientes.
Nos últimos anos, o Brasil tem se consolidado como um dos principais mercados para as fintechs. Somente no primeiro semestre de 2024, 2.712 novas fintechs foram registradas no país, sendo 35,9% focadas no segmento transacional, segundo dados do Distrito. Isso evidencia a crescente busca por soluções financeiras ágeis, como o uso de cartões de crédito, carteiras digitais e plataformas de pagamento. Além disso, 7,37% das fintechs atuam no modelo de marketplace, e 47,35% são voltadas para o público B2B, reforçando a demanda por serviços personalizados para empresas.
O avanço das fintechs e a digitalização dos meios de pagamento impulsionaram um crescimento significativo das transações eletrônicas no Brasil. Segundo a ABComm, o volume do e-commerce brasileiro registrou uma alta de 14% em 2024, refletindo a adesão cada vez maior dos consumidores às compras online e às soluções digitais.
Paralelamente a esse crescimento, as tentativas de fraude também se intensificaram. Dados do DataFolha mostram que, a cada hora, mais de 4 mil brasileiros são alvos de golpes financeiros, muitos deles via aplicativos de mensagens e chamadas telefônicas. Com fraudadores se tornando mais sofisticados, proteger as transações digitais tornou-se uma prioridade para consumidores e empresas.
Uma pesquisa recente da fintech Koin revelou que 62,4% dos brasileiros já sofreram alguma tentativa de golpe virtual. Os golpes mais comuns, 41,8% em sites de compras, 20,6% via WhatsApp, 18,6% relacionados ao Pix, 13,9% por phishing (roubo de dados) e 5,2% por tentativa de roubo de senha. Esse cenário reforça a necessidade de soluções que garantam transações seguras, sem comprometer a experiência do usuário.
Para combater fraudes, as fintechs e demais players do mercado financeiro têm apostado em estratégias híbridas, combinando tecnologia avançada com práticas tradicionais de segurança. Algumas das soluções que estão no radar incluem Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML), que permitem a detecção de padrões suspeitos e a prevenção de fraudes em tempo real; autenticação biométrica, que fortalece a verificação de identidade, dificultando golpes por roubo de credenciais; blockchain, que garante maior transparência e rastreabilidade nas transações, dificultando esquemas de fraude e lavagem de dinheiro; e revisão manual estratégica, que conta com análises humanas que refinam os modelos antifraude, evitando bloqueios injustos e aprimorando a experiência do usuário.
No entanto, a segurança financeira não depende apenas de tecnologia. A colaboração entre fintechs, bancos e órgãos reguladores é essencial para criar um ecossistema mais seguro. O compartilhamento de informações sobre ameaças emergentes permite que instituições financeiras ajam de forma preventiva, evitando ataques em larga escala.
O fortalecimento da segurança digital passa também pela conformidade regulatória. Normas como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Open Finance exigem que fintechs adotem medidas rigorosas no tratamento de dados, garantindo que a inovação ocorra sem comprometer a privacidade dos usuários.
Além disso, a educação financeira tem um papel crucial na redução de fraudes. Muitos golpes exploram a falta de conhecimento dos consumidores sobre segurança digital. Campanhas de conscientização podem ajudar os usuários a identificar tentativas de fraude e adotar práticas mais seguras no uso de serviços financeiros digitais.
Entretanto, mesmo com todos esses avanços, os criminosos continuam inovando. O uso de deepfakes para falsificação de identidade, ataques baseados em IA e golpes cada vez mais sofisticados desafiam constantemente os sistemas de segurança. Para mitigar esses riscos, as fintechs precisam evoluir continuamente e equilibrar a inovação com a proteção dos usuários.
O futuro da segurança financeira dependerá da integração entre tecnologia, regulamentação e conscientização. Ao adotar soluções cada vez mais inteligentes e fortalecer a colaboração entre os diferentes agentes do setor, será possível garantir um ambiente digital mais seguro para empresas e consumidores.