O selo da verdade
Tenho defendido alguns pontos aqui no M5M que, com o Brasil dividido no meio (ou perto disso) e intolerante à opinião contrária (de ambos lados), têm incomodado muita gente.
Duas das principais questões dizem respeito a: (i) o status de recessão técnica com inflação sem muito controle e (ii) a falácia de que a crise brasileira vem de fora.
Matéria do Estado de S. Paulo desta sexta-feira traz a seguinte manchete: Ipea contradiz governo e admite recessão técnica do País.
“Divulgada sem alarde no site do Ipea, a Carta de Conjuntura derruba dois dogmas do discurso do governo federal. O Ipea reconhece a "recessão técnica", ou seja, a queda da atividade econômica por dois trimestres consecutivos. O governo rejeita esse conceito. O instituto, vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE), também nega que a crise mundial seja a única explicação para o fraco resultado do Produto Interno Bruto (PIB) registrado ao longo dos últimos quatro anos.”
Confesso que dá certo alívio...
Além de ser um carimbo aos pontos aqui defendidos, pois veio de órgão do governo, mostra uma reação de uma instituição oficial ao uso eleitoreiro a que fora exposta.
Após episódios como o adiamento da publicação de dados supostamente desfavoráveis para depois das eleições, a revisão de indicadores ruins ao governo após a divulgação ou o pedido de desoneração de funcionários do órgão por discordarem de veto à divulgação de estudos, estaríamos completamente no escuro?
Talvez haja uma luz no fim do túnel...
A onda de otimismo (virou?)
Nada como um dia após o outro. Nesta sexta-feira especialmente faz-se necessária, posteriormente, a releitura do M5M de ontem.
Tratamos nele, além da perda de credibilidade dos dados do governo, da suposta onda de otimismo com a economia e suas variáveis demonstrada pelas pesquisas eleitorais mais recentes.
Também sobre como os mercados podem sim ser um fator não de reação às pesquisas como Ibope e Datafolha, mas para antecipar as mesmas; uma vez que os grandes bancos de investimento estão rodando trackings diários e embutindo os seus resultados nos preços dos ativos.
E as grandes variações do mercado têm de fato antecipado os resultados publicados posteriormente pelos grandes institutos de pesquisa...
Trocando em miúdos, há sustância na virada dos mercados nesta sexta, novamente com destaque para a expressiva alta das ações de estatais?
Estaria ela no debate da Globo, na capa da Veja ou na previsão de chuvas para São Paulo?
Há algum sustância sim, e pode estar além dessas questões.
O Grande Gapsby
Você deve ter uma aposta, feeling ou esperança para o resultado para o domingo. Todos têm.
Mas dificilmente alguém tem certeza do que irá acontecer.
A única certeza, neste ponto, é que na segunda-feira muito pode mudar para os mercados, mesmo se não houver mudança na presidência.
Isso é um tanto óbvio, não?
Nem tanto...
O que está em jogo são duas propostas completamente distintas para a área econômica, com impactos inegáveis (e opostos) sobre o seu bolso, ok.
A despeito da virada dos mercados nesta sexta, os ativos em geral atribuem maior probabilidade de vitória para Dilma, mas não a precificam na integridade, e há um prêmio de risco embutido nos preços (de não dar o cenário mais provável). Falamos sobre isso no decorrer da semana.
Ou seja, há uma lacuna nos preços que inevitavelmente será corrigida.
A segunda-feira abrirá com um gap enorme.
O título mundial em jogo
As ações, o câmbio, os juros são prova cabal do quão distantes são os dois cenários possíveis. Neste rali eleitoral com hora para acabar, a grande protagonista, ou antagonista, foi a Petrobras.
De certa forma, os mercados também mostram isso, à sua maneira.
Segundo levantamento da Bloomberg, a volatilidade média de 90 dias de PETR disparou para 69 pontos segundo o levantamento, contra uma média de 19 pontos das 100 maiores empresas do mundo em valor de mercado.
Trocando em miúdos, a ação da estatal petrolífera brasileira é a mais volátil do mundo no momento. Isso mesmo, além da maior dívida corporativa, ela também carrega o título mundial de ação mais volátil. Trata-se, obviamente, da influência de um evento específico sobre o papel. Que não durará para sempre.
Que tal embarcar nessa montanha-russa?
Como multiplicar por 6x em 20 dias
Há uma forma consciente de embarcar na montanha-russa da Petro. Antifragilidade típica talebiana.
Muita atenção para o “consciente”. Trata-se de uma estratégia para perder. Para você entrar se (e somente se) dispor de um dinheiro que não lhe fará falta, que você não conta. Fique claro, esse requisito é condição sine qua non, indispensável para você seguir às próximas linhas. Reitera-se: você, provavelmente, vai perder dinheiro.
Hoje os mercados atribuem favoritismo à reeleição de Dilma, certo?
A ação da Petrobras é negociada na casa de R$ 16,5 no momento que escrevo. Mas, no intervalo do rali eleitoral, desde março, flutuou de um range entre R$ 12,57 (piso) e R$ 24,90 (teto).
A alocação estratégica mais inteligente que você pode tomar, pensando em maior probabilidade de confirmação da eleição de Dilma e a reação imediata do mercado, é partir para a defensividade. Buscar ficar longe de ações de estatais, próximo de alta de juros, ações com forte geração de caixa como AmBev e com exposição líquida positiva a dólar, como Embraer, Fibria ou Suzano.
Paralelamente, você pega esse dinheiro que não conta, esperando mesmo perdê-lo, e compra opções de compra de Petrobras (calls) beeeem fora do dinheiro, ou para cima, distantes da cotação atual, pensando em valorização substancial no caso de vitória de Aécio.
Se você colocar R$ 5 mil na opção PETRK24, com vencimento em 17 de novembro, preço de exercício de R$ 24,16, e custo de R$ 0,37 por opção no momento que escrevo, e caso a vitória de Aécio se confirme, levando a uma valorização substancial das ações até um patamar de R$ 27 por ação por exemplo, você multiplicaria o capital colocado nas opções por 6x.
Em caso de confirmação de Aécio, não descartaria uma busca de PETR4 por um valor próximo de R$ 27, contando que no meio do rali eleitoral, com probabilidade de vitória de oposição pouco superior a 50%, elas encostaram em R$ 25.
Mas, repito: é uma aposta, para colocar um dinheiro que você não conta, ciente de que está entrando inicialmente para perder.