Terminado o primeiro mês de 2012 é preciso um balanço sobre os principais acontecimentos.
Nos mercados de ativos, o maior destaque acabou sendo a bolsa de valores, com a melhor rentabilidade de janeiro em muitos anos. Ao fim, o Ibovespa rendeu 11,1%, fechando o mês a 63.072 pontos. Contribuiu para isto a melhoria do cenário europeu com a Grécia avançando no seu processo de negociação com os credores privados. Isto porque os credores parecem ter aceito o deságio de 70% na troca de títulos velhos por novos com o governo grego.
Além disto, as principais blue chips, PETROBRAS e Vale deram uma desanuviada nesta terça-feira, a primeira, pela mudança de presidência, com Graça Foster considerada pelo mercado melhor qualificada para a função do que o anterior, José Gabrielli. No caso da Vale, o fato de ter conseguido uma liminar revertendo os efeitos da tributação sobre lucros no externo, no valor de cerca de US$ 8 bilhões acabou ajudando.
No desempenho mensal da bolsa paulista, grande foi a contribuição também dos investidores estrangeiros, que deixaram R$ 6,5 bilhões até o dia 27 passado. Este caminha para ser o maior ingresso de recursos para o mês de janeiro desde o início da série histórica da bolsa de valores. Por outro lado, o investidor doméstico, depois da perda de 18,1% no ano passado, ainda se mostra cauteloso em relação à bolsa de valores. Neste início de janeiro, a saída de recursos da Bolsa superou a entrada em pessoa física (-R$ 2,541 bilhões), investidores institucionais (-R$ 2,77 bilhões), empresas privadas e públicas (-R$ 319,7 milhões) e instituições financeiras (-R$ 859 milhões).
Neste ingresso de investidores externos, a grande beneficiária acabou sendo a PETROBRAS, com uma escalada de cotação próxima a 18% em janeiro. A petroleira brasileira avançou US$ 38 bilhões no mês até o dia 29. É a segunda maior alta do mundo, atrás apenas da Apple, que subiu US$ 39 bilhões. O resultado recupera parte das perdas de US$ 72 bilhões do papel no ano passado, que foi a segunda maior do mundo.
Na visão dos grafistas, embora alguma realização possa ocorrer por estes dias, a tendência do IBOVESPA neste início de 2012 é de alta, podendo até romper a resistência dos 64 mil pontos nos próximos dias. Superado isto, a bolsa brasileira deve buscar os 70 mil pontos.
Dentre os setores olhados com atenção para os próximos dias estejamos atentos à construção civil, siderurgia, mineração e óleo e gás.
Na análise da economia como um todo em janeiro, observamos o governo Dilma conduzindo bem sua política econômica com uma sintonia fina cuidadosa entre a recuperação da economia e a política de controle de demanda, visando evitar perder o controle da inflação. Na reunião do COPOM, mais um corte de juro foi sancionado, de 0,5 ponto percentual, considerado acertado, no intuito de se proteger da crise externa.
Enfim, um janeiro promissor para os investidores, nos parecendo que este ano não será como o mesmo que passou. Será melhor, embora a volatilidade ainda esteja no radar dos investidores, dada a profunda crise que se abate sobre a zona do euro.
Julio Hegedus Netto, by JHN CONSULTING