Reinvestir os dividendos tende a ser vantajoso. Em primeiro lugar, porque a prática ajuda a acelerar os resultados e permitir que o investidor atinja suas metas antes do programado. Afinal, os valores de proventos recebidos se somarão ao montante já investido com regularidade. Além disso, reinvestir dividendos contribui para reduzir o preço médio dos ativos presentes na carteira, ajudando a ampliar o potencial de retorno do portfólio.
Vale lembrar que o recebimento de dividendos é proporcional à participação do investidor na empresa ou no fundo. Portanto, reinvestir dividendos permite aumentar essa participação e, consequentemente, o total de recursos recebidos em eventuais novos repasses. Resumindo, o reinvestimento dos proventos consiste em usar a quantia recebida para comprar novos ativos no mercado financeiro.
Para quem ainda é leigo ou tem pouco conhecimento do mercado financeiro vale a pena saber que os dividendos são um dos tipos mais comuns de proventos distribuídos no mercado financeiro. Eles representam parcelas do lucro líquido de empresas ou fundos de investimentos que são distribuídos aos investidores.
Para ficar mais fácil entender, vamos supor que um determinado investidor comprou ações da Petrobras (BVMF:PETR4). Além de obter rentabilidade por meio da valorização dos papéis, ele também receberá um percentual do lucro líquido da empresa, nos períodos determinados para que ela faça essa distribuição. A razão para isso é que o ato de comprar ações torna o investidor sócio da companhia. Daí ele ter direito ao provento.
Os repasses acontecem em dinheiro e são encaminhados diretamente para a conta de investimentos do acionista ou cotista. Com isso, muitos investidores fazem movimentações com foco em dividendos para transformar a carteira em uma fonte de renda passiva. Outro tipo usual de provento são os juros sobre capital próprio (JCP). A principal diferença entre ambos é a tributação. Enquanto os dividendos são isentos de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas, o JCP prevê o recolhimento de uma alíquota de 15% direto na fonte.
No Brasil, as companhias têm autonomia para decidirem a frequência de distribuição e a porcentagem do lucro líquido para repassar, mas elas são obrigadas a fazer esse tipo de pagamento pelo menos uma vez ao ano. É importante ressaltar que os recebimentos acontecerão apenas se houver registro de lucro líquido.
Quem acha que só investimentos em ações possibilita retorno por meio de dividendos está enganado. Existem outros tipos de aplicações que oferecem a mesma oportunidade de ganho. Também é possível receber dividendos ao se tornar um cotista de Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs). Negociados na Bolsa de Valores brasileira, a B3 (BVMF:B3SA3), os FIIs se destacam por fazerem operações relacionadas ao mercado imobiliário. Por lei, os FIIs são obrigados a distribuírem pelo menos 95% do lucro líquido aos cotistas a cada semestre.
Os Fundos de Investimentos em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) também podem fazer distribuição de dividendos, mas isso depende de regra definida na constituição de cada fundo, pois a legislação não obriga o repasse. Por fim, os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), certificados negociados na B3 com lastro em investimentos internacionais também pagam este tipo de provento.
Um ponto positivo dos BDRs é que eles são uma alternativa para investidores brasileiros acessarem ativos estrangeiros de maneira mais prática. Os BDRs são lastreados em ações, cotas de exchange traded funds (ETFs) internacionais ou outros ativos. Quando esses investimentos externos fazem distribuição de dividendos, os donos de BDRs também podem receber a parte correspondente dos proventos. E o melhor, em dólares.
Voltando ao foco deste artigo, o reinvestimento dos dividendos não pode ser feito de forma automática, sem verificar o momento da companhia ou do fundo onde o dinheiro está alocado. Até ali, houve lucro líquido e, consequentemente, a distribuição proporcional desses lucros aos cotistas. Mas como todo mundo sabe, o mercado de renda variável é volátil e o que está bom hoje pode não estar bom amanhã.
Sendo assim, é preciso saber como colocar essa estratégia de reinvestimento em prática. O primeiro passo é selecionar os investimentos que terão esse foco na carteira. Vale a pena analisar os fundamentos das empresas e dos fundos de investimentos para encontrar ativos com potencial de serem bons pagadores de dividendos. Indicadores como o dividend yield (DY) e o dividend payout (DP) podem ser usados nas análises com esse foco.
Depois de escolher os ativos e investir neles, deve-se acompanhar a agenda de dividendos. Todo o processo de repasse é calendarizado e supervisionado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desse modo, dá para saber de antemão quando ocorrerá a distribuição e quanto será pago. Após o pagamento dos rendimentos, pode ser necessário complementar a quantia para os novos investimentos caso o investidor esteja no início da jornada no mercado financeiro. É natural que no começo, pela quantia aplicada ser pequena, o montante de dividendos recebido não ser suficiente para comprar novas ações ou cotas.
Com paciência, a cada reinvestimento adquire-se um número maior de ações ou cotas, o que aumenta também o percentual de participação do investidor na empresa ou fundo. Quanto mais cotas, mas retorno em forma de dividendos. E a operação é simples. Basta acessar a conta no banco de investimentos, conferir o montante recebido e fazer novas movimentações por meio do home broker. A partir daí é só usufruir do potencial desse reinvestimento nos resultados do portfólio.