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Chocolates de Páscoa com preços ‘salgados’? Cotação recorde do cacau é a culpada

Publicado 25.03.2024, 15:04
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Investing.com – Com a proximidade das comemorações de Páscoa, o consumidor percebe nos supermercados e em sites de vendas online preços mais caros e com quantidades menores em muitos produtos, como barras e caixas de bombons. Ainda que a demanda mais aquecida nesta época do ano possa fazer os preços subirem, entre os motivos para a alta nos valores dos chocolates, de forma geral, está a cotação do cacau, commodity necessária para a sua produção.

"As indústrias estão moendo agora as amêndoas de cacau compradas há três meses, em média, mas claro que isso pode variar de acordo com a política de suprimentos de cada empresa. Considerando esse intervalo de três meses, as indústrias estão moendo hoje um cacau de USD 4,2 mil/t, média do preço de dezembro em Nova Iorque. Já haverá reflexos nos preços nesta Páscoa, dado que durante o ano de 2023 o cacau já havia subido 63% em Nova Iorque e 56% no Brasil (referência Ilhéus, BA). Esse ano o cacau já acumula mais 111% de alta em NY, o que deve refletir no preço do chocolate durante os próximos meses. A partir do segundo semestre vamos começar a entender melhor os impactos desse novo cenário global", detalha Francisco Queiroz, analista da consultoria agro do Itaú BBA.

A elevação nos preços fará as celebrações da data comemorativa menos doce e com maior gasto, que, segundo especialistas, é motivado pelo rali histórico dos cotações do cacau, que dobraram de preço desde o início deste ano. Com chocolate a preços salgados, um folheto da varejista Americanas (BVMF:AMER3), por exemplo, chegou a indicar possibilidade de comprar Ovos de Páscoa usando o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), causando alvoroço nas redes sociais.

Alta do cacau infla preços

A cotação dos futuros do cacau em Nova Iorque com contrato para maio deste ano atingia US$9.650,00 na tarde desta segunda-feira, 25. Há um ano, custava em torno de US$2.900.

Para os futuros negociados em Londres, com vencimento também em maio, a cotação atinge 8.226 libras esterlinas, enquanto no ano passado, na mesma época, estava abaixo de 2.200 libras esterlinas.

Fonte: Investing.com

Fonte: Investing.com

Queiroz, do Itaú BBA, afirma que a disparada do preço do cacau reflete problemas climáticos que afetaram a safra dos principais produtores mundiais e que deve resultar em déficit do produto no mercado global. “Os dois maiores produtores de cacau do mundo são Costa do Marfim e Gana que, juntos, respondem por cerca de 60% da produção. A Costa do Marfim, principal produtor global, sofreu com um clima mais seco em 2023. Depois, veio um período com excesso de chuvas para o país, o que contribuiu para a proliferação de doenças do cacaueiro, principalmente a do broto inchado e, agora, o El Niño, que impõe clima mais seco e mais quente para a região oeste da África”.

O analista do Itaú BBA menciona ainda outro fator climático que prejudica a produção dos países da África Ocidental: a movimentação dos ventos secos e frios Harmattan, que atuam com forte intensidade nessa temporada, fazendo com que a entrega de cacau dos países africanos esteja muito abaixo do registrado em anos anteriores.

“Desde o início da temporada 2023/24, em outubro, até janeiro, as entregas da Costa do Marfim ficaram 34% abaixo do mesmo período de 2022/23 e em Gana, a queda foi de 35%, segundo a Organização Internacional do Cacau (ICCO). A expectativa é de um novo déficit para o balanço global de cacau na safra 2023/24, o terceiro consecutivo. A ICCO projeta o déficit na safra 2023/24 em 374 mil t, enquanto algumas fontes estimam até 500 mil toneladas”, destaca o especialista.

No Brasil, dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) indicam produção de 220 mil toneladas de amêndoas em 2022, e a safra de 2023 deve ser concluída com 265 mil toneladas produzidas. “Em 2023, o Pará ultrapassou a Bahia, historicamente líder no ranking nacional de produção de cacau. No Brasil, o sul da Bahia também tem sofrido com os reflexos do El Niño, o que deve resultar em redução da produção, diante do impacto do clima desfavorável”, completa Queiroz.

Nesta safra, a produção mundial da commodity deve somar 4,449 milhões de toneladas, também conforme a ICCO, queda de 11% sobre a anterior, enquanto a demanda deve reduzir 5%, para 4,779 milhões de toneladas. A expectativa do especialista em agricultura é de que o aumento do preço do cacau leve a uma diminuição da demanda global, após três anos seguidos de alta. Ainda assim, deve haver o terceiro déficit consecutivo no mercado global, chegando a 374 mil toneladas, conforme a entidade referência no setor.

De acordo com Alexandre Maluf, economista da XP, a alta nos preços finais de produtos como achocolatados, barras de chocolates e bombons possui forte influência da variação da commodity, que sofreu com quebra de safra em diversos países produtores, principalmente na África, mas o açúcar também impulsionou os preços, diante da “quebra da safra nos Estados Unidos com reflexos globais na cadeia de produção”, conclui Maluf.

Preços mais caros para chocolates

Quem vai comprar chocolate neste ano para amigos, familiares e outros entes queridos tende a pagar mais caro. O aumento nos preços internacionais da commodity prejudicou os fabricantes de chocolates nesta Páscoa, período com maior consumo de barras, ovos e outros itens de chocolate.

Um estudo da XP Investimentos (BVMF:XPBR31) aponta que barras e bombons de chocolate estão mais caros nesta Páscoa, sendo que a alta esperada nesses itens em março deste ano é de 3,63% na comparação com o mesmo mês do ano passado, um avanço menor do que na última Páscoa, que era de 10,7%. Segundo a XP, o estudo é realizado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que não inclui o item específico ovo de Páscoa na cesta de produtos verificados.

Fonte: XP

Preços dos chocolates na capital paulista

Os produtos estão menores e mais caros em São Paulo (SP), de forma geral, mas a depender do item. Pesquisa do Procon de São Paulo com preços de produtos relacionados à data comemorativa apontou uma diferença de até 159,08% para o mesmo produto: o ovo de Páscoa Arcor Bon Bon Morango de 150g, que custava R$ 69,90 em um site e R$ 26,98 em outro.

A pesquisa da entidade visa ajudar o consumidor a embasar a decisão de compra para itens como ovos de Páscoa, bombons, caixas e barras de chocolate. O estudo foi realizado com coleta de preços de 115 itens em oito estabelecimentos, de forma online, entre os dias 11 e 13 de março.

Os preços são livremente fixados e as altas não podem ser consideradas como abusivas, segundo a diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP, Deise Garcia. “Não podemos caracterizar esse tipo de situação como preço abusivo, pois com o livre comércio, o estabelecimento pode colocar o preço que atender”, ressalta.

O Procon também comparou 90 itens entre pesquisas online de 2024 e 2023 na capital paulista – o resultado demonstrou uma alta média no preço médio de 8,76% no quilo dos bombons, de 8,30% no quilo dos tabletes, mas queda no quilo dos ovos de 15,52%.

Para comparação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-SP) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), referente ao período de março de 2023 a fevereiro de 2024, registrou variação de 3%. De acordo com o Procon, o valor médio do quilo dos ovos de Páscoa é de R$ 302,21, enquanto o de bombons é de R$164,14 e dos tabletes de chocolate de R$86,27.

Cuidados na hora de ir às compras

O consumidor deve realizar pesquisa de preço online e presencial antes de ir às compras, segundo a representante do Procon, e considerar ainda os preços referentes ao frete. “Muitas vezes, o consumidor escolheu um determinado site para finalizar essa compra, mas ao calcular junto com o frete, o valor acaba sendo maior do que em outros estabelecimentos, então é preciso considerar o produto justamente com o valor do frete para a compra total”, orienta Garcia.

Além disso, o cliente deve ficar atento a valores muito vantajosos, para não cair em golpes. Na pressa de comprar mais barato, o consumidor pode acabar em uma cilada. “Sugerimos que o consumidor escolhe por sites que possuem endereço físico, telefone CNPJ, que são mais confiáveis. Ainda, recomendamos desconfiar de ofertas muito baratas, pois o consumidor pode ou não receber o produto ou receber algo que não é de acordo com o que ele gostaria".

Por isso, o Procon disponibiliza em seu site uma lista com portais que não são recomendados pela entidade.

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