Brasil e China unirão vozes contra unilateralismo e protecionismo, diz Lula ao lado de Xi

Publicado 13.05.2025, 09:09
Atualizado 13.05.2025, 12:25
© Reuters. Lula e Xi Jinping em Pequimn14/04/2023nKen Ishii/Pool via REUTERS

Por Eduardo Baptista e Lisandra Paraguassu

PEQUIM/BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, defenderam nesta terça-feira, durante encontro em Pequim, o multilateralismo e o livre comércio, e exaltaram a parceria entre os dois países em meio à guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos.

Em sua fala ao lado do líder chinês, Lula classificou a relação Brasil e China como "nunca tão necessária" em um mundo instável, imprevisível e fragmentado.

"China e Brasil estão determinados a unir suas vozes contra o unilateralismo e o protecionismo. A defesa intransigente do multilateralismo é uma tarefa urgente e necessária", disse o presidente brasileiro.

"Guerras comerciais não têm vencedores. Elas elevam os preços, deprimem as economias e corroem a renda dos mais vulneráveis em todos os países."

O presidente chinês também afirmou, em sua fala, que ninguém vence uma guerra tarifária e que os dois lados devem se opor ao protecionismo e a "atos de bullying", citando indiretamente a guerra tarifária implementada pelos EUA.

A China foi o principal alvo das tarifas norte-americanas, com taxas que chegaram a 145%. No domingo, Estados Unidos e China concordaram em reduzir temporariamente as tarifas recíprocas em um acordo no qual os EUA reduzirão as tarifas extras impostas às importações chinesas em abril deste ano de 145% para 30%, e as taxas chinesas sobre as importações dos EUA cairão de 125% para 10%. Já o Brasil teve tarifas de 10% impostas pelos EUA em produtos gerais e 25% em aço e alumínio.

Lula está em Pequim para uma visita oficial de Estado de quatro dias e para participar do Fórum China-Celac juntamente com outras autoridades latino-americanas e caribenhas.

A defesa do multilateralismo, que ganhou mais força depois da guerra tarifária norte-americana, foi destacada também na declaração presidencial da visita, divulgada pelo governo brasileiro.

"As partes trabalharão em conjunto para defender o multilateralismo, salvaguardar a equidade e a justiça internacionais, além de rejeitar o unilateralismo, o protecionismo e a busca por hegemonia, para tornar a ordem e o sistema internacionais mais justos e equitativos e promover um mundo multipolar", diz o texto, que destaca ainda o acordo entre China e Brasil de atuarem de forma conjunta em foros multilaterais, como o Brics e o G20, em defesa das instituições de governança global.

O encontro desta terça-feira foi o terceiro de Lula com Xi desde que o presidente brasileiro tomou posse em janeiro de 2023, ressaltando o estreitamento das relações do Brasil com a China, seu maior parceiro comercial.

Na segunda visita de Lula à China em dois anos, os dois presidentes acompanharam a assinatura de 20 acordos de cooperação e memorandos de entendimento, dando sequência aos mais de 40 documentos assinados em 2024, durante a visita de Xi Jinping ao Brasil.

Entre os acordos, alguns negociados pelo Brasil há bastante tempo, como a liberação da exportação de Grãos Secos de Destilaria (DDG, na sigla em inglês), um subproduto da produção de etanol de milho usado na alimentação de animais, cuja produção tem crescido no Brasil.

Também na área agrícola, foram assinados protocolos fitossanitários para a exportação de carne de frango, também uma área em que o Brasil pretende ampliar a exportação para a China. Como mostrou a Reuters, o Brasil já tem cerca de 45% a 50% do mercado chinês, enquanto os EUA ocupam outros 30%. Em meio à guerra tarifária, o governo brasileiro vê espaço para ampliar sua participação ainda mais.

Os acordos incluem ainda a extensão de um acordo para lançamento de mais dois satélites para captação de imagens para uso ambiental e agrícola, e um projeto de parceria para troca de tecnologia em recuperação de áreas degradadas.

Em seu discurso, Lula afirmou também que conversou com Xi sobre investimentos em infraestrutura no Brasil, assim como transição energética. Uma missão chinesa esteve no Brasil para analisar possibilidades de investimento e o governo brasileiro espera o anúncio da participação dos chineses em várias obras, especialmente na área de transportes -- entre elas, ferrovias que ligam o Atlântico ao porto de Chancay, no Peru, construído pela China.

De acordo com o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, empresas chinesas devem participar do consórcio para construção do túnel entre Santos e Guarujá, uma obra de R$ 6 bilhões.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu, em Brasília, e Eduardo Baptista, em Pequim)

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