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Ações do Setor de Defesa Levam a Coreia do Norte a Sério; o S&P 500 Ainda Não... Ainda

Publicado 11.09.2017, 14:12
Atualizado 02.09.2020, 03:05
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por Clement Thibault

Dê uma olhada rápida no S&P 500, o principal índice de ações dos EUA. Hoje, ele está em 2.461 pontos, meros 29 pontos de distância de sua máxima intradiária histórica de 2.490. Estamos 1,2% distantes do mais alto nível da referência na história.

Agora, olhe para o VIX, algumas vezes chamado de índice do medo. Neste verão, o índice teve mínimas sem precedentes, com o VIX flutuando em torno de 10 durante grande parte de julho e agosto. Mesmo que tenha recentemente chegado a atingir 12, ainda presenciamos uma das sequências mais calmas do VIX na história.

Olhando para esses dois indicadores sem qualquer conhecimento de contexto geopolítico, você poderia presumir que tudo estava bem com o mundo. Mercado acionário em máximas recordes e volatilidade baixa deveriam indicar que a economia norte-americana estaria no ponto de crescimento saudável enquanto a paz e a prosperidade reinavam sem qualquer nuvem no horizonte.

Infelizmente, como qualquer pessoa atenta sabe, esse não é o caso. Enquanto alguns acreditam que o crescimento econômico está acontecendo (observando o PIB do último trimestre), a paz mundial e a calmaria política não estão em exibição. Deixando de lado os assuntos internos dos EUA — incluindo destruição e recuperação do furacão, o debate adiado do teto da dívida, incerteza contínua quanto à imigração e a possibilidade cada vez menor de reforma fiscal — o mercado acionário parece estar deixando completamente de lado um possível ponto de conflito internacional: a Coreia do Norte.

Coreia do Norte afia espadas; retórica norte-americana

Durante os últimos meses, a Coreia do Norte tem provocado a Coreia do Sul, o Japão e os EUA ao testar repetidamente mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs, na sigla em inglês). Em 29 de agosto, Pyongyang enviou um míssil sobre o Japão; mais mísseis recentes da Coreia do Norte parecem capazes de atingir o Havaí e o Alasca, embora outros pareçam atingir possivelmente a Califórnia.

Há apenas uma semana, a nação isolada testou o que disse ser uma bomba de hidrogênio, seu maior e mais poderoso teste até agora. Embora seja um país relativamente pequeno e empobrecido economicamente, Kim Jong-Un, presidente da Coreia do Norte, acredita que o poder nuclear poderia nivelar o jogo, e aumentar a proeminência de seu país, com um único disparo bem-sucedido criando um golpe devastador.

Mesmo sem poder nuclear, a Coreia do Norte poderia liberar seu poder militar convencional na Coreia do Sul, forçando os EUA a intervir. Os norte-coreanos e seu líder parecem determinados a continuar com essa trajetória de ameaça.

Em resposta aos testes norte-coreanos e provocações, Donald Trump, presidente norte-americano, nada conhecido por um comportamento moderado, afirmou:

"[A Coreia do Norte] terá como resposta fogo e fúria como esse mundo nunca viu antes".

De acordo com assessores de Trump, as palavras do presidente foram improvisadas no calor do momento. Em resposta, Kim Jong-Un ameaçou criar um "fogo envolvente" em torno de Guam, protetorado norte-americano.

Embora uma guerra em grande escala pareça improvável, a retórica preocupa. Mas, aparentemente, não tanto para o S&P 500.

Uma guerra comercial iminente?

Uma guerra de fato seria obviamente desastrosa para as duas nações bem como para os vizinhos asiáticos próximos. Caso acontecesse, a economia e o mercado de ações seriam nossas menores preocupações. Entretanto, há uma possível guerra econômica em preparação também. Trump disparou o primeiro "tiro" no início da manhã de domingo, 3 de setembro, via Twitter:

Claro, qualquer país que faça negócios com a Coreia do Norte inclui Rússia, Coreia do Sul e, bem, o maior parceiro comercial dos EUA, a China. E a China não só "faz negócios" com a Coreia do Norte, ela sustenta sozinha o país isolado, sendo responsável por 4/5 do volume total de comércio da Coreia do Norte.

O volume total de negócios entre EUA e China é estimado em cerca de US$ 650 bilhões por ano em bens e serviços. Quase tudo é comprado e vendido entre os dois países, criando uma codependência que obviamente leva a uma relação mais estável, tornando-os menos propensos a ir à guerra. Em suma, os EUA não podem simplesmente cortar a Coreia do Norte da China sem se prejudicarem ao cortarem seus próprios laços com a gigantes nação asiática.

Naturalmente, o impacto de uma guerra comercial seria refletido no mercado de ações, tanto em nível macro quanto em uma escala menor, por empresa. Por exemplo, a Apple (NASDAQ:AAPL) teria dificuldades para fabricar seu iPhone 8 sem as fábricas chinesas que lidam com a produção e montagem do smartphone. A Apple sem o iPhone não é a Apple atualmente avaliada em US$ 837 bilhões, nem sua avaliação permaneceria em qualquer lugar próximo a isso se não pudesse entregar seu produto emblemático.

De forma similar, quase todas as empresas fabricantes de processadores, e nisto estão incluídas Qualcomm (NASDAQ:QCOM), Nvidia (NASDAQ:NVDA), e Intel (NASDAQ:INTC), seriam afetadas.

Entre empresas fora do setor de tecnologia, cassinos seriam os mais atingidos, com Wynn Resorts (NASDAQ:WYNN), Las Vegas Sands (NYSE:LVS) e MGM Resorts International NYSE:MGM) tomando os maiores golpes em receitas e ativos, uma vez que os três investiram muito em Macao.

Sanções da ONU acrescentam outra camada de complicações

Além disso, os EUA estão pressionando a votação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ainda hoje, impondo sanções adicionais à Coreia do Norte antes de qualquer lançamento adicional de mísseis. Tais sanções incluiriam um embargo sobre o petróleo, uma interrupção nas exportações têxteis que são um componente crítico da economia do país e uma proibição financeira e de viagens ao país liderado por Kim Jong-Un. Nesta manhã, Pyongyang alertou que os EUA pagarão o "devido preço" se quaisquer sanções severas forem promulgadas através da ONU.

"Mercados racionais" já surpreenderam antes

Como os mercados podem lidar com isso? Muitas vezes, confiamos no conhecimento coletivo do mercado até demais, e presumimos que as decisões agregadas de operadores e investidores são um indicador confiável do risco de um evento futuro.

Isso se mostrou falso em diversas ocasiões, especialmente no ano passado ou mesmo antes. O resultado surpreendente do referendo do Brexit e o resultado inesperado das últimas eleições norte-americanas em novembro são dois exemplos excelentes e muitos recentes. Embora tanto o FTSE do Reino Unido e os futuros do S&P 500 tenham caído com as notícias imediatas, ambos se corrigiram rapidamente depois. E pouco tempo depois que as notícias norte-americanas foram totalmente "digeridas", um novo SPX em alta emergiu, nos levando à máxima histórica que estamos vendo agora.

Ações do setor de defesa como um alerta inicial?

SPX x Ações do Setor de Defesa, desde julho

Claramente, o mercado como um todo prefere ficar bem. Considerando-se presumido que os índices de referência dos EUA cairiam antes dos riscos potenciais e muito sérios, eles tranquilamente subiram. Investidores de ações do setor de defesa, entretanto, responderam de forma bem diferente à ameaça em curso da Coreia do Norte.

Ações do setor de defesa em 4 de julho, gráfico de 60 minutos

Em 4 de julho, o dia do primeiro lançamento de um ICBM feito pela Coreia do Norte, ações do setor de defesa responderam drasticamente. A maioria das corporações do setor de defesa encerraram o dia em alta de mais de um por cento considerando que o S&P 500 estagnou devido às notícias, encerrando o dia em baixa de apenas 0,3%.

Desempenho de ações do setor de defesa, 29 de agosto; Gráfico de 15 minutos

Quase todas as ações do setor de defesa saltaram novamente em 29 de agosto, quando a Coreia do Norte lançou um míssil sobre o norte do Japão. Novamente, a reação é consistente com o que vimos até agora: ações do setor de defesa em alta de 1,4% a 2% devido às notícias, ao passo que o S&P ignorava isso, encerrando em alta de 0,1% no dia.

Desde então, já que a linguagem se tornou mais beligerante e as ameaças mais ousadas, ações do setor de defesa continuaram a avançar. Quase todas as maiores empresas do setor estão em alta ao se comparar com o início de julho (veja o gráfico, no início da página). A Lockheed Martin (NYSE:LMT) subiu 8%, a Raytheon (NYSE:RTN) ganhou 10%, a Elbit Systems (NASDAQ:ESLT) teve alta de 12%, a Teledyne (NYSE:TDY) avançou 16% e a Boeing (NYSE:BA) saltou 18%.

Parece que o mercado pode "recompensar' empresa por um evento futuro possível sem punir os membros remanescentes do índice para os riscos de eventos futuros gerados pelo mesmo evento. Isso não parece um comportamento coerente e consistente. Se o risco de uma escalada militar está precificado em algumas empresas, ou seja, ações do setor de defesa, não deveria estar precificado em baixa no resto do mercado?

Isso não quer dizer que uma guerra de fato com a Coreia do Norte ou mesmo uma guerra comercial irão começar amanhã, ou mesmo ocorrer. É apenas um lembrete de que o futuro é, por padrão, incerto.

É possível que o S&P 500 caia mil pontos devido às ameaças de um ditador? Claro que não.

No entanto, há claramente algum tipo de escalada em curso, conforme foi sinalizado tanto por iniciativas da Coreia do Norte como por ações do setor de defesa. Contudo, parece que o mercado acionário dos EUA como um todo continua a ser irracional e desatento às surpresas de risco de eventos — bem como ocorreu no passado recente.

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