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O caso do SVB e o controle de duration em portfólios bancários

Publicado 05.05.2023, 06:05
Atualizado 09.07.2023, 07:32
SIVBQ
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O controle de duration de títulos de renda fixa é uma prática comum no mercado financeiro, especialmente em portfólios bancários. A duration é uma medida de sensibilidade dos preços dos títulos às mudanças nas taxas de juros. Ela leva em consideração o tempo até o vencimento, o valor presente dos fluxos de pagamento de cupons dos títulos e a taxa de juros. Assim, títulos com maior duration são mais sensíveis às mudanças nas taxas de juros do que títulos com menor duration.

O controle de duration em portfólios bancários é importante porque os bancos geralmente mantêm grandes quantidades de investimentos em renda fixa em seus balanços. Esses títulos podem ser usados para gerar renda por meio de juros ou para fins regulatórios, como atender aos requisitos de capitais mínimos e níveis prudenciais. Além disso, os bancos precisam gerenciar o risco de mercado associado a esses títulos, especialmente em um ambiente de taxas de juros voláteis.

Tendo em vista que os bancos possuem reserva fracionada, ou seja, não possuem caixa em paridade com os depósitos, a possibilidade de um “run on the bank” (corrida ao banco, numa tradução livre, ou seja, as pessoas retirarem seus recursos em massa do banco gerando uma crise de liquidez) gera a necessidade de se ter uma reserva em ativos de alta liquidez e baixo risco, como os títulos públicos.

Uma das técnicas mais comuns de gerenciamento de duration é a combinação de títulos com diferentes durations em um portfólio diversificado. Por exemplo, um banco pode combinar títulos de curto prazo com títulos de longo prazo para atingir uma duration desejada. Isso reduz o risco de exposição a mudanças nas taxas de juros, uma vez que os títulos de curto prazo são menos sensíveis às mudanças nas taxas de juros do que os títulos de longo prazo.

Outra técnica usada pelos bancos é o uso de contratos de derivativos financeiros, como os swaps de taxa de juros. Os swaps de taxa de juros permitem que os bancos gerenciem o risco de uma mudança abrupta na taxa de juros. Por exemplo, um banco pode usar um swap de taxa de juros para fixar a taxa de juros em um título de longo prazo e reduzir a sensibilidade da duration do título a mudanças nessas taxas.

Os bancos também podem usar outras técnicas de gerenciamento de risco, como a diversificação de seus investimentos em títulos entre diferentes setores e emissores, ou a seleção cuidadosa dos títulos individuais em seus portfólios. A escolha de títulos de alta qualidade de emissores confiáveis e bem capitalizados pode reduzir o risco de inadimplência e perda de valor dos títulos em caso de mudanças nas condições de mercado.

Porém, tendo em vista que os recentes aumentos nas taxas de juros dos países desenvolvidos (especialmente os Estados Unidos e a União Europeia) a fim de se diminuir as taxas de inflação desses países, os títulos adquiridos anteriormente dessas instituições financeiras sofreram perdas na marcação a mercado, gerando “buracos” em seus balanços.

Esse foi o caso do Silicon Valley Bank, nos Estados Unidos. Eles possuíam títulos com uma duration maior, e quando houve uma demanda maior por liquidez em um espaço menor de tempo, ou seja, quando as retiradas aumentaram em valor, o banco teve de vender esses títulos antecipadamente, gerando perdas na ordem de bilhões de reais.

Assim, gera-se uma pergunta: qual o nível de probabilidade de uma situação parecida ocorrer também numa instituição bancária brasileira? A resposta é que a probabilidade é bem menor devido a três pontos principais. Primeiramente, o Brasil é um país com uma economia mais acostumada a mudanças bruscas nas taxas de juros, tanto em viés de aumento quando de diminuição. Assim, os bancos brasileiros já possuem um gerenciamento de duration mais conservador do que os bancos dos Estados Unidos. 

Um outro ponto que também diminui a probabilidade de algo como o SVB (OTC:SIVBQ) acontecer no Brasil é que os níveis prudenciais de capitais adotados pelo Banco Central Brasileiro são mais conservadores do que os adotados nos Estados Unidos, tendo em vista que o setor bancário é menos regulado nesse país em comparação ao Brasil. Portanto, com maiores níveis de liquidez, o efeito de uma “bank run” seria menor.

Finalmente, muitos dos investimentos feitos por bancos estão em títulos com taxa variável, ou seja, que remuneram a Selic ou o CDI (ou um múltiplo desses). Esses tipos de investimentos em títulos de renda fixa sofrem menos problemas de duration, pois os efeitos das marcações a mercado são menores do que em títulos de valores pré-fixados, como são normalmente os bonds americanos.

 

*Rodrigo Leite é Professor Adjunto de Finanças e Controle Gerencial no Instituto COPPEAD de Administração da UFRJ. É também contador e Consultor da Fundação COPPETEC. Foi Consultor do Banco Mundial.

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