Dólar cai 1% com mercado atento a política monetária; volatilidade recua

Publicado 19.02.2021, 17:12
Atualizado 19.02.2021, 17:55
© Reuters. Notas do dólar e do real são dispostas em corretora de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015. REUTERS/Ricardo Moraes.

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de 1% nesta sexta-feira, o que colocou a moeda brasileira entre os melhores desempenhos globais na sessão, em meio a apostas de que o Banco Central pode ser levado a adotar um tom mais duro e subir os juros já no mês que vem diante da escalada da inflação.

A divisa norte-americana começou o dia em alta e bateu a máxima logo nos primeiros negócios. Na sequência, passou a perder força até virar para queda perto de 9h30. A cotação foi à mínima do dia por volta de 13h20, antes de reduzir parte das perdas.

Ao término das operações no mercado à vista, o dólar caiu 1,04%, a 5,3846 reais na venda. A divisa oscilou entre 5,471 reais (+0,54%) e 5,3685 reais (-1,34%).

Com a baixa desta sexta, a cotação reduziu os ganhos na semana para 0,20%. Em fevereiro, o dólar recua 1,72%, mas ainda sobe 3,72% em 2021.

Apesar de o noticiário do dia ter incluído novos ruídos envolvendo a Petrobras (SA:PETR4), tensões entre Poderes na esteira de prisão de um deputado e incertezas na articulação sobre o auxílio emergencial, além de nova escalada dos rendimentos de títulos no exterior, o mercado de câmbio se voltou para a possibilidade de início antecipado do ciclo de normalização da Selic.

Mais duas instituições financeiras (Itaú Unibanco (SA:ITUB4) e Credit Suisse (SIX:CSGN)) revisaram para cima suas projeções para a inflação devido a pressões no atacado, entre outros fatores.

Além disso, Itaú aumentou sua estimativa para a Selic ao fim de 2022, enquanto o Credit Suisse ressalvou que trabalha com um cenário "não desprezível" em que o Copom precise continuar a aumentar os juros a ponto de remover completamente o estímulo monetário.

Na curva de juros, as taxas para julho 2021 e janeiro 2022 chegaram ao fim da tarde em alta de até 4,5 pontos-base, variação chamativa considerando contratos de curto prazo e que sinaliza apostas de juros ainda mais altos até o fim de 2021.

"Parece que o vetor dominante é a questão dos juros. O câmbio já reagiu a isso antes, quando o BC tirou o 'forward guidance' e quando foi mais 'hawkish' na ata do Copom (da reunião de janeiro)", disse Roberto Serra, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos, dizendo que tem aumentando a probabilidade de alta de 0,50 ponto percentual da Selic em março.

O juro básico da economia está em 2% ao ano, mínima histórica, o que deixa o juro real em território negativo --fator que, segundo analistas, mantém o real mais suscetível a pressões diversas, sobretudo num momento de rali das taxas de títulos soberanos em mercados desenvolvidos em meio ao "trade" de reflação.

"O dólar está há cerca de um mês oscilando dentro de uma banda mais estreita, mas o equilíbrio é instável. Estamos apenas com posições táticas em real, sem posições relevantes", afirmou Serra.

A volatilidade realizada de 21 dias úteis da taxa de câmbio dólar/real caiu a 18,4%, ante pico de 24,7% no começo do mês. E a volatilidade implícita para três meses recuou a 16,2%, ante pico perto de 20% no fim de janeiro e nos menores níveis em cerca de 11 meses.

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