Não tenho pressa em adotar reciprocidade contra os EUA por tarifa, diz Lula
Investing.com – Os preços do petróleo operavam em baixa na manhã desta sexta-feira, após a recuperação observada no dia anterior. Investidores reavaliam o cenário de conflito entre Rússia e Ucrânia e monitoram os efeitos das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos importados da Índia.
Às 7h45 de Brasília, o contrato de outubro do Brent cedia 0,43%, negociado a US$ 67,72 por barril, enquanto o WTI para o mesmo mês recuava 0,36%, a US$ 64,37.
Na véspera, ambos os benchmarks encerraram o pregão em alta de quase 1%, revertendo as perdas iniciais após dados dos EUA indicarem uma retração nos estoques de petróleo bruto, embora inferior às projeções do mercado.
Apesar do alívio pontual, os dois contratos seguem no caminho de encerrar agosto com queda acumulada superior a 6%, pressionados pela trajetória de aumento contínuo na produção dos países membros da Opep.
Perspectiva de trégua entre Rússia e Ucrânia se esvai
O otimismo em torno de um possível cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia perdeu força depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs, na semana passada, que os líderes dos dois países — Volodymyr Zelenskyy e Vladimir Putin — conduzissem negociações diretas antes da realização de uma eventual cúpula trilateral em Washington.
Trump ofereceu garantias de segurança em nome dos EUA, excluindo o envio de tropas, mas nenhum cronograma ou local para o encontro foi anunciado, o que tem levado analistas a reduzir as expectativas de avanços diplomáticos no curto prazo.
Ao mesmo tempo, a Rússia intensificou os ataques à capital ucraniana, Kiev, atingindo inclusive prédios que abrigam a missão da União Europeia e o Conselho Britânico.
“A ausência de progresso rumo a um acordo duradouro mantém no radar do mercado o risco de novas sanções e medidas tarifárias secundárias que possam afetar diretamente o fluxo global de petróleo”, avaliou o ING.
Tarifa de 50% sobre importações indianas entra no radar
Em resposta ao fortalecimento da parceria energética entre Índia e Rússia, os Estados Unidos dobraram, desde 27 de agosto, a alíquota sobre as importações indianas para 50%, após adicionar uma nova tarifa de 25%.
A medida integra uma estratégia mais ampla da Casa Branca para enfraquecer os vínculos comerciais entre Nova Délhi e Moscou em meio à guerra no Leste Europeu.
Em um primeiro momento, refinarias indianas chegaram a interromper brevemente as compras de petróleo russo, mas retomaram os embarques pouco depois, sugerindo que as sanções atuais não têm sido suficientes para conter o fluxo de barris.
Analistas acreditam que os próximos movimentos de exportação da Rússia em direção à Índia serão cruciais para medir a efetividade da nova barreira tarifária.