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Geadas mancham cafezais do Sul de MG; Minasul vê até 30% das áreas afetadas

Commodities30.07.2021 21:30
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© Reuters. Vista aérea de cafezais atingidos por geadas em Varginha (MG) 29/07/2021 REUTERS/Roberto Samora

Por Roberto Samora

VARGINHA, Minas Gerais (Reuters) - Em um sobrevoo pela região cafeeira de Varginha, no Sul de Minas Gerais, é possível ver manchas amarronzadas em grande parte das plantações, sinais de como as geadas do último dia 20 queimaram os cafezais e indicam perdas para as próximas duas safras, pelo menos.

"Foi pior do que eu imaginava... Difícil ver uma lavoura que não sofreu nada", disse o engenheiro agrônomo Adriano Rabelo de Rezende, coordenador técnico da cooperativa Minasul, depois de sobrevoar, pela primeira vez após as geadas, fazendas nos municípios de Varginha, Elói Mendes, Paraguaçu, Alfenas, Machado, Boa Esperança, Nepomuceno e Carmo da Cachoeira.

Após avaliação visual das manchas escuras nos cafezais, o agrônomo estimou na quinta-feira que entre 20% e 30% das lavouras foram afetadas pelo frio intenso, destacando que o fenômeno climático, que vem sendo comparado com as históricas geadas de 1994, atingiu com maior intensidade as áreas mais baixas, onde o ar congelante se concentra nas madrugadas.

A Minasul atua em importantes polos produtores do Sul de Minas Gerais, região que respondeu por cerca de 40% da produção de café arábica do Brasil em 2020. A área da cooperativa foi mais uma entre várias brasileiras --como o Cerrado Mineiro-- golpeada pelo fenômeno climático da semana passada, que fez disparar os preços em Nova York para o maior valor desde 2014, diante da intempérie no maior produtor e exportador mundial.

Nesta sexta-feira, o Sul de Minas voltou a ser atingido por geadas, mas o frio foi menos intenso, segundo os relatos iniciais, com exceção de algumas áreas que tiveram registro do fenômeno pontualmente mais forte. Isso também ocorreu em municípios cafeeiros da Serra da Mantiqueira, onde a Minasul também atua.

"A geada foi no mesmo nível ou mais fraca do que a registrada na semana passada, então, os danos aparentemente vão ficar naquilo mesmo", comentou Rezende.

Apesar de fazer uma estimativa da área queimada pelas geadas, o agrônomo considera que é cedo para falar sobre o tamanho das perdas.

Ele explicou à Reuters, que também participou do sobrevoo pelas regiões cafeeiras, que a intensidade das "queimaduras" causadas pelas geadas varia dentro de um mesmo talhão, o que torna difícil qualquer avaliação no momento. Mas considera um fato que haverá perdas.

"É fato, 2022 não vai ser um ano de alta (produtividade)", comentou, em referência ao ciclo bianual do café arábica, que em 2021 estava na baixa. Ele ponderou ainda que os cafezais já vinham sofrendo os efeitos de uma seca prolongada.

Em mais um mês, observou o coordenador técnico ao visitar juntamente com a Reuters a fazenda Mato Dentro, em Varginha, as folhas ressecadas pelas geadas estarão todas no chão, e ficará mais fácil saber até que ponto os pés de café foram atingidos.

Aqueles afetados com maior severidade terão que passar por uma poda mais radical, chamada recepa.

"Se for recepa, a próxima safra com produção significativa será só em 2024", avaliou, ao comentar o impacto da geada em uma lavoura que já havia sido podada em 2021 para produzir bem somente em 2022, mas que agora terá produção zero no ano que vem e renderá pouca coisa em 2023.

"É MUITO TRISTE"

Para o produtor Flávio Figueiredo de Rezende, com propriedades em Varginha e Carmo da Cachoeira, atingidas em intensidades variando de 90% a 20%, a safra de 2022 seria recorde, mas agora se for igual a de 2021 "está de bom tamanho".

"É muito triste, mas faz parte da nossa luta", disse ao mexer nos ramos, ainda com frutos da safra atual, de uma lavoura de 15 anos totalmente queimada na fazenda Coqueiro --a geada, em geral, não resulta em problemas para os grãos prontos para colheita, e sim para safras futuras.

Ele relatou ainda que o setor foi "surpreendido" pela intensidade do frio da semana passada, que segundo ele só pode ser comparado à geada de 1994, o último grande evento climático congelante para os cafezais do Brasil.

Nesta sexta-feira, a fazenda Coqueiro voltou a registrar geadas, mas com menor intensidade, como previu na quinta-feira o proprietário, que acreditava que dificilmente perdas relevantes adicionais à região de Varginha seriam geradas dada a severidade do fenômeno anterior.

"Não foi intensa como no dia 20", confirmou na manhã desta sexta-feira o gerente da Coqueiro, Denis Roberto Leonel, apontando dessa vez menos folhas, ramos e frutos congelados, nos mesmos talhões amplamente atingidos na semana passada.

MUDAS QUEIMADAS

José Marcos Rafael Magalhães, presidente da cooperativa Minasul, que tem fazendas em Coqueiral e Nepomuceno, avalia que a geada consumiu a maior parte do potencial produtivo de seu café, e aponta ainda que as lavouras deverão levar três anos para se recuperar.

Ele relatou ainda que mudas foram queimadas pelo frio intenso, o que deverá dificultar a vida daqueles que pretendem avançar com novas áreas.

"Vai demorar a recuperação, além de ter queimado lavouras novas, não tem muda para plantar e expandir", lamentou ele, ressaltando que, mesmo áreas sem danos aparentes, terão a produtividade afetada na próxima safra, uma vez que o frio intenso resulta no abortamento das gemas florais.

Por conta dos prejuízos, Magalhães está confiante de que o governo federal virá em socorro dos cafeicultores, opinião compartilhada pelo outro produtor, que lembrou de um programa de renegociação de dívidas após as geadas de 1994.

Numa conta simples, com a saca de 60 kg tendo subido para mais de mil reais, Magalhães avalia a perda de produção no Sul de Minas entre 5 bilhões a 6 bilhões de reais, no próximo ano, valores que dão a dimensão de um impacto que pode se desdobrar para toda a cadeia produtiva sem uma ação governamental.

Ele disse acreditar que a situação gerada pelas geadas levará o Brasil a apoiar produtores em um programa que torne a cafeicultura mais "resiliente", incentivando o uso de variedades mais produtivas por meio de financiamentos à renovação do parque cafeeiro. "O governo vai fazer, do limão, uma limonada", estimou.

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Comentários (9)
Fernando Ferrari
Fernando Ferrari 31.07.2021 11:10
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Estão plantando desculpas para conseguirem conter a alta do café. Vou explicar abaixo com conhecimento de causa (sou engenheiro agrônomo formado na Universidade Federal de Lavras - Sul de MG)  1.O Brasil é o maior produtor e exportador;  2. Seus níveis de produção são bianuais, ou seja, anos de maiores e menores rendimentos. Ano passado foi ano de baixa, porém nesse ano que seria de alta as plantas não tiveram água (chuva) para se desevolverem e produzirem o que era esperado; 3, Os estoques mundiais estão baixos; 4. Aumentou-se muito o custo de produção devido ao dólar e insumos mais caros; 5. Mudas e plantações novas praticamente foram perdidas com as geadas; 6. A seca ainda continua e a previsão para o próximo ano é de LA NIÑA (mais seco para Sul e Sudeste); 7. Previsões de possíveis Geadas ainda em agosto, coincidindo com as plantas de café com flores (maior sensibilidade a baixas temperaturas). Enfim, por conta desses motivos acredito em um aumento absurdo de preço para os anos de 2022/23.
Matheus Martinelli
Matheus Martinelli 31.07.2021 11:10
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Larga de ser lunático cara. 8 a cada 10 fazendas estão com estoques de quase 3 safras para vender ainda, e você falando que vai faltar café? Não vai faltar café porque muitos seguraram suas safras anteriores esperando por esse preço.
Silvan Sil
Silvan Sil 31.07.2021 9:54
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CULPA DO BOLSONARO
Felipe Johansen
Felipe Johansen 31.07.2021 7:38
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sou de Pouso Alegre, sul de Minas e hoje novamente geou
Marcos Szuecs
Marcos Szuecs 31.07.2021 7:06
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A culpa da geada é do Bolsonaro, kkk
Dosi Dosi
Dosi Dosi 31.07.2021 3:09
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Cafe ta caro culpa do Bolsonaro que deixou fazer frio gelocida
Murilo Chagas
Murilo Chagas 31.07.2021 1:50
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e a seca continua... incrível como os especuladores usam de qualquer artifício para conter o preço do café. hoje essa valorização se faz necessária para compensar aos produtores uma chance de recuperar as lavouras e perdas já evidentes. NAO queremos novos financiamentos, pois seria NOVAS dívidas.se houver valorização da safra atual e repactuação dos custeios seria a solução ideal.não aos especuladores, o jogo hoje é do ganha/ganha. momento delicado para a continuidade da cadeia produtora de café. temos que repensar nas políticas adotadas.parque cafeeiro só retorna com força em 2024 (se tudo for feito corretamente).
Dom Luiz
Dom Luiz 31.07.2021 0:40
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Café ficando mais caro em 3, 2, 1...
daniel de oliveira celestino celestino
daniel de oliveira celestino celestino 30.07.2021 8:49
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moto aqui no Sul de minas e a Giada de hoje foi menor do que a última
Mant Newmann
MaNve 30.07.2021 8:49
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No sul de SP tb, mas na semana passada ocorreu uma das mais fortes dos ultimos anos.
Mant Newmann
MaNve 30.07.2021 8:06
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Triste. No momento em que os agricultores conseguiram uma rentabilidade maior pela alta das commodities e pela incompetência do Governo federal que levou o Real a ser uma das piores moedas do mundo.... Definitivamente eles não são os culpados pela inflação, estão surfando na incompetência do Jegues
 
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