🚀 Ações escolhidas por IA em alta. PRFT com alta de +55% em 16 dias. Não perca as ações de junho!Acessar lista completa

BC quer tempo para entender efeito da curva de juros dos EUA sobre inflação doméstica, diz Galípolo

Publicado 24.04.2024, 12:01
© Reuters. Sede do BC, em Brasília
22/09/2011
REUTERS/Ueslei Marcelino
USD/BRL
-
BVSP
-

Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira que a autarquia quer "dar tempo" para entender como os reajustes na curva de juros dos Estados Unidos afetarão o mandato local de controle da inflação, o que, segundo ele, está em linha com a comunicação oficial do BC.

Galípolo defendeu que o BC não deve se "emocionar" com flutuações de curto prazo no mercado e agir de forma precoce, mas alertou que essa postura gera um risco de que a autoridade monetária acabe esperando demais para reagir a eventos externos.

"Talvez o que seja mais adequado na linha de parcimônia e serenidade é conseguir dar tempo, quando acontece esses tipos de reajustes na curva americana, para entender como isso desdobra no mandato do Banco Central, que é a meta de inflação", disse Galípolo em palestra realizada no Upload Summit 2024, em São Paulo.

"Acho importante a gente ter calma e não se emocionar muito e entender como isso vai se desenrolar, ainda que o risco seja de estar um pouco mais atrasado nesse processo de reação", acrescentou.

O diretor do BC disse que as oscilações recentes na curva de juros dos EUA talvez sejam o maior responsável pelas perdas expressivas do real ante o dólar em sessões recentes, e apontou uma maior correlação entre a curva americana e a brasileira.

Participantes do mercado no mundo todo têm reprecificado as perspectivas de cortes de juros pelo Federal Reserve, com a maioria passando a ver apenas dois ajustes no final deste ano e alguns apostando que não haverá afrouxamento da política em 2024.

Essa mudança ocorreu em parte a dados fortes da inflação dos EUA neste início de ano, alinhados à contínua força da atividade econômica norte-americana e a um mercado de trabalho robusto, com uma taxa de desemprego baixa em níveis históricos.

O novo cenário gerou uma valorização global do dólar. No Brasil, a moeda norte-americana atingiu na semana passada seu maior valor ante o real em mais de um ano, o que também tem sido atribuído a uma maior incerteza em relação ao compromisso fiscal do governo.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem reiterado que o BC não deve reagir com intervenções cambiais a essa reprecificação, já que o câmbio é flutuante e a autoridade monetária só age em casos de disfuncionalidades no mercado.

Outra reação aos recentes desenvolvimentos foi a mudança na expectativa de especialistas consultados pelo BC em sua pesquisa Focus para a taxa Selic. Eles agora veem a taxa de juros encerrando este ano e o próximo em patamares maiores do que antes.

META DE INFLAÇÃO

No evento desta quarta-feira, Galípolo foi questionado sobre a viabilidade da meta de inflação do BC, atualmente em 3% para este ano e os dois próximos.

O diretor afirmou que não cabe à autarquia opinar sobre qual deveria ser a meta de inflação, argumentando que o mandato do BC é apenas perseguir a meta estabelecida.

"Do ponto de vista de diretor de política monetária, isto não é um tema... Meta não é para se discutir, é para se perseguir", afirmou.

Ele indicou ter uma opinião ainda mais "radical" de que o BC não deveria ter direito à voto na determinação da meta de inflação no Conselho Monetário Nacional, defendendo que ela seja estabelecida pelo "poder democraticamente eleito".

O CMN é composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, e pelo presidente do BC.

© Reuters. Sede do BC, em Brasília
22/09/2011
REUTERS/Ueslei Marcelino

Galípolo ainda disse estar otimista em relação ao Brasil, apontando que o país reúne vantagens comparativas para aproveitar oportunidades de realocações em meio a tensões geopolíticas.

Ele disse acreditar que o consumo das famílias brasileiras deve se manter resiliente, seja pela queda da inflação e da taxa Selic, seja pelo aumento do salário mínimo, seja pela manutenção de gastos elevados do governo.

(Por Fernando Cardoso; Reportagem adicional de Luana Maria Benedito)

Últimos comentários

Instale nossos aplicativos
Divulgação de riscos: Negociar instrumentos financeiros e/ou criptomoedas envolve riscos elevados, inclusive o risco de perder parte ou todo o valor do investimento, e pode não ser algo indicado e apropriado a todos os investidores. Os preços das criptomoedas são extremamente voláteis e podem ser afetados por fatores externos, como eventos financeiros, regulatórios ou políticos. Negociar com margem aumenta os riscos financeiros.
Antes de decidir operar e negociar instrumentos financeiros ou criptomoedas, você deve se informar completamente sobre os riscos e custos associados a operações e negociações nos mercados financeiros, considerar cuidadosamente seus objetivos de investimento, nível de experiência e apetite de risco; além disso, recomenda-se procurar orientação e conselhos profissionais quando necessário.
A Fusion Media gostaria de lembrar que os dados contidos nesse site não são necessariamente precisos ou atualizados em tempo real. Os dados e preços disponíveis no site não são necessariamente fornecidos por qualquer mercado ou bolsa de valores, mas sim por market makers e, por isso, os preços podem não ser exatos e podem diferir dos preços reais em qualquer mercado, o que significa que são inapropriados para fins de uso em negociações e operações financeiras. A Fusion Media e quaisquer outros colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo não são responsáveis por quaisquer perdas e danos financeiros ou em negociações sofridas como resultado da utilização das informações contidas nesse site.
É proibido utilizar, armazenar, reproduzir, exibir, modificar, transmitir ou distribuir os dados contidos nesse site sem permissão explícita prévia por escrito da Fusion Media e/ou de colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo. Todos os direitos de propriedade intelectual são reservados aos colaboradores/partes fornecedoras de conteúdo e/ou bolsas de valores que fornecem os dados contidos nesse site.
A Fusion Media pode ser compensada pelos anunciantes que aparecem no site com base na interação dos usuários do site com os anúncios publicitários ou entidades anunciantes.
A versão em inglês deste acordo é a versão principal, a qual prevalece sempre que houver alguma discrepância entre a versão em inglês e a versão em português.
© 2007-2024 - Fusion Media Limited. Todos os direitos reservados.