Petrobras aguarda desdobramentos de conflito no Irã para reavaliar preço, dizem fontes

Publicado 23.06.2025, 16:55
Atualizado 23.06.2025, 17:01
© Reuters. Logo da Petrobras, no Rio de Janeiro, Brasiln05/06/2025nREUTERS/Ricardo Moraes

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras (BVMF:PETR4) observa os desdobramentos no mercado de petróleo causados pelo conflito entre Israel e Irã, assim como ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares do país persa, no final de semana, mas avalia que por ora não deve mudar os preços dos combustíveis, disseram duas fontes da empresa.

Essas pessoas citaram que o mercado está bastante volátil, e que a empresa aguarda uma mudança de patamar do petróleo Brent antes de fazer qualquer mudança nos valores.

Nesta segunda-feira, o petróleo Brent chegou a atingir nova máxima de cinco meses, a US$81,40/barril, antes de devolver ganhos e fechar em baixa de 7,18%, a US$71,48, após o Irã atacar em retaliação uma base dos EUA no Catar, mas não tomar medidas para interromper o fornecimento de petróleo e gás no Estreito de Ormuz.

"Está todo mundo preocupado nesse momento geopolítico... Não há dúvida. O que a gente tem aí, estamos olhando atentamente, é como é que o preço do Brent vai se comportar. O importante é que com a nossa política a gente removeu a volatilidade. Removeu a volatilidade, não preciso sair correndo, fazendo um ajuste", disse uma das fontes, na condição de anonimato.

Se o Brent subir e ficar na faixa de US$80 o barril por um período mais longo, a Petrobras não teria alternativa, senão realizar algum reajuste.

Uma outra fonte destacou que ainda "não temos um patamar estabelecido".

"O petróleo está a US$75 somente pelas tensões políticas, e se resolvidas ou atenuadas volta ao patamar US$65", avaliou.

A fonte lembrou que o câmbio e o preço do petróleo não são os únicos parâmetros para a Petrobras reajustar os combustíveis, mas também a competitividade das suas próprias cotações frente a concorrentes.

No início do mês, antes de o conflito atual no Oriente Médio se acirrar, a Petrobras reduziu em 5,6% o preço médio da gasolina vendida a distribuidoras, no primeiro corte de valores deste combustível desde outubro de 2023.

Na oportunidade, o petróleo Brent estava cotado a aproximadamente US$65 o barril, cerca de US$15 mais baixo em relação ao pico do ano, visto em janeiro.

Com relação ao diesel, a empresa realizou este ano três reduções no preço médio do produto comercializado a distribuidoras.

Mais recentemente, com a alta do petróleo, a defasagem de preço da Petrobras em relação ao produto importado está em quase 20% para o diesel e em 9% para a gasolina, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

A Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

PETROBRAS MAIS COMPETITIVA

Para o gerente de desenvolvimento de negócios da Argus, Amance Boutin, a escalada de tensões entre o Irã, Israel e os Estados Unidos continuou alimentando um aumento dos preços das cargas de diesel importado, o que tem deixado o produto da Petrobras mais competitivo.

"As cargas negociadas no mercado internacional registraram uma alta significativa nas últimas duas semanas, fechando a arbitragem de importação à medida que o produto vendido pela Petrobras se tornou mais competitivo", disse Boutin.

Segundo ele, as cargas de diesel russo a ser entregue daqui a 15 até 45 dias em até dois portos das regiões Norte e Nordeste registraram uma alta de R$0,50/l entre os dias 10 e 20 de junho, atingindo R$3,59/l.

Em comparação, o preço do diesel vendido pela Petrobras neste local ficou em R$3,17/l, segundo dados da Argus

Ele notou que não há nenhum risco de desabastecimento de produto no momento, devido ao grande volume de produto disponível nos terminais marítimos do país.

Uma parte do consumo de diesel no Brasil é atendida com importações.

 

(Por Rodrigo Viga Gaier; com reportagem adicional de Roberto Samora)

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