Dólar avança no exterior antes de dados de inflação, mas pode ter mês negativo

EdiçãoJulio Alves
Publicado 29.08.2025, 07:48

Investing.com – O dólar operava com leve alta na manhã desta sexta-feira, em um pregão marcado pela cautela antes da divulgação de dados relevantes de inflação. Ainda assim, a moeda caminha para encerrar o mês com desvalorização, em meio à crescente expectativa de cortes na taxa básica dos Estados Unidos.

Às 7h45 de Brasília, o Índice do Dólar, que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de seis moedas principais, registrava alta de 0,19%, a 97,925 pontos. No acumulado de agosto, contudo, projeta-se recuo de 1,8%.

No acumulado do ano, a queda já se aproxima de 10%, refletindo o movimento de fuga de investidores para ativos alternativos diante da instabilidade gerada por mudanças abruptas na política comercial dos EUA.

Expectativa pelo PCE guia os mercados

O dólar permaneceu dentro de uma faixa estreita de negociação nesta sexta-feira, enquanto agentes aguardam a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), métrica preferida pelo Federal Reserve para monitorar a inflação.

Projeções indicam que o núcleo do PCE tenha mantido variação mensal de 0,3%, o que levaria a taxa acumulada em 12 meses a 2,9%.

“Uma leitura um pouco acima das expectativas poderia gerar uma resposta moderada do dólar, mas seria insuficiente para alterar a convicção do mercado em torno de um corte em setembro, sobretudo após o discurso dovish de Powell em Jackson Hole”, escreveram analistas do ING em relatório.

Investidores também acompanham com atenção sinais de que tarifas amplas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, estejam se refletindo nos preços ao consumidor, após a inflação ao produtor ter surpreendido positivamente.

Embora o Fed tenha reduzido os juros em 1 ponto percentual no ano passado, a autoridade monetária manteve a taxa inalterada ao longo de 2025, o que gerou críticas públicas do presidente.

Risco político pressiona o dólar

A moeda americana perdeu força nos últimos dias, após a tentativa de Trump de afastar a diretora do Fed, Lisa Cook, sob acusação de fraude hipotecária, episódio que reacendeu temores sobre ingerência política na condução da política monetária.

Na quinta-feira, Cook entrou com ação judicial contestando a autoridade do presidente para destituí-la do cargo, abrindo espaço para um embate institucional que pode testar os limites da independência do banco central norte-americano.

“Embora o mercado permaneça focado em dados de curto prazo, os riscos de baixa para o dólar aumentaram, dada a deterioração do pano de fundo político”, afirmou o ING.

Inflação na Europa em destaque

Na zona do euro, o EUR/USD recuava 0,1%, sendo negociado a 1,1693, após a leitura preliminar mostrar que a inflação ao consumidor na França avançou menos que o esperado em agosto: alta anual de 0,8%, ante 0,9% em julho.

Na Espanha, a taxa harmonizada manteve-se estável em 2,7% em termos anuais. Já os dados da Alemanha devem ser conhecidos ao longo do dia, antecedendo a divulgação da prévia de agosto para a zona do euro, programada para a próxima terça-feira.

O Banco Central Europeu manteve sua taxa básica em 2% na reunião de julho. Desde então, os indicadores têm sinalizado resiliência da economia da região, com a inflação orbitando a meta de 2% do BCE.

“As atas da última reunião do BCE indicaram que, embora o Conselho de Governadores não esteja tão sensível à valorização do euro quanto se imaginava, vários membros apontaram para riscos descendentes na inflação. Em nossa visão, isso torna exagerada a precificação atual de um corte de 10 pontos-base até o fim do ano”, avaliou o ING.

O GBP/USD caía 0,3%, cotado a 1,3475.

Sessão sem surpresas na Ásia

Nos mercados asiáticos, o USD/JPY subia 0,1%, para 147,01, após a divulgação de que a inflação ao consumidor de Tóquio desacelerou em linha com as estimativas em agosto. Ainda assim, pressões subjacentes persistentes mantêm abertas as apostas em um possível aperto adicional por parte do Banco do Japão.

Por outro lado, a produção industrial japonesa registrou contração mais acentuada do que o previsto em julho, impactada por restrições comerciais. As vendas no varejo também frustraram as expectativas.

Entre outras divisas da região, o USD/CNY avançava 0,1%, a 7,1325, enquanto o AUD/USD ganhava 0,1%, para 0,6535.

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