Caixa está em negociações para usar mais recursos do pré-sal em habitação, diz executiva

Publicado 28.05.2025, 14:25
Atualizado 28.05.2025, 17:05
© Reuters.

SÃO PAULO (Reuters) -A Caixa Econômica Federal está em negociações para direcionar mais recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a habitação, como feito este ano, quando o governo remanejou R$15 bilhões para o Minha Casa, Minha Vida, disse a vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, nesta quarta-feira.

"Tivemos no último período uma negociação para que o fundo do Pré-Sal pudesse trazer um pouco de dinheiro... Nós estamos com a negociação mais ou menos até 2030, pelo menos, de que ele venha a aportar mais ou menos o que ele aportou nesse ano", disse Magalhães, em evento da Abrainc em São Paulo.

O painel em que Magalhães se apresentou comentava sobre soluções de funding para garantir a sustentabilidade do setor imobiliário, e também contou com a participação do presidente da Abecip, Sandro Gamba, e do presidente da Abrainc, Luiz França.

"Eu brinco que esse aporte do pré-sal é o jet ski que pode nos ajudar a atravessar as ondas de Nazaré", afirmou a executiva, citando a cidade do litoral de Portugal que se tornou referência de ondas gigantes.

"Não vai resolver nosso problema, evidentemente, mas ele ajuda um pouco a descompressão para esse tema", acrescentou. Ela não deu mais detalhes sobre os planos. A Caixa esclareceu, posteriormente, que os aportes envolveriam 2026 a 2030.

Em março, o governo remanejou R$15 bilhões do Fundo Social para o financiamento de operações da faixa 3 do MCMV. A medida abriu espaço para a criação de uma nova faixa para o programa habitacional voltada para atender a classe média.

O Fundo Social foi instituído em dezembro de 2010 e tem a finalidade de se consolidar como fonte de recursos para o desenvolvimento social e regional a partir de um percentual dos recursos obtidos com a exploração de petróleo na região do Pré-Sal.

Com um mercado aquecido, o setor tem levantado preocupações em relação à sustentabilidade do financiamento imobiliário, à medida que enfrenta ainda um cenário macroeconômico incerto, de juros elevados e com os saques em caderneta de poupança superando os depósitos nos primeiros meses do ano.

As contratações de financiamento por pessoa física via Caixa este ano somam R$54,7 bilhões até o momento, pelas modalidades FGTS e SBPE, contra um orçamento de R$174,5 bilhões para 2025, segundo o diretor de Habitação da Caixa, Roberto Carlos Ceratto.

Em relação à pessoa jurídica, as contratações executadas no ano até agora somaram R$20,4 bilhões, versus um orçamento para o ano de R$45,9 bilhões, conforme apresentação de Ceratto em painel separado durante o evento da Abrainc.

"O recurso para este ano nós temos para fazer frente ao volume, frente à demanda que está dada, e não falta esforço por parte de todos os atores, tanto da construção civil, da Caixa, do governo, para encontrar alternativas (de funding)", acrescentou o executivo.

(Reportagem de Patricia Vilas BoasEdição de Paula Arend Laier e Pedro Fonseca)

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